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LP do Beto Herrmann  escrito em quinta 06 novembro 2008 23:37

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LP do Borghettinho  escrito em sábado 08 novembro 2008 20:59

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LP do Porto Alex  escrito em sábado 08 novembro 2008 21:02

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LP do Impacto  escrito em sábado 08 novembro 2008 21:05

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LP do Jerônimo Jardim – Terceiro Sinal  escrito em domingo 09 novembro 2008 21:52

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LP do Radamés Gnatalli

Mini-LP de Radamés Gnatalli  escrito em quarta 22 outubro 2008 17:08

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LP Paz na Terra – Coral  escrito em quarta 22 outubro 2008 17:11

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LP do Musicanto  escrito em quarta 22 outubro 2008 17:14

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LP O Bombachudo  escrito em quarta 22 outubro 2008 21:17

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Irmão do cantor nativista Vitor Hugo, Paulo Silva

fez bastante sucesso nos anos 80 como o “Bombachudo”, misturando música e humor, a exemplo do “Guri de Uruguaiana”. Os dois irmãos antes haviam pertencido ao grupo Folk, de Taquara-RS

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LP Festival de Conjuntos  escrito em quarta 22 outubro 2008 17:21

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Lps do Bibo Nunes

Compactos da Restinga e Imperadores  escrito em segunda 29 junho 2009 12:58

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LP da Itapema/ Farroupilha / Bibo Nunes/ TV Colosso  escrito em segunda 29 junho 2009 13:07

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LP da Novela Pecado Rasgado  escrito em segunda 29 junho 2009 13:12

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Neste Lp tem uma música do gaúcho Hermes Aquino

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LP da Imigração Italiana  escrito em segunda 29 junho 2009 13:15

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Fotos de Lps gaúchos

Lps Conjunto Flamingo / Flamboyant  escrito em terça 08 setembro 2009 16:25

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Lp da Tilt  escrito em terça 08 setembro 2009 16:28

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LPs do Luis Vagner  escrito em terça 08 setembro 2009 16:30

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LPs de Festivais  escrito em terça 08 setembro 2009 16:33

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Lps Gaudérios  escrito em terça 08 setembro 2009 16:36

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Uma banda pela noite de Porto Alegre

 

por Rogério Ratner

A noite de Porto Alegre, atualmente, é bem diversificada, havendo inúmeras opções em termos de bares, restaurantes, casas noturnas, cafés, etc. Além disso, a capital gaúcha tem recebido uma infinidade de shows musicais dos mais diversos estilos, inclusive internacionais, reunindo uma ampla gama de atrações não raramente na mesma data. Como se diz, aqui em Porto atualmente “há para todos os gostos”. Uma constatação que faço, contudo, é a da grande volatilidade dos estabelecimentos noturnos em nossa cidade. Inúmeras casas e endereços vão surgindo continuamente, mas o desaparecimento da grande maioria em geral também não tarda. Assim, a memória da vida noturna da capital gaúcha vai vivendo apenas nas lembranças afetivas de quem freqüentou determinadas casas, que, não raro, desaparecem sem deixar rastros palpáveis. Por isso, pretendo aqui relembrar alguns locais que invocam boas lembranças, e que freqüentei especialmente a partir dos anos 80, período em que vivi o final da adolescência e o início da vida adulta propriamente dita, com o objetivo de fazer os meus contemporâneos “viajarem” um pouco no tempo, e de os mais novos conhecerem um pouco do que havia em termos de noite em Porto Alegre. Cabe esclarecer desde logo que não tenho a pretensão de fazer aqui um estudo sobre a noite da capital gaúcha, mas apenas apontar alguns lugares legais que conheci. Neste ponto, é preciso deixar claro também que, obviamente, havia uma infinidade de outras opções de lugares pra ir, mas que, por uma razão ou outra, eu não freqüentava, de modo que este retrato é limitado e parcial. É necessário considerar que a freqüência a estes lugares que vou mencionar estava vinculada ao meu perfil pessoal no período, e que, naturalmente, orientava minhas escolhas e gostos. Assim, estavam mais ligados às minhas áreas de interesse, especialmente a música, e ao meu perfil sócio-econômico-cultural, de estudante da UFRGS vindo da classe média baixa.  

Eu morava na rua Jacinto Gomes, portanto, em plenos limites do bairro Bom Fim. Geralmente, quando ia sair, eu estabelecia uma espécie de roteiro, sendo que havia duas direções básicas: o Bom Fim ou a Cidade Baixa.

