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Lançamento do livro “WOODSTOCK EM PORTO ALEGRE” – ZERO HORA

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A Já Editores está colocando em circulação Woodstock em Porto Alegre, livro no qual o escritor e compositor Rogério Ratner recupera a importância do radialista Júlio Fürst para a criação de uma cena roqueira na Porto Alegre dos anos 1970. Fürst, hoje locutor da Itapema FM, encarnava na época, na rádio Continental AM, o personagem Mr. Lee, que deu espaço ao nascente movimento da música independente local em Porto Alegre, com grupos como Almôndegas, Utopia, Byzarro e Afrosul, além de compositores como Nelson Coelho de Castro e Hermes Aquino. O sucesso do programa deu origem a festivais ao vivo que marcaram o panorama musical da Capital. O livro custa R$ 15 e está sendo vendido no site da editora, no link: zhora.co/livrowoodstock.

http://zh.clicrbs.com.br/rs/entretenimento/livros/noticia/2016/06/mundo-livro-a-editora-figura-e-mais-novidades-da-literatura-5930103.html#showNoticia=eks9RTpFNjM3Njg5NDQ2MzM1NDUxMjU0Nzg0Uix8NTE1ODkwOTg3ODgwNDYyNzYzNi9IKzU1NDE2NzA3NjcxMTQwNTk3NzZ4MTpCVTpScXAlT2dTYy15ZS4=

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Lançamento do livro “Woodstock em Porto Alegre”, de Rogério Ratner

 

 

Está sendo lançado pela “Já Editores” o livro “Woodstock em Porto Alegre”, de Rogério Ratner. A obra, no formato de “e-book”, resgata a história do programa que o radialista Júlio Fürst (que hoje apresenta o programa “Fim de Tarde” na Itapema FM) produzia na Rádio Continental AM, nos anos 70, e no qual ele encarnava o personagem “Mr. Lee” (o programa era patrocinado pelas calças LEE, em face de uma joint venture estabelecida com as fábricas Renner). Nesse programa o radialista passou a veicular o trabalho de músicos independentes de Porto Alegre, que se apresentavam no MUSIPUC, principal festival estudantil que havia na capital gaúcha, e outros artistas iniciantes e então desconhecidos do público, em gravações que eram feitas artesanalmente nos próprios estúdios da emissora.

Na sequência da grande audiência do programa, Júlio promoveu shows coletivos que foram um tremendo sucesso, e praticamente “inventou” a cena musical urbana moderna da capital gaúcha nos anos de 1975 e 1976. No programa apresentado por Júlio surgiram os Almôndegas (grupo de Kleiton e Kledir), o grupo Utopia (de Bebeto Alves), as bandas Byzarro, Bobo da Corte, Flor de Cactus, Gilberto Travi e o Cálculo IV, Em palpos de Aranha (de Cláudio Levitan e Giba Giba), Afrosul (de Paulo Romeu), Emergência, Mercado Livre (de Calique, Garay e Pedro Guisso), Inconsciente Coletivo (de João Antônio Araújo e Xandy Vieira), Hallai Hallai, Mantra (liderado por Zé Flávio), além de compositores como Nelson Coelho de Castro, Hermes Aquino, Fernando Ribeiro, Gil Gérson, João Schu, Élbia Solange e  um sem número de outros artistas que fizeram sucesso local e, em alguns casos, nacional. O livro também traça um painel geral do cenário da música popular urbana gaúcha na década de 70, enfocando iniciativas paralelas tais como as Rodas de Som organizadas por Carlinhos Hartlieb e o Musipuc. Há também trechos dedicados aos Discocuecas, grupo inovador no formato música/humor, integrado pelo próprio Júlio Fürst, por Beto Roncaferro, por João Antônio e Gilberto Travi. Foram mais de dez anos de pesquisa, envolvendo entrevistas feitas com músicos, jornalistas e radialistas de nomeada da cena porto-alegrense.

Aqui vai o link com um texto que resume a saga do “Mr. Lee”:

http://bandasdorockgauchoforever.musicblog.com.br/41309/Woodstock-em-Porto-Alegre/

Para adquirir o livro, que custa R$ 15,00, basta acessar o link abaixo, no site da Editora Já.

https://www.jornalja.com.br/loja/inicio/35-woodstock-em-porto-alegre.html

Abaixo  links mostrando o movimento do Mr. Lee, focados especialmente no show realizado no Auditório Araújo Vianna, em 1975, ao qual faz alusão a ilustração da capa, feita pelo artista plástico e cineasta Jonas Rabello Kirschbaum.

Rogério Ratner é escritor, cantor, compositor e radialista. Tem 03 CDs autorais lançados, e parcerias com Martha Medeiros, Letícia Wierzchowski, Paula Taitelbaum, Ricardo Silvestrin, Ronald Augusto, Cíntia Moscovich, Fabrício Carpinejar, Celso Guttfreind, Emílio Pacheco e Arnaldo Sisson. Suas músicas foram interpretadas por nomes como Ana Krüger, Karine da Cunha, Rafael Brasil, Dudu Sperb, Monica Tomasi, Lúcia Severo e Adriana Marques.

Rogério edita os blogs http://bandasdorockgauchoforever.musicblog.com.br e https://bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/,

dedicados à música gaúcha de todos os tempos e em todas as suas vertentes. Produziu e apresentou programa Paralelo 30 na Rádio Buzina do Gasômetro, dedicada exclusivamente à música gaúcha em todas as suas tendências. Foi colunista de música do Jornal Usina do Porto. Já publicou diversos artigos enfocando a música feita no RS em todas as épocas e estilos para inúmeros sites e blogs, tais como Território da Música (Terra), Overmundo, Artistas Gaúchos, Tambor (da Procempa, Prefeitura Municipal de Porto Alegre), Rock press, Dissonância, Whiplash, dentre vários outros.

Site oficial

http://www.rogerioratner.com

 

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BANDAS DO ROCK GAÚCHO FOREVER

Este blog é editado pelo
cantor/compositor/escritor
gaúcho

ROGÉRIO RATNER

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Site oficial:

http://www.rogerioratner.com

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*** veja o verbete “Rogério Ratner” no Dicionário Virtual da Música Brasileira Cravo Albin

http://dicionariompb.com.br/rogerio-ratner


### Ouça músicas de Rogério no youtube, myspace, last fm, spotify, deezer, itunes, etc.

 https://www.youtube.com/watch?v=Hd6ktmuxN6w

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@@@ Veja clipes no Youtube buscando “Rogério Ratner”

 https://www.youtube.com/watch?v=Hd6ktmuxN6w

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* ÍNDICE DOS ARTIGOS (só alguns destaques)

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Mr. Lee:

https://bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/2016/03/05/woodstock-em-porto-alegre/

https://bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/2016/06/08/lancamento-do-livro-woodstock-em-porto-alegre-de-rogerio-ratner/

https://bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/2016/03/13/fotos-do-vivendo-a-vida-de-lee-mr-lee/

https://bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/2016/03/13/512/

https://bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/2016/03/13/fotos-do-vivendo-a-vida-de-lee-mr-lee-in-concert/

 

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Tropicalismo gaúcho:

https://bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/2016/03/05/tropicalismo-gaucho-parte-1/

https://bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/2016/03/05/o-tropicalismo-gaucho-parte-2/

 

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Listão das Bandas Gaúchas:

https://bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/2016/02/25/listao-das-bandas-artistas-grupos-e-musicos-gauchos-de-todos-os-tempos/

 

https://bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/2016/02/25/listao-das-bandas-artistas-grupos-e-musicos-gauchos-de-todos-os-tempos-parte-ii/

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– Grandes guitarristas gaúchos:

 

https://bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/2016/03/05/grandes-guitarristas-gauchos-i/

https://bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/2016/03/05/grandes-guitarristas-gauchos-parte-2/

https://bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/2016/03/05/grandes-guitarristas-gauchos-parte-3/

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– Mineiros e gaúchos

https://bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/2016/03/05/mineiros-e-gauchos/

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– Grandes cantoras gaúchas

https://bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/2016/03/05/grandes-cantoras-gauchas/

 

 

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– Shows em Porto Alegre nos anos 80:

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– A Jovem guarda gaúcha:

https://bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/2016/03/05/jovem-guarda-e-beatlemania-no-rio-grande-do-sul/

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– Rock brasileiro: anos 70×80?!?:

https://bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/2016/03/05/rock-brasileiro-dos-anos-80-x-70/

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– Elis Regina:

https://bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/2016/03/05/elis-regina-essas-mulheres/

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– Adriana Calcanhotto, antes da fama:

 https://bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/2016/03/06/adriana-calcanhotto-antes-da-fama/


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– Lojas de Lps em Porto Alegre:

 https://bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/2016/03/05/lojas-de-lp-em-porto-alegre/

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– O clube do guitarrista gaúcho:

 https://bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/2016/03/05/o-clube-do-guitarrista-gaucho/

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– Rock gaúcho (anos 70/80/90-2000- Esse tal de rock gaúcho):

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– A música regionalista gaúcha:

 https://bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/2016/03/05/a-musica-regionalista-gaucha/

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– A MPB gaúcha:

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– O clube de jazz de Porto Alegre:

https://bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/2016/03/05/o-clube-de-jazz-de-porto-alegre/

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– A contribuição judaica à música gaúcha:

https://bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/2016/03/06/a-contribuicao-judaica-a-musica-gaucha-parte-1/

 

 

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– O samba gaúcho:

 https://bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/2016/03/05/o-samba-gaucho/

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– A música erudita gaúcha:

https://bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/2016/03/06/a-musica-erudita-gaucha/

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– A música instrumental gaúcha:

https://bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/2016/03/10/cio-da-terra/

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– Uma banda pela noite de Porto Alegre

https://bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/2016/07/13/uma-banda-pela-noite-de-porto-alegre-3/

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– Lupicínio Rodrigues e os bares

https://bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/2016/03/13/lupicinio-e-os-bares/

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– Bares / Botecos / Restaurantes / Boates / Casas noturnas de PORTO ALEGRE

https://wordpress.com/post/bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/1648

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– Bom Fim Parisiense

https://wordpress.com/post/bandasdorockgauchoforever.wordpress.com/1653

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Hermes Aquino E Mr. Lee

VIVENDO A VIDA DE LEE –WOODSTOCK EM PORTO ALEGRE
por Rogério Ratner

“É Lee, é calça Lee, é Lee, é calça Lee…” (baixa o som do jingle, entra a voz com eco, com muita energia e rapidez na dicção): ”na superquente Continental, o novo movimento, o som daqui, já gravado no estúdio 2 da superquente, especial para Mr. Lee em concerto, isso é viver a vida de Lee, é você estar ligado na Continental, ao natural, curtindo o que os nossos têm pra nos dizer, gente daqui, o novo movimento, a força do som local (…)”; “superquente Continental, fique parado aí xará, é gente nossa, som feito aqui no Porto, aqui na superquente com Mr. Lee, os melhores da música do sul do país, o som que levou mais de cinco mil pessoas para o Araújo Viana, pra curtir o Concerto número II, você está sintonizando, curtindo a superquente (…)”; “Lee, a proposição de uma força nova, uma coisa daqui, com a força total da superquente Continental (…)”. (“Living the life of Lee, living the life of Lee…”, baixa o jingle, entra a voz): “Vivendo a vida de Lee, o importante é você olhar pra uma Lee e saber que é Lee, Mr. Lee em concerto, pra você ficar por dentro do que está acontecendo de bom, um trabalho de estrutura, pra você curtir o som local, valorizar a nossa música, saca o som, o ritmo autêntico, o recado natural, com a liberdade de Lee, saca a força desta guitarra (…)”; “isso é viver a vida de Lee, é você estar ligado na Continental, ao natural, gente daqui, do novo movimento, a força do som local, um lançamento de Mr. Lee para todo o sul do país, Mr. Lee em concerto, dando força para os novos talentos, saca o som, o recado (…); “pra qualquer hora, qualquer lugar, em qualquer tempo, Lee jeans, veio de muito, muito longe, andou muita estrada pra ficar junto de você, jeans, a roupa que dá consistência ao corpo e “guenta” o tirão, pra você curtir a total liberdade num mundo todo azul, prestigie e valorize os nossos músicos, “vamo” curtir o recado, com Mr. Lee em Concerto, dando força para os novos talentos, a onda 1120 superquente Continental, com 20 Kilowatts transistorizados…”

