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Lojas de Lp em Porto Alegre

Houve épocas em que Porto Alegre era pródiga em lojas de LPs (é óbvio que, evidentemente, a abundância era muito maior nos tempos em que esta era a única mídia – havia as fitas cassetes, mas nunca foram efetivamente concorrentes dos vinis). Muitas lojas ficaram famosas e marcaram época, como aquelas que bem aponta o Emílio Pacheco em sua comunidade sobre “Porto Alegre de antigamente” (o título é mais ou menos isso, mas é fácil de achar) do Orkut. Eu particularmente lembro-me de ir muito na galeria Chaves, onde havia praticamente uma loja do lado da outra, sendo que em algumas era possível escutar os discos em cabines individuais, e, posteriormente, sem as cabines, mas com fones de ouvido. Eu gostava bastante de ir na Pop Som, onde dava pra escutar o disco sem ter que encarar o olhar atravessado do proprietário, que se emputecia se o disco não fosse comprado (o que ocorria, por exemplo, na Discoteca ou na King’s discos). Foi como funcionário da Pop Som que conheci o famosíssimo Led, que, devido à sua adoração pelo Led Zeppelin, é figurinha carimbada do meio musical de Porto Alegre, uma das mais folclóricas “peças” do mercado fonográfico gaúcho, e que hoje mantém uma bela loja na mesma galeria. A Galeria Chaves, guardadas as proporções, é a nossa “Galeria do Rock”, tal como a famosa Galeria da 24 de maio, no centrão velho de São Paulo, “ponto turístico” indispensável para qualquer fã de música). O fato é que tenho percebido mais e mais que está ficando muito difícil comprar Lps em Porto Alegre, pois o número de lojas caiu de forma vertiginosa. Atualmente, pode-se comprar LPs nas lojas da Galeria Chaves (do térreo e dos andares de cima), na Toca do Disco, na Boca do Disco (do lendário Getúlio), a Stoned Discos (do super simpático Ivan) – as quais, em grande parte, estão focadas mais significativamente para o CD -, e as lojas do viaduto da Borges de Medeiros, ou no Brick da Redenção, aos domingos de manhã. Também há duas lojas embaixo do Túnel/Viaduto da Conceição. 

Mas há poucos pontos na cidade onde ainda é possível achar LPs “de barbada”. Antes havia muitas lojas do tipo em que o cara que estava vendendo não era grande conhecedor de música, ou pelo menos não era conhecedor de todos os estilos, o que garantia a possibilidade de pintar  um precinho bem camarada pra aquele disco que você estava buscando há horas, ao invés dos preços mais altos que costumam cobrar os comerciantes especializados. Ou mesmo lojas de caras que, embora conhecessem  música, não cobravam preços altos, tal como era o caso do Hilton, que tinha uma lojinha na Salgado Filho, no lugar do antigo cinema São João.  A última grande barbada que vi foi na loja de uns coreanos, na Voluntários da Pátria. Eles vendem aparelhos eletrônicos usados, e tinham bastante Lps, até que decidiram torrar tudo por um real. Eu comprei um monte de discos no ensejo, mas infelizmente, acho que ainda poderia ter passado mais um pente fino. Só que, quando voltei lá um dia, eles já tinha despachado o resto do estoque. Há como opções, além dos pontos antes mencionados, um brechó na Júlio de Castilhos (perto do cine Real, será que é esse o nome?), e em alguns bricks da João Pessoa (estes dias achei por R$5,00, em um deles, o famoso disco “roqueiro” do conjunto melódico Norberto Baldaulf, provavelmente o primeiro disco de rock gravado por um grupo gaúcho, embora, evidentemente, não se trate de um grupo de rock, e nem o rock gravado fosse assim tão “roqueiro” para os padrões atuais). Mas tenho saudades de encontrar, em algum porão escuro ou uma loja bem esculhambada, algumas caixas de Lps misturados, de quaisquer gêneros, com alguma preciosidade à espera para ser descoberta, vendida por um ou dois reais.

Atualmente, com o lance do Mercado Livre e da internet em geral, o pessoal tem ficado bem esperto. Só pra contar uma historinha rápida a respeito: sábado passado fui fazer a minha pesquisa em jornais antigos no Museu Hipólito da Costa, na esquina da rua da Praia com a Caldas Jr., pro livro que estou escrevendo sobre a música/rock gaúcho. Daí, tinha um cara bem ao lado, perto do antigo cinema cacique, vendendo uns Lps que ele expôs na rua mesmo, na porta de uma loja fechada. Ele tinha, para o meu total espanto, um raríssimo Lp em bom estado do Pau Brasil, grupo do expoente do samba-rock gaúcho Bedeu e cia. Não sei porque, em minha ingenuidade, achei que de repente o cara ia querer cinco, no máximo dez reais, talvez pelo fato de ele vender na rua, e geralmente o pessoal que faz isso está precisando messssmo da grana naquela hora, e, supostamente, não é muito especializado no assunto. Perguntei o preço e quase caí pra trás: ele queria R$80,00!!!!! E ainda me disse que estava barato, porque na internet estava R$150,00. Claro que eu não comprei, porque raramente me disponho a pagar isso por um LP (só uma vez paguei R$70,00 por um, no Mercado Livre, mas era mesmo um achado). Usando a minha famosa tática de negociação “vou dar uma volta e depois passo de novo pra ver se o cara afrouxa”, ele disse que baixaria no máximo para R$60,00, isto porque “tinha comprado o disco de uma pessoa que não entende de música, e que mesmo assim me vendeu por R$35,00”. É claro que eu não acreditei na conversa do cara, pois ele deve ter pago uns dois reais, no máximo. Eu ofereci R$20,00 como última oferta. O negócio não saiu, mas talvez um dia saia. Contudo, é isso que eu digo, cada vez mais a venda de Lps usados em Porto Alegre é feita por experts, não há mais lugar pra “amador”, e aí os preços nos levam à loucura. Aliás, quem souber de alguma “boquinha” diferente, onde se achem boas barbadas, por favor me avise.    

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