No  início dos 80, o Bom Fim vivia repleto de jovens, a lotar seus bares e povoar suas calçadas, reunindo uma “fauna” especialmente na Av. Oswaldo Aranha, que incluía o pessoal universitário (então fortemente engajado na luta pelo fim da ditadura militar), os roqueiros (punks, metaleiros, new wavers, góticos, rockabillys, e o que mais fosse), e mais uma multidão meio indefinível, que de uma certa forma ecoava o rescaldo dos hippies, incluindo usuários de drogas e grandes consumidores de álcool, que nós, os “engajados”, costumávamos chamar de “lumpens” e alienados. Para o pessoal mais “cabeça”, de viés intelectualizado, havia o grande atrativo do cinema, especialmente o Bristol, que ficava nos altos do cine Baltimore, na Oswaldo. Assisti, ao lado de muitos universitários contemporâneos, inúmeros filmes no cineminha que era totalmente “cult”, e que muitas vezes realizava ciclos focando determinados cineastas, sendo responsável por formar uma legião de espectadores voltados ao “cinema de arte”. Vi ali ciclos e filmes de Godard, Glauber Rocha, Truffaut, Tarkowsky, Orson Welles, Eisenstein, etc., etc. O Cinema 1 – Sala Vogue, na Avenida Independência (alto Bom Fim) também era muito frequentado por aquela parcela da juventude, e igualmente notabilizava-se por exibir filmes de arte. Aliás, numa das últimas vezes que fui àquela sala, antes de a mesma ser fechada, aconteceu uma história bem engraçada, da qual eu e minha mulher sempre rimos quando lembramos: estávamos vendo o filme “Nouvelle Vague”, de Godard. Trata-se, sem dúvida, de um dos filmes mais confusos deste diretor que, de resto, sempre cultuou um estilo intrincado e obtuso. Ninguém tava gostando, mas não era de bom tom sair no meio da sessão, era quase uma “heresia”, e ninguém queria “pagar o mico” de ser visto saindo do cinema antes do fim. O filme arrastava-se indefinidamente, sem pôr fim à agonia dos espectadores. Eis que um corajoso se levantou, ao que todo mundo lhe voltou o olhar, em grave desaprovação… o sujeito, então, começou a gritar bem alto, “o que que é, este filme é uma bosta, vocês não tem coragem de levantar, é porque são uns trouxas, se acham muito inteligentes, etc., etc”, para o espanto e a gargalhada geral. Aliás, os filmes de Godard me fizeram passar por bons “micos”. Participei da famosa passeata organizada pelo DCE da UFRGS contra a proibição do filme “Je Vous Salue Marie”, cuja exibição foi proibida pela Ditadura, em vista da anatematização da fita pela Igreja Católica. A passeata foi tensa, pois, embora fosse a fase do “degelo”, ainda estávamos em plena Ditadura, e a Brigada Militar acompanhou de forma ostensiva o protesto. Como ápice, o DCE organizou uma sessão para passar o filme que era “super clandestina e secreta” no auditório da Faculdade de Arquitetura. Aí fomos para lá, todos muito tensos com a possibilidade de que a polícia militar invadisse o teatrinho e “baixasse o cassete”. Mas nem foi preciso a intervenção da “repressão”: deu cinco minutos de filme e o pessoal começou a sair, a princípio aos poucos, depois massivamente, dada a chatura da película (rss)… eu saí no meio, e, sinceramente, não sei dizer quantos heróis “agüentaram” até o fim. Outro cinema que era bem freqüentado, neste gênero, era a sala da UFRGS, então recém-inaugurada, e as da Casa de Cultura Mário Quintana. Na UFRGS, eu era fã de carteirinha dos shows do Projeto Unimúsica, que na época ocorriam toda sexta-feira, ao final da tarde, no Salão de Atos, não perdia um, só com artistas locais, não era como o projeto de agora. Foi um grande palco para o pessoal da MPG, e os shows ficavam sempre lotados.    