Blog de bandasdorockgauchoforever :bandas do rock gaúcho forever, Woodstock em Porto Alegre

Quem viveu na década de 70 em Porto Alegre e era jovem – ou criança, como eu, que tinha por volta de dez anos, à época – certamente nunca mais se esqueceu da voz e da animação incontrolável do Mr. Lee, captada em nossos incipientes radinhos de pilha, ou então nos velhos rádios e eletrolas dos “coroas”. Mr. Lee – personagem hoje mítico no imaginário das novas gerações do “som local” e na lembrança de seus contemporâneos setentistas, que a princípio deveria corresponder a um cowboy americano, mas que aos poucos foi se transmutando em um legítimo “magro do Bomfa” (O Bomfim é o bairro onde aconteceram alguns dos principais agitos artísticos e musicais dos anos 60 em diante em Porto Alegre, e está intimamente ligado, enquanto cenário, ao rock e à música popular feitos na capital gaúcha), encarnado de corpo e alma pelo genial radialista Júlio Fürst, na igualmente espetacular e revolucionária Rádio Continental AM, emissora pertencente ao Sistema Globo de Rádio.
A Rádio Continental AM, que já existia desde os anos 60, mas que era uma emissora com programação semelhante a das rádios AM do interior, sem uma direção clara em sua programação, foi adquirida pelo Sistema Globo de Rádio no final dos anos 60. No início dos 70, Fernando Westphalen e Marco Aurélio Wesendonck assumem o comando da emissora, e recebem carta branca para repaginá-la. Assim, surgiu no dial portoalegrense uma proposta nova, sendo a Continental um dos primeiros veículos a apostar na segmentação da audiência jovem, uma vez que as demais rádios AM, de um modo geral, atuavam no esquema que ainda é atualmente utilizado naquela faixa de emissão, de notícias, entretenimento, esportes, política, etc., para o público em geral, não separado por faixas etárias. A Continental então traçou o “mapa da mina” cujos rastros foram seguidos a partir do início da década de oitenta por diversas rádios FMs na capital dos gaúchos e em seu entorno – quando a música jovem trocou de faixa no dial do AM para o FM -, formato que se alastrou por todos os “rincões do pampa” e que, guardadas as proporções, vigora até hoje. Além de Júlio, a rádio contou com diversos disk-jóqueis inovadores, tais como o Cascalho (a quem se pode atribuir a paternidade da expressão “magrinho”, tão em voga na Porto Alegre da época, e que identificava a “galera” jovem), Clóvis Dias Costa, Beto Roncaferro (que era o programador musical da rádio), entre outros. Veiculava também um programa dos então professores do cursinho pré-vestibular IPV, José Fogaça (atual Prefeito de Porto Alegre) e Clóvis Duarte (Programa Câmera Dois, na TV Guaíba). Inovava na locução, na linguagem, na informalidade de seus locutores e apresentadores, no marketing, na propaganda- que era feita especialmente para ser rodada em suas ondas -, contava com o comentário diário do escritor Luis Fernando Veríssimo, entre muitas outras novidades, sendo a primeira emissora “cientificamente” criada no Sul especialmente para o público jovem e universitário. Isso numa época em que tudo no país era muito “quadrado”, o Brasil estava em plena ditadura militar, momento da vida nacional em que o “É proibido proibir” do maio de 1968 descambou no pesadelo do “Nada é permitido, inclusive pisar na grama”. E a Continental não raras vezes bateu de frente com a ditadura e sua famigerada censura, tendo inclusive sido retirada do ar em determinados ocasiões, além de ter que conviver diariamente com o “bafo” dos censores.
Analisando-se o fenômeno em que se constituiu esta rádio – e sem embargo quanto a todos os seus inegáveis méritos e o papel de vanguarda em diversos aspectos, como já assinalado -, observa-se que o trabalho de Júlio Fürst na Continental indiscutivelmente se revestiu de um caráter único, não apenas pelo estilo próprio de apresentar o seu programa, mas também pela proposta que destemidamente bancou junto aos diretores da emissora, que trouxe conseqüências espetaculares para o desenvolvimento e a divulgação do rock gaúcho e da MPB feita no sul.
A história começa mais ou menos assim: Júlio, que é baterista, atuava em um conjunto melódico (tocavam em bailes e festinhas) nos anos 60, e no início dos 70 teve uma loja de discos na Avenida Independência, então um dos points da juventude portoalegrense. Um amigo seu -que veio a ser proprietário de inúmeras casas noturnas famosas na capital gaúcha-, indicou-o para trabalhar na Rádio Pampa AM, que tentava fazer frente à monopolização que a Continental estava obtendo frente ao público jovem das classes A e B (e parte da C). O trabalho de Júlio chamou a atenção da Continental, e após um tempo ele e o seu “fiel escudeiro” Beto Roncaferro se foram de “mala e cuia” para a concorrente. Inicialmente, Júlio apresentava um programa de soul/funk americano, encarnando “Julius Brown”, um negão “típico” do Bronx que transmitia em português, embora o locutor seja um indisfarçável descendente de alemães. Chegou a discotecar festas no Clube Floresta Aurora (entidade quase que exclusivamente freqüentada pela comunidade negra da capital, que fazia festas semelhantes aos bailes realizados no Rio nos anos 70, em que vicejavam Banda Black Rio, Cassiano, Tim Maia, etc.), caracterizado como “negão black” clássico, ladeado por duas dançarinas com cabeleiras black power, na maior cara-de-pau. Então, ocorreu que, à época (início de 1975), a fábrica de roupas gaúcha Renner (da qual se originaram as Lojas Renner, hoje uma cadeia nacional) decidiu estabelecer uma espécie de franchising com a Lee americana, para produzir no Brasil as calças jeans como “originais”, tendo em vista que até então as calças da marca que circulavam por aqui eram todas importadas. Nos EUA, a Lee já tinha um programa transmitido coast to coast de música country, inclusive promovendo shows ao vivo. A Renner, que queria justamente penetrar na faixa de mercado do público jovem, propôs à Radio Continental que a emissora produzisse e transmitisse um programa nos moldes do americano. Então, “Julius Brown” foi aposentado e Júlio Fürst passou a encarnar o “Mr. Lee”. Desta forma, a partir de abril de 1975, Júlio apresentava (narrando em português, obviamente) o programa do Mister Lee, encarnando uma espécie de cowboy brasileiro e veiculando country americano. Em julho daquele ano, Júlio foi convidado para ser jurado do Musipuc, o festival mais importante de música universitária que se realizava na década de 70 em Porto Alegre. Encantado com a qualidade dos trabalhos que viu e ouviu ali, teve a idéia luminosa de propor à direção da Continental que os artistas locais gravassem suas músicas no próprio estúdio da Rádio, no gravador de dois canais constantes do Estúdio B, e que as músicas passassem a rodar em seu programa. Os diretores acharam a idéia um pouco maluca, e disseram que o risco seria do próprio radialista, caso aquilo redundasse num fracasso de audiência. Júlio, corajosamente, decidiu abraçar a “bronca”.
A proposta – que inicialmente consistiu na oportunidade de os músicos registrarem de forma semi-profissional seus trabalhos, gravando suas canções nos estúdios da própria rádio, numa época em que Porto Alegre não era dotada de estúdios efetivamente profissionais, e, melhor ainda, com a veiculação iterativa e efusiva das gravações no programa do Mr. Lee, e, posteriormente, inclusive na programação normal da rádio – desembocou em um verdadeiro movimento musical sem precedentes na cena portoalegrense, que não somente ganhou o Estado, como inclusive marcou presença no Paraná, apresentando o trabalho dos gaúchos aos paranaenses, e vice-versa. Foram shows e caravanas de músicos pelo sul do país, com auditórios lotados e, não raro, tumultos e fãs histérica(o)s. Quando os artistas apresentavam-se nos shows denominados “Mr. Lee in Concert”, subiam ao palco não raro tendo a platéia “na mão”, uma vez que o público jovem já conhecia as músicas por ouvi-las reiteradamente antes na rádio, não raramente cantando junto as canções. Nestes shows – e nos shows individuais e coletivos que os artistas passaram a fazer a partir daí – havia uma total identidade entre os espectadores e os artistas, assim como eles, jovens típicos da classe média gaúcha (e de outras classes também). Geralmente os artistas e o público estavam imbuídos das mensagens de “paz e amor”, de sonhos e utopias, nos rastros do movimento hippie e de outras viagens típicas dos anos 70. Além disso, as apresentações eram recheadas de toques sobre a “liberdade” e o vazio do mundo do consumo, mensagens que, diga-se de passagem, tinham que ser muito bem metaforizadas para conseguir “passar” pela censura. Os shows, guardadas as proporções, eram traduções miniaturizadas de Woodstock, festival americano no qual Júlio procurou se inspirar, e em vários aspectos eram mesmo correlatos deste. É claro que não tinham e nem podiam contar com toda a estrutura, a “piração” e liberdade vigorantes nos EUA dos 60, afinal ainda estávamos em plena ditadura, e a própria reunião de um grande número de jovens em um local fechado já era muito mal vista pelos censores, que exigiam que o radialista e os músicos lhe submetessem previamente o conteúdo do que iam falar ao público. Mas com certeza, em termos de número de atrações, qualidade, variedade, duração dos shows (o show no auditório Araújo Vianna durou uma eternidade) e animação, havia sim semelhança com o grande festival americano, guardadas as proporções, enfatiza-se. É preciso destacar também que, naquela época, meados dos anos 70, em que reinavam soberanos os vinis, os discos independentes eram raríssimos, limitando-se a eventuais e bissextas “matérias pagas” de algum “incauto” ou “milionário”, de forma que o esquema do Mr. Lee proporcionou que artistas amadores (em termos profissionais, não em questão de qualidade musical) e independentes pudessem registrar o seu som e divulgar de forma totalmente gratuita o seu trabalho, sem qualquer esquema de jabá ou coisa que o valha, muito ao contrário. Pra não fugir da regra, tudo isto somente aconteceu porque na hora certa estava no local certo a pessoa certa, com a atitude certa. Sem dúvida, se não fosse a coragem pessoal do Júlio Fürst, então no início de sua promissora carreira profissional de radialista e apresentador (a que, após este ciclo, deu continuidade, já despido do personagem, mas de forma não menos brilhante, na própria Continental e em diversas FMs da cidade, sendo que atualmente desempenha na Rádio Itapema FM), nada disso teria acontecido. É preciso lembrar que os fatos a que fazemos alusão ocorreram num cenário em que não havia significativas apostas em artistas jovens locais por parte da mídia – com raras exceções de incentivadores, tais como o grande radialista Glênio Reis, Pedrinho Sirótsky e o seu Transassom, bem como o suporte dado pela mídia escrita, especialmente por Juarez Fonseca, Maria Wagner, Osvil Lopes e Nei Gastal -. O contexto do mercado musical gaúcho era tal que os talentos surgidos inevitavelmente tinham que migrar para o centro do país para obter maior projeção e o merecido reconhecimento, sem que gozassem ainda de um ilimitado prestígio por aqui, tal como ocorreu nos anos 60 com Elis Regina e com o Liverpool (banda de rock tropicalista que na década seguinte deu base ao também lendário Bixo da Seda). E é justamente por conta desta realidade local, que a postura que Júlio decidiu abraçar com unhas e dentes se afigurava então uma incógnita, e se apresentava virtualmente temerária, não apenas comercialmente para a Rádio Continental, mas inclusive para o próprio futuro profissional do radialista. Com efeito, não havia muita referência acerca da viabilidade comercial desta proposta inovadora, à época, mas é indubitável hoje que, se não fosse pelo pioneirismo de Júlio e dos diretores da rádio, que respaldaram a sua idéia, certamente o mercado local de música em Porto Alegre não seria o que depois veio a ser, e tampouco o que é hoje. E o que chama mais atenção, e que nos revela que a coragem foi ainda maior do que se poderia inicialmente supor, é a extrema qualidade dos trabalhos veiculados, o que indica que a diretriz era no sentido de se promover um verdadeiro nivelamento “por cima” junto ao público. De fato, Júlio não “facilitava” para o público, não nivelava “por baixo”, não “empurrava” músicas fracas e escancaradamente comerciais “goela a baixo”, em busca de maior penetração junto à audiência. Ao contrário, os trabalhos musicais que o Mr. Lee apoiava não ficavam em nada a dever em relação ao que era produzido de melhor, à época, no resto do país, em termos de MPB, Pop e Rock. Júlio, com sua audácia e originalidade, demonstrou que era (e é) possível sim veicular música jovem de qualidade feita em Porto Alegre e obter com isso respaldo popular e resultados comerciais em termos de faturamento da emissora.
Infelizmente, o programa do Mister Lee deixou de ser produzido em face do desacordo havido entre a empresa patrocinadora e a direção da rádio, quanto aos valores do contrato de publicidade. Deste modo, Júlio já entrou o ano de 77 não mais como o cowboy, mas como “Mestre Júlio”, e sem o “gás” que o patrocínio proporcionou em termos de respaldo para a produção dos shows, que por serem coletivos e durarem horas a fio, envolviam altos custos. O fim do programa, em que pese a força que o radialista e o restante da equipe da rádio continuaram dando ao som local, representou um considerável revés para alguns dos trabalhos musicais que eram divulgados naquele espaço. Alguns outros artistas da cena conseguiram manter uma projeção ascendente em suas carreiras, em que pese tal fato.
Não seria arriscado dizer que possivelmente muitos de nós hoje não conheceríamos os excelentes músicos que afloraram daquela geração portoalegrense e gaúcha, que Júlio catapultou em seu programa e nos shows que promovia. Alguns destes artistas, se não fosse a ousadia do seu “empurrão” inicial, talvez não se tornassem tão famosos nacionalmente no futuro, tais como Kleiton e Kledir (então membros dos Almôndegas), Hermes Aquino (é, aquele mesmo da Nuvem Passageira) e Joe (roqueiro que começou pela MPB, vencendo uma das linhas da Califórnia da Canção, festival de música regionalista gaúcha, como Zezinho Athanásio, depois transmutando-se em “Joe Euthanásia” – observação: não chegou a participar de show do Mr. Lee, mas era rodado no programa), e Mauro Kwitko (autor de algumas das pérolas do repertório de Ney Matogrosso em sua carreira solo). Além, obviamente, talvez não viessem a obter projeção tantos outros nomes importantes que surgiram naquele período, tais como Fernando Ribeiro, Gilberto Travi, Inconsciente Coletivo, Nelson Coelho de Castro, e muitos mais. Mas não apenas isso, se não tivesse acontecido o movimento capitaneado pelo Mr. Lee -naqueles frenéticos dois anos aproximadamente em que o programa foi ao ar, do meio para o fim da década de 70-, não seria delírio pensar que muitos outros trabalhos importantes como os de Nei Lisboa, Bebeto Alves, Gelson Oliveira, Totonho Villeroy, Vitor Ramil, Júlio Reny, Jimi Joe, Wander Wildner, Frank Jorge – ou seja, um espectro que abrange o próprio Rock Gaúcho dos Anos 80, que estourou Brasil afora -, talvez não houvessem obtido tanta repercussão no futuro. Ocorre que vários dos radialistas importantes surgidos na década seguinte (a grande maioria inclusive hoje ainda na “ativa”), que deram o “empurrão” inicial necessário para impulsionar as carreiras destes músicos, eram fãs dos programas veiculados na Continental, e foram influenciados de alguma maneira pelo “modelo” do programa do Mister Lee, adotando a mesma postura de divulgar e apoiar valores locais novos em suas respectivas rádios FM. Pode-se rastrear a influência da Continental AM, ainda que de forma reflexa, na formatação das rádios Ipanema FM, Atlântida FM, Unisinos FM (notadamente em sua versão inicial, mesmo porque o seu criador assim o declarava), Band FM (o manager Kamarão também reconhece a influência), Gaúcha FM (atualmente Itapema), Pop Rock e FM Cultura (especialmente na época em que Zé Flávio foi o Diretor de Programação). Ou seja, nas principais estações de música jovem, rock e mpb da capital gaúcha.
Seguem abaixo alguns dos trabalhos e artistas veiculados pelo Mister Lee e pela Rádio Continental AM nos anos 70 ligados ao rock (ou ao pop rock, ou à MPB mais ligada ao pop). Não é ocioso registrar que, em entrevista pessoal que Júlio Fürst me concedeu, perguntei-lhe porque o Bixo da Seda, então o principal nome do Rock Gaúcho, não fez parte do “circo” do Mr. Lee. Segundo Júlio, isso deveu-se ao fato de que, embora tenha feito o convite ao empresário da banda, o mesmo pediu uma alta soma à guisa de cachê, o que a produção não tinha condições de cobrir, tendo em vista que os valores alcançados pelo patrocinador mal suportavam os custos de produção, sendo que os artistas (não raro dez ou doze bandas por evento) rateavam apenas o que sobrava, após o abatimento dos gastos, da renda da bilheteria.

