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Grandes guitarristas gaúchos (I)

Grandes guitarristas gaúchos (parte 1)

Rogério Ratner

 

O Rio Grande do Sul sempre foi pródigo em revelar grandes guitarristas nos mais variados estilos, seja de rock, jazz, blues, MPB, etc. Assim, quando vai-se abordar o tema, é natural a conclusão de que se trata de um assunto interminável, dada a riqueza que se verifica nesta seara. Não obstante, acho importante destacar e invocar alguns nomes que, na minha opinião,  representam significativamente  a pujança da produção “guitarrística” gaúcha, independentemente de serem mais ou menos conhecidos pelo público, ou fazerem maior ou menor sucesso comercial. É óbvio que essa empreitada não pode ficar limitada a estes nomes, porquanto há inúmeros outros grandes instrumentistas a merecerem destaque. Desta forma,  pretendemos criar uma “série” de artigos sobre o assunto, dos quais esse é o primeiro. De todo modo, já é necessário desde logo ressaltar, que mesmo que conseguíssemos elaborar artigos “de 1 a 1000”,  não conseguiríamos suficientemente abarcar todos os guitarristas gaúchos que merecem realce. Assim, antecipadamente, e desde já, nos escusamos frente a eventuais omissões.

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* Um grande guitarrista gaúcho que vem obtendo reconhecimento nacional, não apenas como instrumentista, mas também como compositor, é Leo Henkin, com a sua banda Papas da Língua. Leo começou sua trajetória participando da Banda Dzagury, no início dos anos 80. Também começou a trabalhar na noite, no Bar Café com Leite (esquina da Santa Terezinha com a José Bonifácio,  eu gostava muito de ir vê-lo tocar naquele bar), ao lado de Ralf Peruffo, outro grande guitarrista (que posteriormente entrou para a Banda dos Corações Solitários, do bar Sargent Peppers), entre outras casas. Logo passou a acompanhar cantores/cantoras, tal como a Luciana Costa (se não me engano, foi a primeira vez que tocou junto com o Zé Natálio, participando da banda de apoio da cantora em show no Clube de Cultura, que assisti). Depois, como músico convidado, atuou junto ao Saracura, banda de Nico Nicolaiewsky (Tangos e Tragédias), Sílvio Marques, Chaminé e Fernando Pesão (atualmente baterista do Papas), que fez muito sucesso em Porto Alegre nos anos 80. Posteriormente, Léo passou a atuar com a Banda Os Eles, com a qual gravou dois LPs. Após o fim desta banda, que teve relativa projeção nacional, mas grande repercussão regional, tornando-se uma das principais formações do então nascente rock gaúcho dos anos 80, passou também a atuar na criação de jingles, na produtora de Geraldo Flach. Em 1993 começa a sempre ascendente  trajetória do Papas da Língua, banda formada por ele integrada que conta com Serginho Moah nos vocais, Fernando Pesão na bateria, Zé Natálio no baixo e, ainda, como 5º mosqueteiro quase membro efetivo, com o tecladista Cau Netto. Em 1995 a banda lançou um LP/CD pela Sony Music, obtendo uma significativa repercussão, especialmente em nível regional. Léo também teve composições suas gravadas por cantores de nomeada, tais como Pedro Camargo Mariano, Rosana e Paulo Ricardo, e seu viés de produtor foi também se consolidando mais e mais.  Contudo, foi com o CD Xá-la-la (lançado pelo selo  Antídoto da gravadora gaúcha Acit), de 1998,  que ocorreu o grande estouro em termos regionais do Papas da Língua, e uma maior repercussão nacional. Depois a banda, sempre com grande sucesso nas rádios gaúchas, lançou Babybum (de 2000), Um dia de Sol (pela Orbeat, em 2002), e “Ao Vivo Acústico” (Orbeat). Os Papas fizeram desde então inúmeros shows, inclusive participando de várias edições do Planeta Atlântida no RS e SC. Agora a banda está na EMI-Universal, e curte o grande sucesso nacional, decorrente da veiculação da música “Eu sei”, que entrou na trilha  da novela das oito da Globo Páginas da Vida. Mas antes, em termos televisivos, a música “Garotas do Brasil” já havia sido trilha de Malhação – e foi  gravada pelo cantor baiano Netinho, e  “Encontros Amargos” havia integrado a trilha de “Cara e Coroa”. Trata-se, atualmente, da banda de pop/rock/reggae gaúcha de maior projeção e sucesso popular, nacionalmente falando, ao lado dos Engenheiros do Hawaii. O site do Papas é http//:www.papasdalingua.com.br