O Bom Fim, além do cinema, tinha como grande atração os seus botecos e bares. Lembro de ir no Bar Ocidente, logo após a sua inauguração, e já era realmente um grande “point” dos alternativos em geral, sendo, aliás,  habitualmente alvo de “batidas” da Brigada Militar, que botava todo mundo para fora para ser “revistado”; foi uma barra pesada para o estabelecimento, pois a marcação era realmente cerrada, mas felizmente os proprietários “agüentaram no osso” aquela fase persecutória, e a casa continua “bombando” até hoje. Dos botecos “clássicos” do Bom Fim, havia o Bar João (de que o meu pai, como bom jogador de sinuca, era um dos habitués do “turno da tarde”, e eu seguido ia lá para encontrá-lo), o Lola, o Bom Fim… peguei a inauguração da Lancheria do Parque, que eu e um amigo “estreamos” ingerindo sem solução de continuidade três pratos do seu clássico “buffet livre”, então uma espécie de novidade nos bares de antanho (o comum era os almoços chamados “comerciais” serem servidos em pratos feitos, ou “PFs”, também conhecidos como “torpedos”). Havia um outro bar, cujo nome não lembro, que ficava nos altos da antiga Livraria Baiadeira, hoje tem uma imobiliária funcionando no térrreo. O Escaler e o Luar, no mercadinho do Bom Fim, ficavam sempre cheios desta “fauna” variada a que nos referimos. O Escaler, aliás, chegou a fazer um circo de lona, no estilo “Circo Voador” do Rio, que ficava do lado do Gigantinho, e onde rolavam uns shows e festas bem legais. Cheguei a ir numa festa de réveillon e num carnaval lá, baile animado pelo Zezé, meu professor no Clube do Guitarrista Gaúcho. Houve também um outro circo, onde uma vez assisti a um show do Bebeto Alves, que ficava em um terreno próximo ao atual ginásio Tesourinha, que era muito legal idem.  Pra fazer um “rango” no “Bonfa”, além da “Lanchera”, tínhamos o Zé do Passaporte (cujo trailer ficava ainda na calçada onde hoje tem o postinho da Brigada Militar) e o Kripton, que depois se mudou para a Goethe. Aliás, em termos de lanches, além do Trianon (que, à época não era “tão limpinho” como hoje, consistia em um boteco com uma chapa e um belo latão de lixo de metal, postado bem ao lado, onde eram despejadas as cascas de ovo e os talos das alfaces, as gorduras dos bifes e etc.), a grande sensação era o Mac’dinhos (o nosso primeiro Macdonald’s, só que “made in Porto Alegre”), o Cachorro do Rosário (que só existia lá mesmo, e com os pedintes e mendigos “de brinde” de sempre) e os crepes em trailers na Carlos Gomes (estes já eram num padrão mais “sofisticado”, opção mais “burguesia”). Numa época, no espaço da churrascaria da Oswaldo, um restaurante de comida israelense, pois um sabra veio morar aqui um tempo,  depois voltando pra Israel, muito bom. O antigo Serafim (Fedor), neste período, já havia pego fogo e saíra de “circulação”, abrindo apenas uma espécie de “sucursal” na Felipe Camarão, perto da Bento Figueiredo, onde às vezes eu também encontrava o meu pai.

Eu costumava ir muito a shows no Araújo Vianna, que então estava a pleno, sendo um dos palcos principais do pessoal do rock e da MPG. Vi um sem-número de shows de todos os tipos lá, de rock, de MPB, de música instrumental e o que mais fosse. Rolava uma enormidade de shows coletivos do pessoal da MPG e também do rock gaúcho. Era a época do fim da ditadura, e toda hora pintava um “ato-show” em solidariedade a isto ou aquilo ou de protesto, e também foi o despontar do rock gaúcho dos 80, então o velho auditório fervilhava. Foi lá, inclusive, que tive a oportunidade de começar a me apresentar, nos domingos à tarde, num projeto muito legal do diretor do auditório da época, o professor Rui, que abria espaço para os músicos iniciantes. Depois, com diversos amigos, nos reunimos para realizar o show coletivo “7 na 6ª” (eram sete artistas/grupos, e o show era na sexta-feira) lá mesmo, isto deve ter sido por 1984. Bem na esquina da José Bonifácio com a Santa Terezinha, tinha o bar Café com Leite. Eu ia bastante ali ver o Léo Henkin e o Ralfe Peruffo tocarem, e também o Edu Natureza, o Nando Gross, o Giba Giba, o Toneco, o Galileu Arruda, o Nei Lisboa, o meu professor de violão Roberto Thiesen, e muita gente boa mais. Numa ocasião, deu um baita quebra-quebra: num dos shows marcados pelo Robertinho do Recife, em sua fase metaleira, o espetáculo foi cancelado, e a metaleirada do Bom Fim, inconformada, quebrou tudo, os bancos de madeira, foi um escarcéu. Outro show mágico que fui lá foi o do Hermeto Paschoal, mas realmente foram muitos shows bons vistos.

Quanto à Esquina Maldita, naquela época já estava meio “out”, e eu só ia lá de vez em quando com o pessoal da minha faculdade que era mais engajado, pra tomar um chopp.