– Inconsciente Coletivo: banda que misturava folk e mpb num formato “Peter – Paul – Mary “, com João Antônio (atualmente dono do Abbey Road, uma das principais casas de shows musicais de Porto Alegre, na qual é sócio de Júlio Fürst), Alexandre (um dos proprietários do Sargent Peppers, outra casa noturna importante da cidade) e a (psicóloga) Ângela. Um som suave, com violas e vocais, bem legal, em que se destacavam as músicas “Voando Alto” e “Terras Estranhas”, gravadas em um compacto lançado em 77 pela gravadora carioca Tapecar.
– Bizarro (posteriormente Byzarro): banda de rock progressivo, hard rock, jazz e o que mais pintasse. Criada nos anos 60 sob a alcunha de Prosexo, contou em sua formação com Carlinhos Tatsch (guitarra), Gélson Schneider (baterista, que posteriormente pertenceu às bandas Trovão, Swing e Câmbio Negro), Mário Monteiro (baixo) / Mitch Marini (baixista que também integrou as bandas mencionadas de Gélson). Fizeram vários shows em dobradinha com o Bixo da Seda. Destacam-se no repertório “Sombras” e “Betelgeus Star”.
– Bobo da Corte: na época do Mr. Lee, a banda tinha na formação Zé Vicente Brizola (filho do próprio e fundador do Bixo da Seda), Gatinha (bateria, posteriormente atuou no Saracura em sua fase inicial), Chaminé (baixo, depois Saracura) e Otavinho (guitarra). Fughetti Luz chegou a participar de uma das formações desta banda, antes de entrar para o Bixo. Rock direto levemente hard, numa levada bem juvenil, sendo de destacar “Genial Colegial”.
– Almôndegas: Banda seminal da música gaúcha dos anos 70, da qual participavam Kleiton e Kledir, e, ainda, Quico Castro Neves, Gilnei Silveira e Pery Souza. Depois, saíram os três últimos e entraram Zé Flávio, João Baptista e no finzinho (79) Fernando Pesão, este na bateria. Transitava pelo rock, bossa nova, milongas, temas regionais do Sul, Mpb e o que mais pintasse, com ótimas letras. Destaque para a Canção da Meia-Noite, que foi trilha da novela Saramandaia da Rede Globo, e Rock e sombra fresca no Quintal (ambas do genial guitarrista Zé Flávio).
– Hallai-Hallai: banda de country/folk rock, num estilo bem acústico, fazia um som muito legal, contava com Necão e Paulinho, entre outros membros que foram se revezando, sendo que em 1987, com Jorge Vargas no baixo, gravou um disco pela gravadora 3M, intitulando-se apenas como Hallai. Em destaque, as músicas “Cowboy” e “Quando viajar pro Norte” (esta de Fernando Ribeiro).
– Zé Flávio e o Mantra (posteriormente Mantra Jazz Rock circus): Banda capitaneada pelo guitarrista Zé Flávio, o qual, antes de monta-la, participou da banda-show Em palpos de Aranha, que também chegou a se apresentar em show do Mr. Lee (a Em palpos era Zé, Cláudio Levitan, Graça Magliani, Giba-Giba e Néri). O Mantra era formado ainda por Inácio (baixo), Fernando Pesão (bateria, também da banda instrumental Zacarias, que participou do Mr. Lee, posteriormente integrante dos Almôndegas, Saracura e atualmente nos Papas da Língua), e Jakka (percussão), Zé Luiz (guitarra, ex-os Monges, e futuro Desenvolvymento) e Clóvis (percussão). Transitando entre o rock, o blues, a mpb, o tango, entre outras milongas, sempre com uma pitada “latina” a la Carlos Santana, fazia um som bem lisérgico e com muita energia. Destaque para “Dói em mim” e “A Margarida do Brejo”. A banda terminou quando Zé foi convidado para integrar os Almôndegas em 77, mudando-se para o Rio de Janeiro.
– Élbia: cantora que fez parcerias com o jornalista, radialista e músico Jimi Joe, apresentou-se no último show do Mr. Lee, realizado no Teatro Leopoldina, em 76, tinha uma música maravilhosa, que não deixava nada a desejar em relação à Rita Lee da fase Tutty Frutti, chamada “Como meu quociente de pureza se manifestou diante da Sociedade”.
– Gilberto Travi e o Cálculo IV: MPB com pitadas de Jazz e blues, com letras inteligentes e provocativas, nas quais eram utilizadas muitas das gírias dos anos 70, com um especial sotaque portoalegrense. Participou em todos os shows do Mr. Lee. Gilberto chegou a ser convidado por Liminha para gravar um compacto pela Warner, que havia se separado da Gravadora Continental, na época, e estava criando o seu cast, o que só não rolou em face da falta de garantias financeiras mais sólidas, além da exigência de que abandonasse a banda que sempre o acompanhou. Posteriormente, junto com o próprio Júlio Fürst, com Beto Roncaferro, e com João Antônio, formou os Discocuecas, banda impagável de “gozação” e “tiração de sarro”, na qual restou muito bem canalizada a face humorística que Gilberto também explora como compositor e performer. Em sua faceta “séria” destaca-se, no repertório de “Gilberto Travi e o Cálculo IV”, “Poluição” e “Pretensão”.
– Hermes Aquino: sensacional cantor e compositor, traçava o que viesse, do blues/rock à guarânia. Em sua fase tropicalista, nos anos 60, foi pra Sampa e orbitou em torno dos poetas concretistas, junto com sua prima Laís Marques e com Carlinhos Hartlieb, fechando parcerias com Tom Zé e o grupo o Bando. Depois voltou para o Sul e foi um dos principais nomes dos shows do Mr. Lee. Em face desta visibilidade, gravou pela Tapecar as músicas Nuvem Passageira e Matchu Pitchu, sendo que a primeira foi trilha da novela Casarão, primeiro lugar nas paradas de sucesso nacionais. Desentendendo-se posteriormente com a gravadora Capitol, que lançou seu segundo LP, recolhendo-se infelizmente em ostracismo em sua casa em Porto Alegre, o que vigora até hoje, para a tristeza de seus fãs.
– Utopia: Trio acústico à base de dois violões de aço (um deles de doze cordas) e violino, liderado por Bebeto Alves, contando também com os irmãos Ricardo e Ronald Frota. Difícil de classificar o seu som, feito de “viagens sonoras” típicas dos anos 70, com muito improviso e músicas intermináveis, me arriscaria a dizer que seu estilo era mais ou menos “psicodélico-acústico-progressivo”, com pitadas de jazz cigano (em entrevista que me concedeu, o Bebeto associou o som da banda ao Crimson de Robert Fripp). Desmanchou-se em 76 e lá por 78 teve nova formação, bem maior, e com uma proposta ligeiramente diferente da original, com Bebeto, Ricardo, Cao Trein, Zé Henrique Campani (que também foi dos grupos Emergência e Metamorfose, que participaram de shows do Mr. Lee) e até de Nico Nicolaiéwsky (passagem rápida), dentre outros. Lá por 79 Bebeto começou sua carreira solo.