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Merece destaque também o grande às das seis cordas GAMBONA, nosso representante no 4º Natu Blues, em  2004, no Bar Opinião, ao lado de feras nacionais e internacionais do blues. GAMBONA (Eduardo da Silva Quintian) é natural de Rio Grande (RS) e está morando atualmente em Porto Alegre. Autodidata, com mais de vinte e cinco anos de carreira musical, morou em São Paulo (onde teve os primeiros contatos com a guitarra), Paraná e Santa Catarina. Entre 1997 e 1998 viajou para os E.U.A., Espanha e Portugal, onde teve contatos com músicos locais e participou de várias jams de blues e rock. Além de participar de várias bandas de blues, rock, folk, pop e instrumental – tais como Chapéu de Cobra, Lira Clandestina, Banda do Porto, Sinal de Vida, Albatroz, Laelia Purpurata,  Giselle Gutter & Hard Company (que gravou no CD  Rock Garagem III, e cujo nome depois foi alterado para Sólidos Platônicos), Saída de Emergência, The Single Dadies Blues Company, Crazy Mama Band, Alligator’s Blues Rock, acompanhou diversos cantores e compositores, tais como (Chico Padilha, Rogério Ratner, Lu Barros, etc.). Participou também de jam-sessions com Big Allambick, Blues Etílicos, Fernando Noronha& Black Soul, André Christóvam, Andy Boy, Nivaldo Ornellas, Robertinho Silva e Ary Piassarollo. Em 2001, gravou e lançou o CD intitulado “Gambona” com sonoridade bluseira, e um forte sotaque roqueiro, além de temas instrumentais e acústicos de alta qualidade técnica. Sua base musical são as bandas de rock dos anos 60 e 70, Texas, Chicago e Delta Blues, country, folk, jazz e guitarristas como: Robert Johnson, T-Bone Walker, Albert King, B.B.King, Johnny Winter, Rory Gallagher, Eric Clapton, Stevie Ray Vaughan, Tommy Bolin, Jimmy Page, Robben Ford, John Scofield, Wes Montgomery, Warren Haynes, Ry Cooder e Zakk Wylde. Atualmente está finalizando seu segundo CD, seguindo a mesma pegada do primeiro, tocando com a “Gambona Blues Project”, onde executa clássicos do blues e rock, além de composições próprias e também seu projeto acústico, onde sozinho, apenas com violão de aço e harmônica, transita pelo blues, folk e rock, com uma roupagem bem pessoal e própria. O trabalho de Gambona foi destacado em 2006 no programa “Blues Power”, da Rádio USP FM de São Paulo, apresentado por Caio Ávila, um dos melhores espaços no Brasil de divulgação dos clássicos e das novidade do Blues internacional e nacional. O site do Gambona é HTTP://www.gambona.com.br, e ali vai dar pra sacar um pouco do trabalho do cara. Trata-se de um guitarrista de pegada forte e de solos “matadores”.

Uma figura que é clássica e fundamental, quando se vai falar de guitarra no rock gaúcho, é o mágico das seis cordas Deio Escobar, um verdadeiro “guitar hero”. Deio tem uma trajetória das mais ricas no rock feito nos pampas, e vem de longe, direto dos anos 70, quando o rock era encarado como uma tremenda transgressão pela “sociedade”, e especialmente era considerado  um “caso de polícia”, o que ele sentiu na pele. Deio tocou em formações clássicas do rock gaúcho, além de ser um dos precursores na preocupação com a atualização tecnológica, em termos de instrumentos, pedais, amplificadores, etc. Pilotando a sua guita cheia de blues hendrixiano na veia e outros venenos, Deio vem direto dos anos 70 em diante até hoje sem escalas, trazendo informações sonoras sempre novas para o cenário local, e participando de bandas gaúchas seminais tais como Rola Blues, Trovão, Bric Brothers, Câmbio Negro, O Espírito da Coisa, A Barata Oriental, entre outras, afora sua carreira solo (Deio lançou um belo LP em que flertou com a MPB). Aliás, Deio é um músico completo, e transita bem em qualquer estilo, tendo estabelecido diversas parcerias, inclusive músicas compostas com Renato Borghetti. Além disso, Deio foi professor no mítico “Clube do Guitarrista gaúcho”, do figuraça Zezé, de quem, ora vejam, até eu fui aluno. O Clube funcionou nos anos 80. Me lembro de ter chegado mais cedo para uma aula, e estava impressionado com um som de guitarra que havia escutado em um disco, queria saber o que “havia sido” aquilo. Quando perguntei ao Deio, mais ou menos descrevendo o efeito, ele me disse, na maior naturalidade e certeza, que se tratava de um oitavador. Eu fiquei de boca aberta, lógico. Naquela época não havia o acesso fácil que há hoje a instrumentos bons e importados, pedais, etc., e muito menos informações. Tínhamos que comprar instrumentos da Gianinni, da Di Giorgio, Da Del Vecchio, a melhor guitarra era da Fink (eu tinha uma “Les Paul”), pedais só da Oliver. Caras como o Deio é que traziam este mundo dos avanços tecnológicos para nós, mortais.  O Deio disponibilizou diversos links com “palhinhas” de sua bela trajetória, que vale a pena visitar, até para conhecer-se um pouco da história do rock gaúcho dos anos 70 e 80.  No myspace estão os Bric-Brothers (http://www.myspace.com/bricbrothers) e o Espírito da Coisa(http://www.myspace.com/espiritodacoisa). O Espírito foi uma banda com o Zezé.  A página pessoal do Deio está no PalcoMP3 (http://palcomp3.cifraclub.terra.com.br/deioescobar).Também o Câmbio Negro tem um link para download do disco no RapidShare ( http://rapidshare.com/files/56161628/Cambio_Negro_-_Hard_Rock_com_capa_e_encartes.rar). O Rola Blues ganhou uma página no PalcoMP3 (http://palcomp3.cifraclub.terra.com.br/rolablues ) . O link pra baixar o CD da Fat Blues Chaminé Band do RapidShare: http://rs250.rapidshare.com/files/67399631/FatBlues.zip E a página no Palco MP3 do Cambio Negro: http://palcomp3.cifraclub.terra.com.br/cambionegro-PoA/

De fato, Deio é um deus da guitarra, e seu trabalho merece mesmo ser conhecido por todo mundo.

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