Adentrando o Bom Fim, um bar que às vezes eu ia era o Vermelho 23, que ainda está na ativa, e que sempre tinha boa música. Havia um bar que ficava às escuras, se não me engano era na Felipe Camarão, iluminado por velas, acho que o nome era “Feito à mão”, mas não tenho certeza. Nas proximidades da Independência ficava o restaurante Lugar Comum, sempre com música de ótima qualidade, geralmente instrumental. Posteriormente, no segundo piso da casa, foi aberta a célebre “Sala Jazz Tom Jobim”, na qual cheguei a me apresentar, já nos anos 90. Na independência, era comum vermos shows nacionais bem legais no Teatro Leopoldina, que depois virou o Teatro da Ospa. Um outro bar que, a princípio, era mais de MPB, mas que depois passou a dar espaço a shows de bandas de rock, e que eu freqüentava, foi o Theatro Mágico, que ficava na descida da Tomás Flores.

A minha “rota” mais comum, contudo, era a da Cidade Baixa, pois ali se concentrava de forma mais preponderante o pessoal próximo ao meu perfil, que era de estudante universitário e fã de MPB. Eu era frequentador do Bar Marcelina, que ficava originalmente na rua Sofia Veloso, e depois mudou-se para a José do Patrocínio. Era um bar muito legal, porque reunia, entremeada entre o público em geral, uma legião de artistas, a maioria desconhecidos como eu, propiciando conhecer muita gente legal e talentosa: o bar formalmente não tinha música ao vivo, mas sempre havia um violão e fazíamos muitas rodinhas, cada um tocando um som, mostrando as suas músicas para os amigos, era bem legal. Encontrava-se lá seguidamente artistas que considerávamos “famosos”, como o pessoal do Raiz de Pedra, Wesley Cool, Jimi Joe, e muitos outros caras que faziam sucesso na cena musical de Porto Alegre naquele período. E lá eu convivi com muitos amigos queridos e talentosos como Auriu Irigoite, Glei Soares, Henrique Wendhausen, Dedéia, Eleu, Iran Rosa, Edmar Fabrício, Cléber Fiorentin, Mário Marmontel e tanta gente mais. Outro lugar legal de ir era a Terreira da Tribo, na José do Patrocínio: eu e o Auriu chegamos a nos apresentar lá, no “Bar da Terreira”, em um show acústico. Sinceramente, embora seguidamente eu circulasse na área, nunca tive coragem de assistir uma peça no Teatro da Terreira, pois alguns amigos que o haviam feito contavam que haviam servido de alvo dos atores em cenas escatológicas, não sei se era verdade, mas na dúvida não queria arriscar. Eles faziam lá uma cerveja “natural”, que era bem comparável àqueles remédios da grife fitoterápica “cibecol” (lembram? O amargor é inesquecível). Ali próximo, indo pra direita, ficava o “Caminho de Casa” (no segundo andar, onde hoje há uma imobiliária no térreo), também um lugar legal, em que os músicos fixos eram geralmente o Xico Mestre e o Daniel Sá, e seguido eu e minha turma íamos lá “dar uma canja”. Indo para a esquerda, havia o João de Barro, que era um bar de música nativista; isto era uma coisa legal, nos anos 80 o nativismo virou uma coisa meio pop, e mesmo nós, que éramos bem “urbanos”, gostávamos de ir às vezes neste tipo de lugar, inclusive no Recanto do Tio Flor, na Getúlio Vargas… havia também um outro bar em que a gente ia, que era perto da Mariante, senão me engano chamava-se Macanudo, só lembro de ver o Sérgio Rojas, e o Neto Fagundes, tocarem lá… ali nunca nos deixavam “dar canja”, pois tínhamos visual típico de “magrinhos do Bom Fim”, e certamente o pessoal tinha medo que nós déssemos “bola fora”, saindo do “script” e do repertório usual da casa. Na calçada da José do Patrocínio, também houve, durante um tempo, o bar Delírio Lilás, que passou a abrigar diversos shows legais do pessoal de Porto Alegre, lembro de ter visto ali pela primeira vez o Quintal de Clorofila, da dupla dos irmãos Arbo, de Santa Maria, entre muitos outros shows. O Zelig, na Sarmento Leite, estava começando, mas já era uma ótima opção, o que segue ocorrendo. Seguindo em direção à Venâncio, na José do Patrocínio uma parada obrigatória era o bar Tigela de Barro (ou será panela?), onde a Adriana Calcanhotto estava dando os seus primeiros passos, já com muito sucesso. Ali eu dava “canjas” também, e fiquei amigo dela. Indo em frente, mas dobrando à direita, estava o antigo Opinião, onde muitos músicos tocavam, como Totonho Villeroy, Nando Gross, Paulo Gaiger, e eu costumava ir lá pra “dar uma canja”. Falando em “canja”, havia, no lado oposto da José do Patrocínio, bem perto da Sarmento Leite, uma famosa casa “mata-larica” que servia o prato, e também qualquer tipo de sopa, muito frequentada pela galera.  Mas voltando, mais adiante, já na própria Venâncio Aires, ficava o Pecados Mortaes, bar em que, segundo a Adriana, naquela época era o seu “sonho de consumo” tocar (e em homenagem ao qual chegou a fazer uma música). Mas, em verdade, este bar não era muito diferente dos demais: muito barulho, fumaça de cigarros, garrafas de cerveja nas bandejas dos garçons que iam pra lá e prá cá, uma certa azaração e um pobre músico tentando “fazer a sua arte”, não raramente pra “ouvidos moucos” (cabe dizer aqui, para o “público leitor nacional”, que estes bares não eram muito diferentes daqueles do Baixo Leblon, no Rio, ou da Vila Madalena, em Sampa). Aliás, ali  vivi uma história bem engraçada: como o bar estava lotado, eu estava do lado de fora; nisto encostaram duas moças bem bonitas, uma loira e outra morena, vestidas como se fossem sair pra noite, com vestidos e tudo, o que destoava em muito do figurino do ambiente, bem casual; eu, por minha vez, vergava  meu habitual traje “chinelão-estudantil”: calça jeans comprada na Voluntários da Pátria surrada, camiseta de movimento estudantil e tênis velho, cabelos despenteados e barba desgrenhada; pra meu espanto, uma das moças, muito simpática e bem-falante, puxa assunto comigo, e papo vai, papo vem, me convida a levá-las pra outro lugar; eu, lógico, aceitei, embora não estivesse acreditando muito na minha sorte grande; depois de um certo tempo de conversa no tal outro bar, eis que a moça abre o jogo: “olha só, a gente viu que tu és um cara “do bem”, estudante de Direito, limpeza, é que a gente é da delegacia de narcóticos, e tava dando uma incerta, sabe como é, nós também somos estudantes de Direito, etc.,etc… bom, pelo menos tava explicado o “prêmio de loteria”… evidente que eu não “me dei bem” com elas, e tão logo deu uma “brecha”, disse tchau sem reclamar, agradecendo aos céus por “escapar ileso e com vida”. A esmola, quando é demais, o santo desconfia.