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O Tropicalismo Gaúcho – parte 1

por Rogério Ratner

O Tropicalismo foi um movimento musical importantíssimo ocorrido no final dos anos 60, que concentrou músicos de diversos locais do Brasil, mas muito especialmente baianos e paulistas, e revolucionou a Música Popular Brasileira. Os gaúchos também tiveram a sua cena tropicalista, com algumas características próprias, como veremos a seguir. O trabalho destes músicos (compositores, cantores e instrumentistas) gaúchos sempre teve, desde os anos 60 – e mantém até hoje – uma importante influência na música feita no Rio Grande do Sul a partir de então, embora esta influência algumas vezes não seja percebida imediata e explicitamente, mesmo em face da “normalização” operada em relação a alguns elementos estéticos então invocados, tornando-os ínsitos ao próprio idioma procedimental da moderna música urbana gaúcha e do rock feito aqui. Cumpre dizer, inicialmente, e falando-se em termos mais gerais sobre o movimento como um todo em nível nacional, que seu impacto e importância não foi apenas de ordem estritamente musical, mas talvez, na mesma medida, de cunho ideológico e comportamental, como tentaremos demonstrar. Diversamente do que ocorreu em relação aos vários estilos existentes na música brasileira feita até então, o Tropicalismo não se constituiu em um ritmo específico, valendo-se do hibridismo e da fusão como seu ideal estético. Com efeito, o lundu, o samba do início do século 20, as marchinhas de carnaval, o choro, o samba-canção, o sambolero (elementos presentes na estética da chamada “Época de Ouro” ou “Velha Guarda”, cujo paradigma foi fixado pelos artistas ligados à Rádio Nacional), a bossa nova, os ritmos chamados regionais – que podemos exemplificar com o baião, o xote, a milonga, o frevo, a música caipira, a toada mineira, etc. -, embora sejam naturalmente fruto de várias fusões de elementos e ritmos diversos, inclusive “estrangeiros” (tal como tudo que é feito em música popular no mundo, se nos detivermos mais acuradamente nas origens de cada novo “tipo” estilístico), parece claro que os podemos definir como estilos musicais com significativas especificidades, tanto que isto já está inserido e consolidado em nossa linguagem (o que, sob o prisma de uma interpretação psicanalítica “lacaniana”, provavelmente seria encarado como muito simbólico). De fato, quando invocamos tais estilos musicais, associamos automaticamente em nossa mente várias músicas que exemplificam cada um, ainda que, repise-se, a pesquisa musicológica venha hodiernamente apontando para a inconsistência da noção de “pureza” de ritmos – assim como a ciência moderna vem indicando a fragilidade das noções cientificistas ou pseudo-científicas de “raça pura ou superior”, utilizadas como escopo para a prática dos maiores crimes já noticiados em todos os tempos. Realmente, tudo que foi criado na história humana é fruto da fusão de elementos novos com outros já existentes – mesmo que determinados traços presentes em determinada cultura tenham suas origens desconhecidas por quem posteriormente faz uso deles -, o que também, de outro lado, não impede que, aos poucos, a mistura de elementos redunde na consolidação de uma forma específica, objetivamente reconhecível enquanto tal. Em relação ao Tropicalismo, contudo, a situação é diferente da verificada quanto aos ritmos e estilos que mencionamos, uma vez que os mentores do movimento não desprezavam as manifestações ancestrais que referimos, e tampouco o rock, tanto em sua feição psicodélica, quanto em seu viés jovemguardista, embora fizessem uma leitura muito particular de tais elementos. Realmente, o Tropicalismo não pode ser traduzido como um ritmo específico, como ocorre em relação aos tipos que enunciamos, não apresentando uma “batida diferente”, tal como pode-se identificar claramente na bossa nova, por exemplo. Na verdade, ao invés de um ritmo específico, a única definição “musical” que caberia ao Tropicalismo seria a de um caldeirão sonoro, de uma fusão incandescente, onde diversos elementos circundantes são reputados válidos. São refutados, contudo, pelos tropicalistas, aqueles envoltos no sectarismo e na caretice (sendo de destacar que, evidentemente, o significado efetivo destes termos variaria bastante, conforme as preferências pessoais de cada integrante da cena – e também de acordo com a necessidade de seus criadores no sentido de fustigar o “bom gosto” do público universitário “pequeno-burguês”, a quem, nos parece, era mais incisivamente dirigida a mensagem tropicalista, ou ao público “burguês, antípoda deste -, e dependendo, ainda, do momento histórico e do contexto factual). A postura aberta adotada pelos integrantes do grupo, e ao mesmo tempo incisiva e provocadora, não causou poucos escândalos, pois os tropicalistas adotaram condutas que implicavam em várias “afrontas” – ao menos eram reconhecidas como tal pelos opositores desta estética – à cena musical vigente no final da década de 60 no Brasil: misturavam música erudita de vanguarda com música popular; mesclavam a bossa nova, a marcha-rancho, o samba, o baião, e o que mais fosse, a elementos da jovem guarda e do rock psicodélico; traziam muitas vezes “respeitabilidade” a uma música que, para o público universitário e “engajado” (e mesmo para a sua antítese, o público burguês de classe “A” e “B”) era mero lixo ou “música de empregada”; resgataram (claro que sob uma ótica muito particular) elementos da tradição musical brasileira, especialmente aquela ligada aos artistas da Época do Rádio (dos anos 30 aos estertores dos 50), que em significativa medida haviam sido considerados “ultrapassados” e cafonas por alguns artistas ligados à Bossa Nova (embora seja bem verdade que vários artistas bossanovistas – inclusive um dos principais, João Gilberto – não tenham adotado uma posição sectária em relação a tal herança: prova disso é que hoje quem melhor resgata tal repertório para o novo público é o próprio João, logicamente que sob seu próprio prisma e de acordo com sua própria estética; e não é demais ressaltar que o grande ídolo de João Gilberto é Orlando Silva, a “voz de ouro” dos tempos da Rádio Nacional).Em termos mais estritamente musicais, é certo que o Tropicalismo trouxe informações novas para o universo da música popular brasileira dos anos 60, por obra principalmente de arranjadores e maestros tais como Rogério Duprat, Júlio Medaglia, Damiano Cozella, entre outros, ligados à música erudita de vanguarda (ou seja, à música que vem desde a Escola Vienense de Schoenberg e Alban Berg – com a qual os baianos travaram contato inclusive mediante o magistério do maestro alemão Koellreutter, que morava na Bahia nos anos 60 e ministrava aulas na universidade livre de Salvador, bem como de Walter Smetak -, passando pela música aleatória de John Cage e chegando à música eletrônica de Stockhausen, dentre outros elementos). Contudo, se lançarmos um olhar de maior fôlego sobre a história da MPB, poderemos vislumbrar que a inclusão de elementos eruditos já estava de uma certa forma incorporada ao seu universo. De fato, a MPB, desde que começou a ser gravada em discos de 78 r.p.m., ainda nas primeiras décadas do século vinte, sofreu uma grande influência de elementos pinçados no âmbito da música erudita. Com efeito, muitos sambas, especialmente os sambas-canção, e também os boleros, os tangos, etc., ao serem registrados em acetato ou vinil comumente eram revestidos com arranjos que incluíam orquestras ou orquestrações para violino ou outros instrumentos normalmente mais associados à música erudita. Embora este elemento erudito presente nos arranjos não chegasse a ofuscar o elemento “nativo” (violões, bandolins, cavaquinho, etc., e o próprio cantor), é inegável que desempenhava um importante papel no conjunto dos elementos reunidos. Aliás, este elemento erudito, na concepção das gravadoras, vinha justamente trazer “civilidade” e “respeitabilidade” ao elemento “nativo”, “polidez” ao “bruto”. Em que pese o conceito que havia por de trás deste “banho civilizatório” a que era submetido o elemento popular, é inegável que inúmeros arranjos feitos à época eram de grande qualidade e realmente representavam um acréscimo ao conjunto da obra. Isto deveu-se ao talento de grandes maestros e músicos incumbidos da elaboração de arranjos orquestrais, tais como o gaúcho Radamés Gnatalli e o próprio Tom Jobim. Pixinguinha, um dos decanos do choro e da MPB, a seu turno, também foi maestro e arranjador. Em relação à Bossa Nova, embora boa parte dos arranjos das canções tenha dispensado a presença do elemento orquestral, não se pode esquecer que Tom Jobim era de formação mezzo popular, mezzo erudita, e foi muito influenciado pelos impressionistas (Debussy, Stravinsky, Ravel, entre outros compositores). O certo é que as primeiras gravações da Bossa Nova contaram com arranjos de orquestra, inclusive aquelas que inauguraram o movimento, que ganharam arranjos do próprio Tom Jobim. Neste sentido, realmente, a incorporação de elementos da música erudita de vanguarda no universo da MPB pelo grupo tropicalista – embora todo o seu caráter “selvagem”, cômico e anárquico, daí sua originalidade e novidade -, não pode ser considerada como o momento de nascimento do intercâmbio entre a “alta cultura”, representada pela música clássica, com a “baixa cultura”, representado pelo elemento popular. De fato, a fusão entre o erudito e o popular, enquanto postura e prática estética na história da música popular brasileira já estava consolidada, até mesmo se considerarmos o período anterior à Bossa Nova.De outro lado, em muitos arranjos tropicalistas chama a atenção o destaque para a guitarra psicodélica, cujo maior exemplo é a pilotada pelo indomável Lanny Gordin, mas também pelo não menos talentoso Sérgio Dias, dos Mutantes. E, também merecem ser destacados, neste âmbito, os gaúchos Luis Vagner (da banda Os Brasas), Mimi Lessa (da banda Liverpool, e depois do Bixo da Seda), Cláudio Vera Cruz (das bandas o Succo, Saudade Instantânea, e depois, do Bixo da Seda), seus contemporâneos, entre outros. A guitarra psicodélica, tão importante na configuração dos arranjos tropicalistas, também já vinha pontificando no cenário musical brasileiro da época, pois na cena da Jovem Guarda vários artistas e bandas contemporâneas da Tropicália, e outros ligados mais intimamente ao rock psicodélico (a partir do Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band dos Beatles, mas também sob a influência de inúmeras outras bandas que trilharam este caminho, tais como Beach Boys, Jefferson Airplane, Zombies, Traffic, etc.) se valeram de tal expediente. Mesmo se considerarmos isoladamente o período próprio da Jovem Guarda, encontraremos vários exemplos de fusão do psicodelismo com a MPB, tal como vemos em algumas canções dos Incríveis, de Eduardo Araújo, de Ronnie Von e dos Brasas, dentre outros, embora tal aspecto tenha sido mais episódico do que preponderante no trabalho destes artistas, ao menos no período anterior ao advento do Tropicalismo. Aliás, não é ocioso lembrar, neste passo, que boa parte dos artistas da