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Faleceu o Gordo Miranda

O Gordo Miranda faleceu de mal súbito, aos 56 anos. Tive oportunidade de falar com ele em uma ocasião num encontro nacional de músicos em Canela. Era uma figuraça. Assisti algumas vezes as apresentações de bandas que ele montou aqui em Porto Alegre, tais como o Taranatiriça (antes do Alemão Ronaldo assumir os vocais), o Urubu Rei (do hit “Nega vamo pra Boston”) e o Atahualpa e os Panquis. Vai fazer muita falta.

http://www.correiodopovo.com.br/ArteAgenda/Variedades/Gente/2018/03/645607/Produtor-musical-Miranda-morre-apos-sofrer-mau-subito-em-Sao-Paulo-

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Sobre a polêmica no Prêmio Açorianos 2017-2018

Atrevo-me a meter minha colher na polêmica que envolveu a premiação no Açorianos 2017-2018, respeitosamente em relação a todos os envolvidos, especialmente com os póstumos, dos quais, aliás, sou admirador. Pra quem não está por dentro, a polêmica gira mais ou menos em torno do seguinte: foi aceita a indicação de Bruno Kiefer, na categoria “melhor compositor erudito”, e de Luis Sérgio Metz (Jacaré), na categoria de “melhor compositor regional”. Ambos, especialmente talentosos em suas respectivas searas, são falecidos. Respeitando opiniões diversas, penso que não faz sentido premiar compositores, cantores, etc. que não estão vivos, ou pelo menos que faleceram antes do período de um ano contado para trás da data entrega do prêmio.

O objetivo maior do Prêmio Açorianos, penso eu, é estimular a cena atual da música gaúcha e de Porto Alegre. Portanto, creio que devem concorrer os artistas que estão ainda percorrendo as suas trajetórias, ou seja, estão vivos, lançando os seus trabalhos, fazendo os seus shows, os seus projetos, etc.

Isso, evidentemente, não impede que, por exemplo, alguém grave músicas de um compositor falecido, e concorra na categoria de intérprete, por exemplo. Foi o que ocorreu no caso do Leonardo Winter, que gravou a obra do Bruno Kiefer e de outros compositores gaúchos no CD que foi vencedor na categoria “melhor disco do ano erudito”.

Agora, vocês já imaginaram se, em prosperando o entendimento de que compositores, instrumentistas, cantores, etc. já falecidos possam concorrer, o que pode acontecer?

Todo ano, praticamente, há um relançamento ou coletânea da Elis Regina. Poderá ela concorrer no ano que vem, caso seja inscrita por algum fã? Isso, evidentemente, causaria, no mínimo, um constrangimento para todos os envolvidos, uma vez que, por exemplo, se uma cantora da nova geração for premiada em detrimento da Elis, vão dizer que foi marmelada do Júri. Por outro lado, se a Elis for premiada, também vão aparecer aqueles para dizer que foi marmelada, patriotada, bairrismo, ou qualquer outra coisa mais ou menos parecida, dependendo do gosto do freguês. E se o Lupicínio Rodrigues for inscrito como melhor compositor? E se o Radamés Gnatalli for inscrito como melhor instrumentista erudito? E assim por diante. Viram o pepino? Também acho complicada a inscrição de discos que foram relançados, caso dos discos do Tambo do Bando (que, obrigatórios que são, me têm como um dos felizes e raros proprietários do CD que foi lançado pela RGE, acho que no início dos anos 2000, contendo os dois LPs, que, aliás, também tenho, lançados pelo grupo).

De outro lado, e sem embargo, nada impede também que se faça homenagem na cerimônia a um compositor falecido, como é o caso do genial Bruno Kiefer, do inspirado Jacaré e tantos outros, ou mesmo que se entregue um prêmio em homenagem ao conjunto da obra, da mesma forma que há homenagem a um compositor vivo na cerimônia. E tenho dito rss, sem desmerecer, evidentemente, qualquer opinião contrária ou diversa. E “Viva a música feita no RS” (aliás, nome da comunidade do facebook que administro, na qual são postadas matérias sobre todos os vivos e mortos, ou melhor, eternizados).

 

 

 

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