Já quando da volta de meu roteiro “Cidade Baixa”, eu costumava passar no Pedrini ou no Bar do Beto, este então localizado na esquina com a rua do quartel, e mais perto do quartel havia o Fazendo Artes, bar em que também costumava ir ver a Adriana tocar, num período posterior. Também havia um barzinho legal com música ao vivo, bem defronte do atual Bar do Beto. Mas voltando pra Cidade Baixa propriamente dita, o entorno da esquina da Lima e Silva com a República, que hoje está sempre fervilhando de gente, também tinha opções legais, como, por exemplo, o Gota D’água, dentre outros bares. O Gota D’água (hoje onde funciona um café) era um fenômeno: não sei como conseguia entrar tanta gente num espaçozinho tão pequeno, mas certamente os copos de vinho branco de garrafão nos faziam abstrair destes detalhes, para nos concentrarmos na rodinha de violão. Não era raro que, dependendo da música, de repente todo o bar parasse com as conversas paralelas e entoasse em uníssono a música que alguém cantava. O Van Gogh já estava localizado ali, e é um dos poucos bares daquela época que continua na ativa, e ainda é praticamente a mesma coisa. Lá pelos lados da Getúlio Vargas, eu gostava de ir no Viva Maria, onde tocavam o Plauto Cruz e o João Pernambuco, e também na Cia. de Sanduíches, ouvir uma boa MPB. Mas havia ali uma série de bares cujo nome não me lembro, também neste estilo. Outro bar bacana de ir era o Purpurina, do Jerônimo Jardim, onde eu via tocar o Antônio Villeroy e o Pedrinho Figueiredo. Havia também o Vinha D’alho e o Carinhoso, bares de uma boemia mais tradicional, sempre com boa MPB. Uma vez, a muito custo, eu e uns amigos conseguimos entrar no Chipp’s, que era conhecido como “point” de cassação (a palavra, corretamente grafada, deveria ser “caçação”, pois vem de caça, mas o corretor do computador “sublinha”, e, convenhamos, fica estranho). É que havia uma “reserva de mercado” da mulherada por parte de alguns habitués, em favor dos quais o porteiro não permitia a entrada de outros “machos”… a entrada da mulherada, é claro, era “de grátis”, pois o local era de “catigoria”. Mas sinceramente não gostei muito do estilo daquela casa noturna, e nunca quis voltar lá. Hoje o Chipp’s é diferente, virou uma danceteria mais voltada para casais, mas naquela época era um barzinho com música ao vivo à base de voz e violão. Havia, ali perto, mais pro lado da Venâncio, o Rocket 88, do Mutuca, onde bandas como os Garotos da Rua iniciaram.