Tropicália, especialmente os instrumentistas que participaram das gravações e apresentações, mas também os próprios Mutantes, tinham origem na jovem guarda e no rock psicodélico.Outrossim, a fusão entre “o regional e o universal” representa o princípio básico e o mote maior do Tropicalismo. A intenção era a de que a música pudesse retratar, em sua estrutura, letra e arranjo, a realidade da sociedade brasileira, ao mesmo tempo moderna e atrasada. Em verdade, a música brasileira feita antes da Tropicália em certa medida também soube bem harmonizar a tensão entre o “nacional e o estrangeiro”. De fato, a Bossa Nova, por exemplo, em sua primeira fase, que alguns apontam como “intimista” (feita por Tom Jobim, João Gilberto, Nara Leão, Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, Carlos Lyra, entre outros), resultou, em linhas gerais, da fusão do samba ao cool jazz. Posteriormente, mais para o final dos anos 60, no que se poderia apontar como fase “extrovertida”, a bossa nova misturou o samba com o bebop, no chamado “sambajazz” ou “bossajazz”. E também gerou um outro derivativo, em que se constituiu a música de protesto ou engajada (produzida por gente como Edu Lobo, Chico Buarque, a mesma Nara Leão – artista-camaleoa e inteligentíssima, que também se juntou aos tropicalistas, mais tarde -, Geraldo Vandré, Sérgio Ricardo, o próprio Carlos Lyra e Vinícius de Moraes, esse enquanto letrista), na qual foram evocadas a temática rural, os ritmos nordestinos, o samba de morro, a moda de viola, a canção “praieira”, etc., fundindo a sonoridade gestada na primeira fase da Bossa Nova com elementos “regionais”. De fato, a própria música engajada, cujo caráter “nacional e popular”, e, sobretudo, “autêntico”, era inquestionável para o público universitário que a defendia com unhas e dentes, também decorreu de um hibridismo mal-disfarçado, pois reunia elementos diversos, inclusive “estrangeiros”, ínsitos à Bossa Nova, que lhe deu lastro. Outro craque em “internacionalização” da música brasileira é o grande Marcos Valle, que, inicialmente vinculado à Bossa Nova (inclusive, após a fase inicial, à bossa engajada), soube como ninguém mesclá-la ao soul, ao funk, à psicodelia, etc., especialmente nos anos 70. Esta música de protesto surgida a partir de compositores e cantores ligados à Bossa Nova, para todos os efeitos, veio a ser apontada como a grande antítese da estética tropicalista. Assim, nos parece que, quando o Tropicalismo fundiu o samba e outros ritmos brasileiros ao rock, ou a elementos vindos do universo deste, em termos de ideário estético e prática musical, não chegou a romper com o que já ocorrera na MPB. Não seria absurdo dizer que a Tropicália substituiu o jazz, enquanto elemento principal de fusão apropriado pela Bossa Nova, por um ritmo mais recente surgido no horizonte da música pop internacional, elegendo o rock como o elemento “estrangeiro” da fusão a ser ressaltado. Aliás, como já aludimos no início, a “pureza” da música brasileira não passa de um mito, muito mal construído, aliás. Mesmo “decanos” como Pixinguinha tinham influências variadas, inclusive da música erudita e do jazz. De fato, o processo de formatação da música brasileira é muito semelhante ao caminho da música popular americana: ou seja, a grosso modo, a passagem do spiritual ao blues, que, misturado ao ragtime e a elementos europeus, e, ainda, com o boogie-woogie, foi dar no jazz e também resultou no rhythm & blues, que mesclado ao country e ao folk foi dar no rock, que também incorporava o gospel, o que foi dar no soul e depois no funk e ad infinitum -. A música popular brasileira, na mesma trilha, nada mais é do que a fusão de elementos europeus, negros, mestiços e americanos (do Norte e do Prata).É evidente que não ignoramos o fato de que a fusão que o Tropicalismo levou a efeito entre os vários elementos destacados anteriormente (ritmos regionais + rock + música erudita de vanguarda – nem sempre todos ao mesmo tempo, bem entendido -, entre outros) tenha resultado em algo particular. O que nos parece é que, em termos estruturais, a canção tropicalista é de estrutura volátil. Se pudéssemos fazer um paralelo, digamos assim, culinário (e o fazemos com o único objetivo de tentar traduzir nossa visão em termos imagéticos, não à guisa de piada), a Tropicália estaria, em termos da consistência “física” de suas canções, mais para o mingau do que para bolo – considerando-se o bolo, naturalmente, a bossa nova, o samba, o rock, e outros ritmos mais ou menos “consolidados” a que aludimos no início. De fato, quando ouvimos um disco tropicalista (vamos considerar, por hipótese e apenas para efeitos da exposição, que ainda nunca o tenhamos escutado), a “aventura” é semelhante a de alguém que se perde numa selva fechada, ficando “às cegas”, pois nunca poderemos “adivinhar” com precisão o que virá na próxima faixa. Realmente, pode ser que seja um rock, um frevo, um samba, uma bossa, um tango, etc., mas naturalmente sempre com algum elemento de “estranhamento” no arranjo ou na letra. Efetivamente, toda a idéia que tentamos formar em torno de um conceito do que seria a tal “essência” da canção tropicalista – vale dizer, algum elemento próprio e geral que pudesse ser encontrado imutavelmente em todas as canções -, se desfaz rapidamente, ao ouvirmos qualquer um dos discos lançados pelos artistas de tal movimento. Com efeito, quando parece que afinal estamos conseguindo “captar” e traduzir em termos de algum conceito o que seria o âmago da “canção tropicalista”, nossa construção teórica não raro se desfará na próxima faixa, pois teremos que acrescentar que a Tropicália é “isto, e mais aquilo, e mais aquilo, e mais aquilo”, mas ao mesmo tempo também teremos que reconhecer que não é exatamente “aquilo e mais aquilo e mais aquilo”. Neste sentido é que falamos em volatilidade da canção tropicalista, o que abre a possibilidade de que músicas de ritmos completamente diferentes venham a se abrigar em sua legenda, justamente pelo enorme elastecimento que se verifica em sua definição. Mas, sem embargo, também não seria improvável que chegássemos à conclusão de que músicas de outro universo estético apresentam diferenças marcantes em relação às do Tropicalismo, quando tentamos fazer o movimento inverso de comparação. Realmente, não é apenas em face da diversidade de ritmos e elementos que eram usados que se dava essa “inconsistência” (também poderíamos falar em “inconstância”), uma vez que o experimental, o fugidio, o aleatório, o espontâneo e o cerebral eram inerentes à composição tropicalista, tornando-a de fato uma mistura particular, embora cambiante. Em face disto, reputamos que não é à toa que Caetano Veloso, em sua autobiografia “Verdade Tropical”, conceitua a canção tropicalista como “canção-colagem”, ou seja, há na composição uma sobreposição de diversos elementos, mas não a sua efetiva fusão em um novo produto “autônomo” e bem individuado. Ocorre, em realidade, mais a justaposição de várias informações e elementos do que propriamente a fundição numa unidade harmoniosa enquanto tal. Melhor dito, parece não ter havido a intenção por parte dos compositores e arranjadores Tropicalistas em consolidar o resultado da fusão; ao contrário, a idéia parece ser mesmo a de deixar os elementos em suspenso, justapostos, até porque o caráter de estranhamento trazido pela reunião de elementos absolutamente inesperados pelo ouvinte é um dos efeitos desejados. De fato, o elemento erudito, no mais das vezes, é incorporado nos arranjos como elemento de estranhamento, ou mesmo com fins humorísticos, o mesmo valendo para a guitarra psicodélica. Realmente, como nos esclarece Caetano: “Em vez de trabalharmos em conjunto no sentido de encontrar um som homogêneo que definisse o novo estilo, preferimos utilizar uma ou outra sonoridade reconhecível da música comercial, fazendo do arranjo um elemento independente que clarificasse a canção mas também se chocasse com ela. De certa forma, o que queríamos fazer equivalia a “samplear” retalhos musicais, e tomávamos os arranjos como ready-mades “. Em verdade, nos parece que, a fim de melhor compreendermos a questão referente à estrutura da canção tropicalista, deveremos lançar mão de vários elementos teóricos “importados” de outras artes, tais como a poesia de vanguarda e as artes plásticas (Concretismo, no primeiro caso, e Construtivismo, Abstracionismo e Tropicalismo no segundo). Tais elementos advindos de outras searas artísticas parecem ter sido decisivos nesta conceitualização que Caetano faz, pois a estrutura da canção tropicalista está mais aparentada à do ideograma chinês (cultuado pelos concretistas, dentre outras práticas poéticas por eles valorizadas), e à das instalações (especialmente de Hélio Oiticica) e pinturas abstratas, do que propriamente a uma forma consolidada no âmbito musical, pelo menos se considerarmos o paradigma então vigente. Ou seja, a idéia que subjaz à construção tropicalista é a de reunir elementos difusos, a partir de um outro prisma que não-necessariamente o do tempo-espaço no sentido cartesiano.Não obstante tais ressalvas, ainda assim nos parece que a canção tropicalista revela-se como uma variante das fusões então já havidas e praticadas na MPB. Neste contexto é que reputamos que o Tropicalismo constitui fusão lato sensu, mas não strictu sensu, justamente em face do caráter volátil de sua estrutura. Contudo, embora tal distinção seja importante, não nos parece implicar em que o Tropicalismo possa ser excluído, enquanto processo de criação, da prática fusional já instituída no âmbito da MPB, tal como referimos anteriormente, ainda que se trate de fusão em caráter amplo.Mas além da seara mais estritamente musical, pode-se dizer que também se afigura expressivamente marcante no contexto da Tropicália, em relação ao que vigia no panorama muito específico da música popular feita no Brasil do final dos anos 60, o seu combate declarado à patrulha ideológica, seja a advinda da direita conservadora (a parcela da sociedade que foi “salva” pelo golpe militar de 1964, defensora do “Brasil, ame-o ou deixe-o” e “Este é um país que vai pra frente”), seja a do público e dos artistas de tendência esquerdista, que tentavam impor de maneira praticamente exclusiva a estética da Bossa Nova “engajada” e da canção “rural” e engajada daí originada, forma musical que era a ideal na concepção dos artistas e estudantes ligados à UNE, e mais especialmente ao CPC (Centro Popular de Cultura da UNE). Com efeito, as canções “rurais” (tais como Disparada, de Geraldo Vandré, e Ponteio, de Edu Lobo), tão em voga no final dos anos 60, eram apontadas como representantes da única estética que poderia ajudar a salvaguardar a nação em seu combate contra o imperialismo ianque e a influência estrangeira. Entretanto, tal parcela de artistas e seu público fiel não conseguiram disfarçar a contento, como já pincelamos antes, o fato de a Bossa Nova (da qual se originou tal estética, e na qual eram buscados vários de seus elementos sonoros) ser tão “americanizada” quanto a Jovem Guarda, o que foi incisivamente desmascarado pela Tropicália. E, por isso mesmo, sinalizaram os Tropicalistas