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NOVO CD DO FUGHETTI LUZ

OLHA que legal, galera. O mago Fughetti Luz está preparando o seu terceiro CD, Tempo Feiticeiro. Fughetti traduz a própria história do rock gaúcho, na front line de dois grupos fundamentais, o sessentista tropicalista Liverpool, e o setentista Bixo da Seda. E também municiou com suas maravilhosas composições grandes bandas como o Taranatiriça, a Bandaliera, a Guerrilheiro Antinuclear, dentre outras. Pra que o CD aconteça, foi lançada a campanha de crowfunding pelo Catarse. O toque foi da galera bacana da banda Jasmins do Paraíso. Colaborem. Olhem o link abaixo que dá todo o serviço. Supimpa.

https://www.catarse.me/fughettiluz?ref=facebook&utm_source=facebook.com&utm_medium=social&utm_campaign=project_share#_=_

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A Cidade Baixa e a Turma do Marcelina

Esse texto corresponde à minha coluna que foi publicada originalmente no Jornal Usina do Porto:

 

A Cidade Baixa sempre foi um bairro boêmio. A sua denominação deve-se ao fato de que o Centro de Porto Alegre, no início de sua formação da cidade, correspondia à Cidade Alta. No Centro morava boa parte da elite econômica e política da capital gaúcha até boa parte da primeira metade do século XX. Na Cidade Baixa moravam, em geral, as camadas mais humildes da população, inclusive os escravos e seus descendentes. Da forte presença negra, pode-se rastrear a origem da boemia neste bairro que hoje é sinônimo de bar, de noite, de festa, ou como diz a gurizada, de balada.
No início dos anos 80, a Cidade Baixa disputava com o Bom Fim a preferência do público universitário e estudantil mais alternativo como “point” de diversão e cultura. Eu gostava de frequentar os dois bairros. Mas tinha um carinho especial pela Cidade Baixa, embora morasse no Bom Fim, e gostasse também das opções culturais e das atrações noturnas deste bairro. A Cidade Baixa, que tinha uma boemia bem mais calma do que hoje (daria pra dizer que houve uma verdadeira inversão, em termos de agitação e frequência, a Cidade Baixa é o Bom Fim de ontem), e contava com uma série de bares em que a trilha sonora geralmente era a MPB, às vezes interpretada por alguém tocando um violão sentado numa das mesas do próprio bar, ou com um músico da casa. Eu gostava de rodar por vários bares do bairro: O Doce Vida, o Van Gogh (que ainda está lá), o Gota D’água (de propriedade do Marinho, do bar atual homônimo), o Opinião (na mesma Joaquim Nabuco, mas num garajão que ficava no meio da quadra, perto da João Alfredo), o Panela de Barro (onde tocava a Adriana Calcanhotto), o Pecados Mortaes (homenageado pela Adriana em uma música), o bar da Terreira da Tribo, o Pulperia, o João de Barro, o Carinhoso, o Delírio Lilás, o Adriano, o Fofa, o Caminho de Casa e mais uma série de estabelecimentos que havia no perímetro da República, da Lima e Silva, da José do Patrocínio e adjacências… Mas o meu bar preferido era o Marcelina, que ficava na rua Sofia Veloso (depois mudou-se para a José do Patrocínio), de propriedade do Rosa.

     O Marcelina era um bar muito particular, no qual se encontrava um grande número de músicos, e em que se podia trocar muita figurinha. Não chegava a ser um Clube da Esquina, é bem verdade, mas pra mim é como se fosse. Lá conheci e convivi com queridos amigos, talentosos músicos e compositores, tais como Auriu Irigoite, Glei Soares, Henrique Wendhausen, Iran Rosa, André (que namorava a Bia do Zelig), Dedéia (de quem musiquei uma letra), Edmar Fabrício, Cleber Fiorentin, Mário Marmontel (os três formavam o maravilhoso trio Nó de Taquara), Eleu, Taís (irmã do Bertrand, da Colarinhos Caóticos), Roberto Birindelli (antes de começar sua carreira de ator) e tantos outros “malucos” fabulosos.      Ali um mostrava para o outro as suas músicas, dava e recebia opiniões sobre as suas, fechava parcerias, armava rodinhas de violão, shows, etc. Enfim, era um espaço de interação entre músicos. Esta é a minha Turma, mas o bar naturalmente era frequentado por diversas figuras que já eram considerados estrelas da nossa música, à época, caso do Zé Caradípia, Wesley Coll, Sá Brito, o pessoal do Raiz de Pedra e muitos mais.
Hoje a Cidade Baixa é super agitada, recebe um enorme afluxo de gente buscando diversão em seus bares, que são em número muito maior. Mas, realmente, pra quem teve oportunidade de transitar por suas ruas e vielas, bares e botecos de cerca de trinta anos atrás pelas noites e madrugadas, bate uma grande saudade de uma época em que, ao entrar em um bar, logo já se reconhecia alguém com quem dava pra bater um bom papo, beber uma cerveja, tomar um vinho, rolar um som. Era um cenário bem mais calmo e diferente do atual, mas já muito pulsante, com um forte viés cultural. Bons tempos que certamente não voltam mais. Mas, sem dúvida, ainda hoje continua sendo especial circular por este bairro mágico, com sua noite vibrante, vagar por seus bares lotados e animados. Só é preciso um pouquinho de tolerância com os engarrafamentos, a tranqueira, e o excesso de povo. Mas quem já foi da Cidade Baixa, vai ser sempre Cidade Baixa, é que nem escola de samba. Vida eterna à Cidade Baixa!

 

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