Surgiram também, mais ou menos nesta época, várias danceterias vinculadas ao rock. Uma que eu costumava ir muito era no Taj Mahal, lá na Farrapos, descendo a Santo Antônio. Lembro de uma vez em que fui ver o show da banda argentina Dragon, na qual o Mitch Marini assumiu o baixo. Eu tava tão duro que, após pagar o valor do ingresso, tive que tomar a água da pia do banheiro, pois não sobrou mais nada, e voltar a pé (o que era comum, não tínhamos tanto medo de ser assaltados, mesmo andando em ruas escuras e ermas na “madruga”,  estes infortúnios eram bem mais raros)… bons tempos. O brinde era o banho de piscina, mas sinceramente nunca tive coragem de pular lá dentro, mesmo porque aquela já devia ter sido usada “historicamente” para fins escusos, quando o local abrigava casas do gênero tão típico daquela região da cidade, “sabe como é, seguro morreu de velho”. Mas, fora de brincadeira, devia ser limpinha, pois o Ricardo Barão e Cia. mantinham a casa no capricho; eu é que achava meio estranha a idéia de pular em uma piscina de madrugada, mas bem que dava vontade.

O Porto de Elis (na subida da Protásio Alves, bem perto do Barranco) também marcou época, e destacava-se muito pelos shows de qualidade que promovia. No “caminho do meio” entre o Bom Fim e Petrópolis, havia o Tivoli, um bar de estilo “boemia das antigas”, mas que também contava com boa música. Já a subida da Protásio (refiro-me à parte lá pros lados da Carlos Gomes), nesta época, havia perdido em boa medida o posto de um dos principais “points” noturnos de Porto Alegre, que chegou a ter nos anos 70, sendo um local em que eu ia mais eventualmente. Mas nesta época chegou a funcionar um bar lá, o Bangalô, onde, ao que parece, o Nenhum de Nós começou a tocar.

Na época, a zona noturna das classes “mais privilegiadas” preferencial era a 24 de outubro e seu entorno. Diante do que adiantei no início, não seria preciso dizer que eu dificilmente ia lá, mas nas vezes em que fui também encontrei algumas opções boas, como por exemplo o Kilt Pub e o Kafka (no local depois funcionou o Zappa, e atualmente está o Bodega). Lá pros lados da Cristóvão Colombo, também tinha bons bares, mais próprios pra tomar um chopp, como o Walter, o Vassouras, o Sebastian e o Bar Um. 

Enfim, certamente estas mal traçadas linhas não servem como um retrato mais fiel da noite de Porto Alegre do início dos anos 80, e tampouco eu poderia dizer que os endereços que lembrei correspondiam ao “melhor da noite gaúcha”. Longe disto, pois muitos destes lugares não eram necessariamente tão descolados e muito menos eram sofisticados. Estas escolhas, como disse, evidentemente passaram pelo meu gosto pessoal e até pelas condições monetárias para “fichar” (que na época eram praticamente nenhumas)… mas certamente estes lugares evocam lembranças de uma época legal de minha vida, e, afinal de contas, acho que é isto que interessa, recordar de endereços em que a gente se sentiu bem.

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Fotos do Cio da Terra

Deu pra ti anos 70  escrito em sexta 02 julho 2010 09:39

Histórico show de Nei Lisboa, Augusto Licks (Engenheiros do Hawaii), Luisinho Santos, Luiz Ewerling, dentre outros. Depois saiu o filme.

Cartaz do Cio da Terra (1982)  escrito em sexta 02 julho 2010 09:46

Tem um blog no blogspot dedicado ao evento, do qual copiamos as imagens.
Painel da exposição “Cio da Terra 25 Anos”.

ednardo

ednardo
O grande show! O grito “Acorda Povo!” , para chamar o público, lá pelas 5h, foi inesquecível. Foto de Vera Damian – Acervo pessoal.