que o rock que estava sendo feito no Brasil não deveria ser hostilizado como subproduto, nem apontado como música rasteira e de má qualidade, ou, mais ainda, execrado como símbolo da sucumbência da juventude a um estrangeirismo daninho. Ressaltaram os Tropicalistas que, bem ao invés, a Jovem Guarda deveria ser reconhecida como parte integrante da tradição musical do país, mesmo porque, a exemplo de que ocorreu com outros ritmos “estrangeiros” anteriormente surgidos no horizonte da MPB, o rock estava estabelecendo aqui um caráter específico, com elementos próprios, ou seja, estava ficando com uma “cara” brasileira, incorporando outras informações difundidas no âmbito da canção popular brasileira. Mas isso, de outro lado, tampouco significou, contudo, que os Tropicalistas tenham deixado de criticar a singeleza e a ingenuidade de algumas das canções da Jovem Guarda; neste enfoque é que efetivamente o entendimento da atuação dos Tropicalistas exige-nos um esforço no sentido de compreendermos um paradoxo que propunham: de um lado, não havia rejeição total ao que havia sido feito e ao que estava sendo feito em termos de música popular no Brasil – então, esta posição pode ser considerada como “abrangente ou não-excludente” -; de outro, tampouco havia aceitação sem críticas, pois o material ancestral ou contemporâneo era abordado a partir das características que os Tropicalistas entendiam que deveriam ser valorizadas nas canções, sendo que muitas vezes apontavam abertamente os seus “defeitos” – esta seria a sua postura “excludente ou não-includente” -. Em verdade, o equilíbrio entre tais posições é que deveria ser buscado, ao menos na teoria. Vale dizer, os Tropicalistas, a bem da verdade, não queriam que se estabelecesse um cenário na música brasileira em que somente uma determinada vertente obtivesse evidência. Diversamente, propunham o respeito à diversidade, de forma que pudessem ser livremente divulgadas as mais diversas tendências que então vicejavam (além da deles próprios, é claro): a “velha guarda”, a bossa nova, a música de protesto, a jovem guarda, o samba tradicional, etc. Mas, em que pese saudassem as outras tendências, contudo, não deixavam de focar seu olhar crítico às mesmas.Neste contexto, e sob tal viés, é que se poderia dizer que o Tropicalismo correspondeu, paradoxalmente, a uma “revolução conservadora”. Bem entendido, havia, de um lado, o impulso no sentido de sacudir as estruturas então presentes e no âmbito da MPB, consolidadas como cânone, inserindo novas informações musicais, cenográficas e comportamentais, daí utilizarmos o termo “revolução”. De outra banda, o termo “conservadora” não deve ser entendido no sentido de retrógrada, mas sim na acepção de conservante da tradição plural que sempre caracterizou a música popular brasileira, território em que, de um modo geral, corriqueiramente houve a mistura de informações “nativas” com elementos “universais”. É como se o Tropicalismo buscasse, de um lado, tirar, e, de outro, “colocar o trem de volta nos trilhos”, dos quais a música brasileira de alguma forma desvirtuou-se, não tanto musicalmente (pois, como vimos, mesmo quem se colocava na posição de “nacionalista” também lançava mão de elementos musicais híbridos, de origem “nacional” e “estrangeira”), mas em termos da elaboração teórica do processo cultural próprio de nosso país realizada por alguns artistas ligados à Bossa Nova, que formataram a estética da canção de protesto. De fato, enquanto a direita identificada com o golpe militar e a esquerda tradicional – arvorando-se na condição de defensoras do quanto fosse autêntico e em conformidade com a “defesa dos verdadeiros interesses nacionais” – tentavam “botar para baixo do tapete” o fato de ambas agasalharem fortes elementos “alienígenas”, o Tropicalismo, bem ao contrário, trouxe à tona tal circunstância, de forma muitas vezes considerada agressiva por estes segmentos sociais. A adoção deste papel, de ser o elemento que põe a claro as contradições da leitura da realidade cultural brasileira feita por tais setores, obviamente transformou o Tropicalismo em sinônimo de escândalo e disparate, e consistente em grave e imperdoável heresia. Realmente, o Tropicalismo afigurou-se para tais setores como conduta de elementos anárquicos, que, em face da urgência e da importância da adoção de uma forma de intervenção prática e imediata nos rumos políticos do país naquele momento, era não apenas desprezível, mas inclusive perigosa e tergiversadora. Assim, desagradaram os Tropicalistas a “gregos e troianos”, agradando, de outro lado, aqueles a que fundamentalmente poderíamos nominar como “nova esquerda” (aquela parcela da juventude que via como vital a abordagem de temas tais como a liberdade individual e de comportarmento, mesmo no âmbito de um eventual socialismo) e “os desbundados”, bem como a outras parcelas do público, especialmente de classe média, que viam nas canções feitas por eles um bom produto de fruição estética. Estes segmentos, contudo, além de não serem articulados politicamente a exemplo dos outros, não tinham um projeto de intervenção efetiva frente à realidade então vivida pelo país, mesmo por considerarem que as questões centrais do país não passavam tão-somente pela definição do regime político, se capitalista ou comunista, envolvendo também a discussão relativa aos costumes e o comportamento, à moral, à sexualidade, ao direito à liberdade, etc. De fato, o Tropicalismo procurou retratar, não apenas musicalmente, mas principalmente em suas letras, a realidade brasileira como ela efetivamente era, ao passo que os setores mencionados mantinham suas próprias versões idealizadas, romantizadas e míticas do que seria ou do que deveria vir a ser o país. Com efeito, o Brasil do final dos anos 60 (e as coisas não se modificaram muito desde então, neste aspecto, como sabemos), para ser efetivamente descrito como realmente era, exigiria uma “colagem” de imagens absolutamente contraditórias e paradoxais, o que, realmente terminou sendo levado à efeito pelos Tropicalistas em canções-manifesto tais como “Alegria Alegria”, “Tropicália”, “Parque Industrial”, “2001”, entre outras. Realmente, o Brasil era, à época (e ainda é), um país simultaneamente arcaico e moderno; pobre e rico; subdesenvolvido e desenvolvido; etc. Não correspondia integralmente nem à sociedade semifeudal e subcapitalista antevista pela esquerda, e tampouco a um país totalmente modernizado e desenvolvido, tal como apregoado pela direita. Por isso mesmo os tropicalistas valeram-se do paradoxo e da contradição como elementos absolutamente necessários e até imprescindíveis para a tradução desta face realmente verdadeira de nosso país naquele momento histórico do final dos anos 60, o que, por si só, afastava a eficácia de qualquer visão totalizante, tão em voga nas extremidades do espectro político de então. Ademais, os tropicalistas deram a entender que, se de um lado, não concordavam com um governo militar que supostamente estaria defendendo a nação do elemento estrangeiro e opressor consistente no “comunismo internacional”, e que dizia o estar fazendo inclusive “em nome da democracia” e “para o bem geral da nação”- mas que na prática resultou em uma ditadura cruel e sanguinária, que estava alargando de forma desmesurada a influência e a dominação internacional por parte das potências capitalistas em relação a nosso país -, tampouco eram conformes às práticas e aos modelos da esquerda tradicional (seja leninista, stalinista, trotskista, maoísta, “foquista” cubana/guevarista, etc.) – que, sob o ensejo da defesa dos interesses nacionais democráticos e dos direitos inalienáveis do povo brasileiro, procurava ocultar um viés autoritário e messiânico, de resto decalcado das tendências políticas internacionalmente disseminadas a que se reportava, e munida do auto-conceito de infalibilidade enquanto vanguarda da luta revolucionária, proclamando-se como única via possível de mudança social e esperança para a população. Vale dizer, se de um lado os Tropicalistas se opunham claramente à ditadura militar, da mesma forma não se submetiam à uma concepção estética nos moldes do “realismo socialista”, defendida por uma patrulha ideológica de inspiração jdanovista. Porém, não deixa de ser curioso que, muito embora o Tropicalismo tenha se tratado do movimento de maior elaboração teórica já havido na história da MPB, e apesar de toda esta construção subjacente às canções, diversas músicas tropicalistas poderiam perfeitamente inscrever-se naquilo que se imaginaria como sendo o que deveria corresponder ao seu oposto, ou seja, a música de protesto. Canções como “Louvação”, “Roda”, “Soy Loco por ti América”, com pequenos ajustes, poderiam perfeitamente ser cantadas por Geraldo Vandré, Sérgio Ricardo ou Edu Lobo, sem suspeitas quanto à sua autoria (aliás, não é gratuitamente que o poeta Capinam “jogou nos dois times”). O que, do ponto de vista do público ouvinte, aliás, merece ser saudado, porque qualquer censura advinda de razões teóricas quanto à divulgação de canções belíssimas como estas teriam efeitos por demais deletérios. Mas tal “contradição” parece, em realidade, apontar que os Tropicalistas sequer excluíam a canção de protesto de suas referências; apenas não a aceitavam como a única forma válida de expressão. Cumpre dizer, ao ensejo, que também consideramos belíssimas as canções de protesto de Vandré, Edu Lobo, Carlos Lyra, entre outros, em que pese certas inconsistências no embasamento teórico da estética propugnada pelo CPC da UNE, a que nos referimos. De outra banda, afigura-se importante ressaltar que, dentro do cadinho procedimental dos Tropicalistas, o humor e a “falta de seriedade” exerciam um papel crucial, não só pelo seu viés irônico, mas também por corresponderem à expressão da mais sincera alegria de viver. Efetivamente, os tropicalistas se opunham à “seriedade”, que deve ser bem entendida como sinônimo de sisudez, polimento, cerimônia, solenidade, “bom comportamento”, preconceito, purismo, entre outros “vícios” verificáveis em parte da produção musical dos estertores dos anos 60 no Brasil. Realmente, o elemento iconoclasta do Tropicalismo é um de seus principais méritos e baluartes. Inteligentemente, porém, eles não eram niilistas, mas sim anárquicos e carnavalescos, características que evocavam na condição de herdeiros do “canibalismo” e da “antropofagia”, na forma propalada pela Semana de Arte Moderna de 1922, especialmente por Oswald de Andrade. Outro aspecto muito importante da atuação tropicalista dizia respeito à questão cênica: ao invés da postura contida dos artistas da Bossa Nova, o cantor deveria atuar, no mais das vezes, “pra fora”, ainda que de forma “estranha”. Em tal sentido, foi de vital importância o “empréstimo” da postura de palco utilizada no âmbito da Jovem Guarda, embora esta tenha sido filtrada sob um viés intelectualizado. É neste sentido que o Tropicalismo se valeu do “happening” vanguardista como seu elemento de intervenção cênica mais extremo, não raramente incorporando figurinos estranhos e até esdrúxulos, numa mescla com a forma de apresentação mais solta que já se fazia presente