Foto: Vera Damian – Acervo Pessoal.

debates

SÁBADO – DIA 30
-TV: Edélcio Martins, Quizumba e Pra Começo de Conversa.
-Literatura: Caio Fernando Abreu, Luiz de Miranda e Appel.
-Mulher: Liberta, Ana Terra e Germinal.
-Teatro: Itala Nandi.
-Negro: Clóvis Moura
-Ecologia: Grupo Ecológico Em Nome do Amor a Natureza.DOMINGO – DIA 31
-Música: Fernando Brandt, Juarez Fonseca e Vitor Ramil.
-Sexualidade: Adauri Bastos, Herbert daniel e Amanda.
-Momento Político Atual: Candidatos ao Senado.
-Índio: Edilson Martins
-Cinema: Itala Nandi, Giba Assis Brasil e Renato Tapajós.
-Drogas: Zezinho Oliveira e Eduardo Bueno.
-Sindicalismo: Paim e Rosseto.

público nos debates

público nos debates
A grande presença de público nos debates mostra uma juventude altamente politizada e intelectualizada. Ao contrário do que muitos pensavam. Imagem retirada da exposição “Cio da Terra” do Museu Municipal de Caxias do Sul.

teatro

SÁBADO – DIA 30
-Grupo Vende-se Sonhos.
DOMINGO – DIA 31
-Grupo Balaio de Gatos – Peça “Abutres da arrebentação”.
-Peça Esperando Godot.


Grupo Balaio de Gatos em “Abutres da Arrebentação”. Foto de Vera Damian – Acervo pessoal.

Personagem

Personagem
Nelson Coelho de Castro estava no auge de sua carreira no Cio da Terra. A moçada sabia de cor as letras de “Armadilha”, “Vim Vadiá”, “Faz a Cabeça” e tantas outras. No show dos 25 anos, a galera mostrou que ainda sabe as letras de cor. Nelson se emocionou. Foto de Mário André Coelho, acervo pessoal do Zarabatana Café.

o pelado

o pelado
O pelado foi uma atração a parte. O sujeito andou peladão durante o evento, para espanto de alguns e diversão de outros. No sábado ele apareceu com o “bilau” pintado de azul e completou seu show subindo nas estruturas metálicas dos pavilhões. Ilustração de Zambi para a exposição “25 Anos do Cio da Terra”.

Palco

Palco
Montado em estruturas metálicas. Destaque para a belíssima pintura feita ao vivo na noite de sexta. Alguém sabe o paradeiro desta pintura? Foto: Acervo pessoal de Clóvis Stimamiglio.

TARANCÓN

TARANCÓN
Acervo pessoal de Vilson Freitas

Shows Locais

Shows Locais
Várias bandas Caxienses tocaram no evento como: Grapiúna (foto), Pauta Metal, Vertente, Psicose e Caco Nora. Foto: Acervo pessoal de Paulo Brás.

AFRO SUL

AFRO SUL
KK, Álvaro, Júlio, Romeu, Aninha, Figo, Kako, Marmou, Zé Mu, Trovão, Itoca e Ceres. Foto: acervo pessoal de Zé Luiz Marmou.

Poesia

Poesia
Havia poesia em toda parte. Em livros, em fanzines, em panfletos, recitadas nas rodas e nos palcos das oficinas. Sem esquecer o poeta caxiense Zé do Rio, que invadiu o palco principal para mostrar sua poesia. Acervo de Marcondes Tavare.

personagem

personagem
O poeta Zé do Rio recitou “A Morte da Macaca Catarina” no Cio e repetiu a dose na festa de 25 anos – Foto de Mário André Coelho. Acervo Pessoal do Zarabatana Café.

paz e amor

paz e amor


O visual da época era “hippie”. Muita roupa colorida, fitas, sandálias e bolsas de couro. Fotos de Vera Damian – Acervo Pessoal.

amor e paz

amor e paz
Válter e Mirna mudaram um pouco, mas continuam juntos, em Curitiba. Foto: Acervo pessoal de Válter Fagundes.

comida

comida
Não faltou rango para a galera! Tinha restaurante natural, barraca de sanduíche e cachorro quente. Sem contar que a moçada acabou com os estoques dos mercados próximos aos pavilhões. Rolou até churrasco. Foto de Vera Damian – Acervo pessoal.


A barraca de “sanduba” natural. Mais “natural” impossível. Acervo pessoal de Mário Luis dos Santos (o de boina)

A BARRACA

A BARRACA
Um dos sonhos da juventude, naqueles tempos, era o da “barraca própria”. Ter uma barraca significava autonomia nos acampamentos e, principalmente, garantia de uma vida sexual ativa. Vilson Freitas, o dono deste simbolo do evento, disse que a barraca ainda existe. Foto: Vera Damian – Arquivo Pessoal


Ilustração de Zambi para a exposição “25 Anos do Cio da Terra”.