na jovem guarda.Assim, tal como tentamos desenvolver, nos parece que a grande contribuição do Tropicalismo à música brasileira não foi apenas de ordem estritamente musical, mas também comportamental e ideológica. Aliás, neste ínterim, não se poderia deixar de assinalar que, não fosse o momento histórico vivido no país e no mundo no final dos anos 60, ou seja, no ambiente da “Guerra Fria”, o movimento Tropicalista talvez não causasse tanto impacto como efetivamente causou no âmbito da MPB. Nos parece que a aversão dos tropicalistas às visões “nacionalistas” e idealizadas dos setores radicalizados do espectro político que já mencionamos pode ter sido um dos elementos que mais destacadamente tenha atraído a ira destes. Vale dizer, não fosse a radicalização de tais setores naquele momento histórico muito específico, é possível que o Tropicalismo não houvesse granjeado toda a repercussão que teve. Mas, como diz muito bem a sabedoria popular, o importante é estar no lugar certo na hora certa, de forma que a intervenção dos Tropicalistas, calcada nos vários elementos que pinçamos, dentro daquela conjuntura vivida no país, se fez marcante e emblemática. É claro que, ao utilizar o paradoxo e a contradição como profissão de fé, e ao agir escandalosamente, os Tropicalistas oscilaram entre o risco da desgraça total e os píncaros da glória. A desgraça, quando ocorreu, felizmente, não foi total, pelo menos para a maioria deles, embora de relevante gravidade: prisões, exílios, banimentos da mídia e das gravadoras, defenestrações, hostilidades de outros artistas, execrações, esquecimento público e outros reveses. A glória, afinal, parece ter sido bem mais efetiva, pois, se nem todos chegaram ao sucesso comercial (o que, evidentemente, não se aplica aos casos de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rita Lee e Gal Costa), e se nem todos foram prestigiados da forma como realmente mereciam, ao menos o seu ideário estético nos parece ter resultado exitoso. De fato, se hoje temos um cenário musical no país em que, de um modo geral, há um certo nível de respeito entre artistas de diferentes tendências, quando não admiração recíproca (também não olvidamos que ainda persistam eventuais rusgas, pois não estamos querendo “enfeitar o bolo”), e em que o público está mais aberto a novidades, com muita gente apreciando diversos tipos e estilos de música concomitantemente, nos parece que isto se deve em alguma medida ao movimento Tropicalista, que teve a audácia de estabelecer pontes entre territórios que pareciam incompatíveis na época de seu surgimento, e talvez mesmo em tempos posteriores. Falando-se mais especificamente acerca do Tropicalismo feito no Rio Grande do Sul, cumpre destacar que alguns dos artistas que foram identificados com o movimento, não raro, mantiveram ou mantêm uma postura de um certo distanciamento ou ambigüidade quanto à assunção de tal identidade. O fato é que, até onde temos conhecimento, não houve uma declaração expressa do “lançamento do movimento Tropicalista no RS”, ou a divulgação de um manifesto, e muito menos a gravação de um Disco-manifesto tal como fizeram baianos, paulistas e a carioca Nara Leão, o LP Tropicália, sendo que esta última circunstância merece ser lastimada pesarosamente, pois realmente há um certo vácuo na memória da música popular gaúcha em relação a tão rico período, em face da falta de registro sonoro de muitas das canções relacionadas a tal estética. Portanto, bem diferentemente do que ocorreu no centro do país, não houve aqui uma articulação teórica que estabelecesse uma linha de atuação acabada e conjunta dos músicos, de forma a serem reconhecidos enquanto um movimento articulado, em sua relação com a imprensa, com os músicos de outras tendências e com o público, o que, sem embargo, e curiosamente, como veremos, absolutamente não impediu que a cena local fosse extremamente rica, fértil, criativa, pujante e destemida, e em intensidade, e guardadas as proporções, consonante com o “barulho” feito no eixo Rio-SP. Aqui, o movimento foi de feição informal, “não-oficializado”. Aliás, tal discussão não deve ser suscitada divorciada contexto histórico em que a cena tropicalista local realmente estabeleceu de forma mais clara seus contornos, que correspondeu justamente ao período de recrudescimento da repressão política levada a efeito pela Ditadura Militar, ou seja, no âmbito da edição do AI-5, e inclusive sob a sombra da prisão e exílio de Caetano Veloso e Gilberto Gil. De maneira que, levando-se em consideração tais circunstâncias, resta lógico que o músico se autoproclamar aos quatro ventos como tropicalista, àquela altura dos acontecimentos, não era uma atitude das mais prudentes, considerando-se a radicalização por parte da repressão política, que passou a atingir não apenas grupos e pessoas identificados imediatamente como esquerdistas e de oposição, mas também outras que fossem muitas vezes arbitrariamente consideradas como “perigosas” pelo regime militar. Não obstante tal ressalva, o fato é que mesmo após o período mais duro da repressão e após o fim da Ditadura, e se levarmos em conta alguns dos depoimentos colhidos no momento atual, constata-se a existência de várias situações identitárias, dependendo do enfoque e do entendimento de cada artista: alguns colocam que não havia muito sentido em falar de Tropicalismo no RS, embora tivessem empatia com as idéias do movimento, e se considerassem fortemente influenciados e identificados com a estética Tropicalista a partir do que assistiam pela Televisão (os festivais da canção e os programas de que participavam os tropicalistas no centro do país), e nos shows que os artistas “nacionais” fizeram aqui em Porto Alegre à época, mas mantendo uma postura bastante independente e trilhando um caminho muito pessoal e particular; outros, diversamente, assumiram-se como integrantes desta “vertente” à época, e ainda o fazem. Na verdade, talvez seja mais apropriado dizer que, de um modo geral, vários artistas que participaram desta cena adotaram alguma destas visões em pelo menos algum período de tempo desde então. E esta questão identitária, acreditamos, de alguma maneira pode estar relacionada também com este caráter volátil e amplo da canção tropicalista a que aludimos anteriormente. De fato, o Tropicalismo foi o movimento musical ocorrido na MPB que se utilizou do mais largo espectro de ritmos, possibilidades estéticas e misturas de estilos e influências, reunindo elementos sonoros os mais variados, o que fez com que muitos músicos, embora tenham sido influenciados e atraídos pela proposta, não se sentissem inteiramente identificados ou totalmente contemplados com ela, até porque a tal “proposta” era tão vaga e ampla que, levada às últimas conseqüências, permitiria a inclusão de muitos outros elementos estéticos que inclusive sequer foram inicialmente imaginados como possíveis participantes da “mistura” pelos criadores/propulsores primevos do movimento (baianos e paulistas). É claro que, na busca do entendimento desta situação identitária, não podem ser excluídas diversas outras razões, inclusive algumas de cunho muito pessoal, mas que, de toda forma, talvez não necessariamente se incompatibilizem de todo com as já alinhadas. Efetivamente, neste ponto é preciso considerar que os artistas (que identificamos para todos os efeitos, em alguns casos por nossa conta e risco, como pertencentes ao movimento Tropicalista no RS, ou mesmo influenciados pelo Tropicalismo, ou, ainda, como herdeiros do movimento) eram/são cabeças extremamente privilegiadas. Tratam-se de artistas de grande criatividade, sensibilidade, inventividade e luz própria, que, a bem da verdade, não ficavam/ficam a dever, em termos da qualidade de seu trabalho, em nada em relação ao “núcleo central do movimento” que sentou praça no centro do país. Então, em se tratando aqui da formação de um núcleo criativo, ainda que de contorno informal, que não era mero reprodutor do movimento feito à nível nacional, mas que, muito diversamente, propunha as suas próprias sínteses e conceitos, é totalmente natural que alguns indivíduos não se sentissem inteiramente contemplados dentro do “rótulo” de tropicalistas. Além disso, não deve ser ignorado o fato de que, no momento em que a cena se desenhou aqui, o próprio “núcleo central” do movimento estava desarticulado, com a prisão e posterior exílio de seus principais líderes, o que provocou um arrefecimento significativo no movimento como um todo. Dentro do que falamos, é assim, por exemplo, que o cantor e compositor Mutuca (Carlos Eduardo Weirauch) diz que não teria muito a ver falar em “Tropicália” aqui, porque, se assim fosse, o movimento teria que corresponder, em verdade, à “Invernália”, expressão que ele utilizava na época para se referir ao grupo daqui. Mutuca, na verdade, sempre teve o rock “na veia”, e se identifica muito fortemente com sua estética. O cantor e compositor Wanderley Falkemberg, a seu turno, embora também não se sentisse inteiramente contemplado no “conceito”, tanto que em entrevista que nos concedeu afirmou que a música que fazia com seu parceiro Luiz Santana à época ele mesmo denominava como “Temperalismo”, ou seja, um Tropicalismo feito em clima temperado, em alguns momentos (como por exemplo, em uma entrevista para o Jornal Zero Hora, em 1974) assumiu-se claramente como tropicalista. O cantor e compositor Cláudio Levitan, a seu turno, não reluta em assumir sua identidade tropicalista, embora, curiosamente, esta sua identidade nem sempre tenha sido devidamente explicitada ao longo de sua trajetória artística, o que, talvez, de algum modo, tenha implicado em que toda a originalidade e genialidade de sua obra em alguma medida não haja sido reconhecida em toda a intensidade que reputamos merecer. De fato, muitas canções de Levitan denotam um humor que beira o “absurdo” (tais como a famosa “Ana Cristina”, cantada por Hique Gomes e Nico Nicolaiewsky, no espetáculo “Tangos e Tragédias”), que talvez pudesse ser apreciado não apenas por sua comicidade propriamente dita, como o é, mas também em seu aspecto transgressor e inovador, caso houvesse sido mais explicitada ao longo de sua trajetória a identidade com o Tropicalismo. Assim, a questão da assunção da identidade tropicalista deve ser também abordada conforme a história pessoal, o conceito e a visão da questão de cada músico. De toda maneira, o certo é que a imprensa e o público gaúcho em grande medida reconheceram tais artistas como pertencentes à vertente tropicalista, de forma que, em que pese as eventuais ressalvas em cada caso particular, para todos os efeitos os classificamos como identificados a tal estética, especialmente com relação ao período do final dos anos 60 e ao início dos anos 70. Impende assinalar, outrossim, que a exemplo do que ocorreu em relação ao grupo do centro do país, alguns músicos que fizeram parte da cena tropicalista gaúcha inicialmente eram identificados com a estética da bossa nova, e outros tinham origem nos conjuntos de rock, que espocavam aos borbotões no RS por conta da Beatlemania, sendo que em, em alguns casos, músicos transitaram por ambas as “escolas”.