Cartão Postal

Cartão Postal
Ponto turístico de Caxias do Sul em versão underground. Foto de Vera Damian – Acervo Pessoal.


Acervo pessoal de Vilson Freitas


Acervo pessoal de Vilson Freitas

capoeira

capoeira
A roda de capoeira foi atração no domingo, junto ao palco principal. Foto de Mário Luis dos Santos – Acervo Pessoal.


A galera prestigiando a roda de capoeira. Foto: Mário Luis dos Santos – Acervo pessoal.


Jornal Pioneiro – 09.10.07 – Reprodução

O GAITEIRO

O GAITEIRO
O gaiteiro anônimo tocava o tempo todo, sempre havia um grupo dançando em sua volta. Acervo pessoal de Vilson Freitas.

Vino Mio

Vino Mio
Quem bebeu não esqueceu! Foi muito consumido na sexta e teve Jorge Mautner como garoto-propaganda. Como o “day after” foi terrível, a galera optou pelos garrafões das cantinas próximas ao parque. Foto de Mário Luis dos Santos.

Imprensa

Imprensa
O 1º Encontro da Juventude Gaúcha, Cio da Terra, realizado em Caxias do Sul, neste último fim de semana alcançou seus objetivos, segundo Paulo gabriel e Éber Marzulo, da comissão organizadora. Contando com a participação de cerca de 15 mil jovens de todo o país, o evento primou pela harminia, paz e liberdade. Durante os três dias o clima do festival em nenhum momento baixou o nível, como muitos supunham que aconteceria. Com convidados de todo o Brasil, foram realizados debates sobre os mais variados temas, alguns inéditos como: sexualidade, drogas, cinema, teatro, problemas da mulher, negro e indio, e mais TV , sindicalismo, momento político atual. Os pontos abordados nos debates serão brevemente lançados em livro, com o nome Cio da Terra revista, que segundo beto Rodrigues, ex-secretário-geral da UEE (União Estadual de Estudantes) servirão de subsidio para o debate cultural que se insere em nossa luta pela transformação da sociedade. Maristel Pereira, uma da principais organizadoras dessa promoção, afirmou que “nós gostariamos de aprofundar muito essas questões que foram debatidas, mas sabíamos de antemão que seria quase impossível reunir um número tão grande de pessoas somente para discutir e possivelmente sairmos aqui de caxias com propostas concretas para pormos em prática em nosso movimento. Por isso fomos obrigados a organizar um grande show musical, que foi dividido em três partes, para podermos atrair um número de pessoas maior. As grandes estrelas musicais do Cio da Terra foram sem dúvida alguma: Jorge Mautner, Geraldo Azevedo, Ednardo, Sivuca e uma grata surpresa, principalmente para o público gaúcho, o grupo paulista Tarancón. Os shows que sempre iniciaram no fim da noite foram até o amanhecer do outro dia, com exceção da sexta feira, quando uma forte chuva impediu a apresentação da Bebeto Alves e a finalização do shoe de Nei Lisboa. Além do dabate cultural e shows musicais, o 1º Encontro da Juventude gaúcha reuniu um sem-número de escritores independentes que mostraram seu trabalho numa pequena feira e mais uma grande exposição de artes plásticas de artistas independentes brasileiros, argentinos e peruanos.Tarson Nuñes, um dos organizadores do Cio da Terra, disse que “valeu toda a mão de obra que tivemos, dias sem dormir, pois conseguimos algo inédito no Brasil; reunir 15 mil pessoas sem que houvesse incidentes. Tudo correu com o mais alto astral possível, num clima de muita paz, liberdade e unicidade de objetivos. A proposta política que anteviamos para o encontro se concretizou totalmente, sentimos a força da juventude na sua participação. Os jovens mostraram quen estão aqui é para firmar seu movimento, abrir espaços que precisamos dentro da sociedade. Sabemos que não vai ser nada fácil, mas a luta já começou”. Matéria do Jornal Pioneiro de Caxias do Sul, na época. Acervo pessoal de Eva e Marcondes Tavares.

Artesanato

Artesanato
A galera aproveitou para vender suas criações em artesanato.Acervo pessoal de Vilson Freitas.

Clip Pavão Misteryozo – Cio da Terra 1982

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quinta-feira, 3 de julho de 2008

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