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GRANDES GUITARRISTAS GAÚCHOS (parte 1)

por Rogério Ratner

O Rio Grande do Sul sempre foi pródigo em revelar grandes guitarristas nos mais variados estilos, seja de rock, jazz, blues, MPB, etc. Assim, quando vai-se abordar o tema, é natural a conclusão de que se trata de um assunto interminável, dada a riqueza que se verifica nesta seara. Não obstante, acho importante destacar e invocar alguns nomes que, na minha opinião, representam significativamente a pujança da produção “guitarrística” gaúcha, independentemente de serem mais ou menos conhecidos pelo público, ou fazerem maior ou menor sucesso comercial. É óbvio que essa empreitada não pode ficar limitada a estes nomes, porquanto há inúmeros outros grandes instrumentistas a merecerem destaque. Desta forma, pretendemos criar uma “série” de artigos sobre o assunto, dos quais esse é o primeiro. De todo modo, já é necessário desde logo ressaltar, que mesmo que conseguíssemos elaborar artigos “de 1 a 1000”, não conseguiríamos suficientemente abarcar todos os guitarristas gaúchos que merecem realce. Assim, antecipadamente, e desde já, nos escusamos frente a eventuais omissões.

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* Um grande guitarrista gaúcho que vem obtendo reconhecimento nacional, não apenas como instrumentista, mas também como compositor, é Leo Henkin, com a sua banda Papas da Língua. Leo começou sua trajetória participando da Banda Dzagury, no início dos anos 80. Também começou a trabalhar na noite, no Bar Café com Leite (esquina da Santa Terezinha com a José Bonifácio, eu gostava muito de ir vê-lo tocar naquele bar), ao lado de Ralf Peruffo, outro grande guitarrista (que posteriormente entrou para a Banda dos Corações Solitários, do bar Sargent Peppers), entre outras casas. Logo passou a acompanhar cantores/cantoras, tal como a Luciana Costa (se não me engano, foi a primeira vez que tocou junto com o Zé Natálio, participando da banda de apoio da cantora em show no Clube de Cultura, que assisti). Depois, como músico convidado, atuou junto ao Saracura, banda de Nico Nicolaiewsky (Tangos e Tragédias), Sílvio Marques, Chaminé e Fernando Pesão (atualmente baterista do Papas), que fez muito sucesso em Porto Alegre nos anos 80. Posteriormente, Léo passou a atuar com a Banda Os Eles, com a qual gravou dois LPs. Após o fim desta banda, que teve relativa projeção nacional, mas grande repercussão regional, tornando-se uma das principais formações do então nascente rock gaúcho dos anos 80, passou também a atuar na criação de jingles, na produtora de Geraldo Flach. Em 1993 começa a sempre ascendente trajetória do Papas da Língua, banda formada por ele integrada que conta com Serginho Moah nos vocais, Fernando Pesão na bateria, Zé Natálio no baixo e, ainda, como 5º mosqueteiro quase membro efetivo, com o tecladista Cau Netto. Em 1995 a banda lançou um LP/CD pela Sony Music, obtendo uma significativa repercussão, especialmente em nível regional. Léo também teve composições suas gravadas por cantores de nomeada, tais como Pedro Camargo Mariano, Rosana e Paulo Ricardo, e seu viés de produtor foi também se consolidando mais e mais. Contudo, foi com o CD Xá-la-la (lançado pelo selo Antídoto da gravadora gaúcha Acit), de 1998, que ocorreu o grande estouro em termos regionais do Papas da Língua, e uma maior repercussão nacional. Depois a banda, sempre com grande sucesso nas rádios gaúchas, lançou Babybum (de 2000), Um dia de Sol (pela Orbeat, em 2002), e “Ao Vivo Acústico” (Orbeat). Os Papas fizeram desde então inúmeros shows, inclusive participando de várias edições do Planeta Atlântida no RS e SC. Agora a banda está na EMI-Universal, e curte o grande sucesso nacional, decorrente da veiculação da música “Eu sei”, que entrou na trilha da novela das oito da Globo Páginas da Vida. Mas antes, em termos televisivos, a música “Garotas do Brasil” já havia sido trilha de Malhação – e foi gravada pelo cantor baiano Netinho, e “Encontros Amargos” havia integrado a trilha de “Cara e Coroa”. Trata-se, atualmente, da banda de pop/rock/reggae gaúcha de maior projeção e sucesso popular, nacionalmente falando, ao lado dos Engenheiros do Hawaii. O site do Papas é http//:www.papasdalingua.com.br
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Merece destaque também o grande às das seis cordas GAMBONA, nosso representante no 4º Natu Blues, em 2004, no Bar Opinião, ao lado de feras nacionais e internacionais do blues. GAMBONA (Eduardo da Silva Quintian) é natural de Rio Grande (RS) e está morando atualmente em Porto Alegre. Autodidata, com mais de vinte e cinco anos de carreira musical, morou em São Paulo (onde teve os primeiros contatos com a guitarra), Paraná e Santa Catarina. Entre 1997 e 1998 viajou para os E.U.A., Espanha e Portugal, onde teve contatos com músicos locais e participou de várias jams de blues e rock. Além de participar de várias bandas de blues, rock, folk, pop e instrumental – tais como Chapéu de Cobra, Lira Clandestina, Banda do Porto, Sinal de Vida, Albatroz, Laelia Purpurata, Giselle Gutter & Hard Company (que gravou no CD Rock Garagem III, e cujo nome depois foi alterado para Sólidos Platônicos), Saída de Emergência, The Single Dadies Blues Company, Crazy Mama Band, Alligator’s Blues Rock, acompanhou diversos cantores e compositores, tais como (Chico Padilha, Rogério Ratner, Lu Barros, etc.). Participou também de jam-sessions com Big Allambick, Blues Etílicos, Fernando Noronha & Black Soul, André Christóvam, Andy Boy, Nivaldo Ornellas, Robertinho Silva e Ary Piassarollo. Em 2001, gravou e lançou o CD intitulado “Gambona” com sonoridade bluseira, e um forte sotaque roqueiro, além de temas instrumentais e acústicos de alta qualidade técnica. Sua base musical são as bandas de rock dos anos 60 e 70, Texas, Chicago e Delta Blues, country, folk, jazz e guitarristas como: Robert Johnson, T-Bone Walker, Albert King, B.B.King, Johnny Winter, Rory Gallagher, Eric Clapton, Stevie Ray Vaughan, Tommy Bolin, Jimmy Page, Robben Ford, John Scofield, Wes Montgomery, Warren Haynes, Ry Cooder e Zakk Wylde. Atualmente está finalizando seu segundo CD, seguindo a mesma pegada do primeiro, tocando com a “Gambona Blues Project”, onde executa clássicos do blues e rock, além de composições próprias e também seu projeto acústico, onde sozinho, apenas com violão de aço e harmônica, transita pelo blues, folk e rock, com uma roupagem bem pessoal e própria. O trabalho de Gambona foi destacado em 2006 no programa “Blues Power”, da Rádio USP FM de São Paulo, apresentado por Caio Ávila, um dos melhores espaços no Brasil de divulgação dos clássicos e das novidade do Blues internacional e nacional. O site do Gambona é http://www.gambona.com.br, e ali vai dar pra sacar um pouco do trabalho do cara. Trata-se de um guitarrista de pegada forte e de solos “matadores”.

Uma figura que é clássica e fundamental, quando se vai falar de guitarra no rock gaúcho, é o mágico das seis cordas Deio Escobar, um verdadeiro “guitar hero”. Deio tem uma trajetória das mais ricas no rock feito nos pampas, e vem de longe, direto dos anos 70, quando o rock era encarado como uma tremenda transgressão pela “sociedade”, e especialmente era considerado um “caso de polícia”, o que ele sentiu na pele. Deio tocou em formações clássicas do rock gaúcho, além de ser um dos precursores na preocupação com a atualização tecnológica, em termos de instrumentos, pedais, amplificadores, etc. Pilotando a sua guita cheia de blues hendrixiano na veia e outros venenos, Deio vem direto dos anos 70 em diante até hoje sem escalas, trazendo informações sonoras sempre novas para o cenário local, e participando de bandas gaúchas seminais tais como Rola Blues, Trovão, Bric Brothers, Câmbio Negro, O Espírito da Coisa, A Barata Oriental, entre outras, afora sua carreira solo (Deio lançou um belo LP em que flertou com a MPB). Aliás, Deio é um músico completo, e transita bem em qualquer estilo, tendo estabelecido diversas parcerias, inclusive músicas compostas com Renato Borghetti. Além disso, Deio foi professor no mítico “Clube do Guitarrista gaúcho”, do figuraça Zezé, de quem, ora vejam, até eu fui aluno. O Clube funcionou nos anos 80. Me lembro de ter chegado mais cedo para uma aula, e estava impressionado com um som de guitarra que havia escutado em um disco, queria saber o que “havia sido” aquilo. Quando perguntei ao Deio, mais ou menos descrevendo o efeito, ele me disse, na maior naturalidade e certeza, que se tratava de um oitavador. Eu fiquei de boca aberta, lógico. Naquela época não havia o acesso fácil que há hoje a instrumentos bons e importados, pedais, etc., e muito menos informações. Tínhamos que comprar instrumentos da Gianinni, da Di Giorgio, Da Del Vecchio, a melhor guitarra era da Fink (eu tinha uma “Les Paul”), pedais só da Oliver. Caras como o Deio é que traziam este mundo dos avanços tecnológicos para nós, mortais. O Deio disponibilizou diversos links com “palhinhas” de sua bela trajetória, que vale a pena visitar, até para conhecer-se um pouco da história do rock gaúcho dos anos 70 e 80. No myspace estão os Bric-Brothers (http://www.myspace.com/bricbrothers) e o Espírito da Coisa(http://www.myspace.com/espiritodacoisa). O Espírito foi uma banda com o Zezé.
A página pessoal do Deio está no PalcoMP3 (http://palcomp3.cifraclub.terra.com.br/deioescobar).Também o Câmbio Negro tem um link para download do disco no RapidShare ( http://rapidshare.com/files/56161628/Cambio_Negro_-_Hard_Rock_com_capa_e_encartes.rar).
O Rola Blues ganhou uma página no PalcoMP3 (http://palcomp3.cifraclub.terra.com.br/rolablues ) . O link pra baixar o CD da Fat Blues Chaminé Band do RapidShare: http://rs250.rapidshare.com/files/67399631/FatBlues.zip E a página no Palco MP3 do Cambio Negro: http://palcomp3.cifraclub.terra.com.br/cambionegro-PoA/
De fato, Deio é um deus da guitarra, e seu trabalho merece mesmo ser conhecido por todo mundo.

 

 

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Listão das Bandas gaúchas

Aí vai o listão das bandas, instrumentistas, cantore(a)s, cantoras, compositore(a)s, letristas, etc. gaúchos/gaúchas de todos os estilos, e de todos os tempos. Colabore lembrando alguns nomes. A lista é sempre provisória e sujeita a alterações constantes. # A forma mais fácil de conferir se a banda/artista já foi incluída, é ir no google, e preencher “bandas do rock gaúcho forever” e acrescentar o nome do artista/banda.

As andorinhas/ Acústicos e Valvulados/ Apocaliypse/ Atos Relutantes/ Apollus Band/ Acústico Reggae-Marley/ Anahatta/ Anos Blues/ Arnaldos/ Astronauta Pingüim/ Automóvel Verde/ Álibi/ Ameba/ Área Restrita/ Anima/ Alcaphones/ Alfa e beta/ Alto Falantes/ Adriano Trindade/ Conjunto Aderbal Ávila/ Arpége/ Agent-B/ Alta Simetria/ Ataque Vândalo/ Aruêra/ Argumento Sonoro/ Aruêra/ Alive/ Ata/ Aduana/ Antivirtual/ Amnésia/ Abbey Road Band/ Alphagroup/ AL 40/ Aruera/ Alma Roots/ Araponga/ Aurora Boreal/ Auriu Irigoite/ André Gomes/ Antônio Campara/ Andréa Cavalheiro/ Adão Pinheiro/ Andy Boy/ Arquivolante/ Akaschic/ Atmosphere/ Atalaia/ Armon/ Arte Final/ Autores e Intérpretes/ Armandinho/ Adriana Gimenez/ Airton Pimentel/ Ana Maria Bolzoni/ Adriana Deffenti/ Ana Krüger/ André Binsfeld/ Alfredo Sommer/ Apanhador Só/ Anna Lógica/ Angelo Metz/ Alex de Souza/ Arthur de Faria/ Augustinho Licks/ Alexandra Scotty/ Os Apaches/ Afro Sul/ Auge Perplexo/ Abeck9/ Araponga/ Alguidar/ Alemão Ronaldo/ Apartheid/ Adriane de Souza/ Antônio Carlos Falcão/ Ana Karina/ Annie Perec/ A 4/ Aquaplay/ Os Argonautas/ Anjos do Hangar/ Aplóides/ Alma Beat/ Musical Amizade/ Altovox/ Os Alucinantes/ Astaroth/ Angélica Rizzi/ Aluísio Veras/ Alex Alano/ Alelujah/ Atrack/ Alt+F4/ Ávalon/ Alma de Borracha/ Atraque/ Acústico Rock/ Alcousticos/ Alex Cruz/ Alma Rock/ Ângelo Franco/ Alerta Geral/ Afterburn/ Astral/ Ary Piassarolo/ AlexandreVieira (I e II e III)/ Alexandre Fonseca/ Alexandre Vianna/ Alex Rossi/ Aristóteles de Ananias Jr./ The Albatroz/ Arrabalero/ Almôndegas/ Arnaldo Sisson/ Atahualpa i us panquis/ Álvaro Lutti/ Ana Maria Bolzoni/ Alexandre Brito/ Abril/ Adriana Calcanhotto/ Adriana Marques/ Alegre Correa/ Ata/ Álvaro Godolphin/ Angelo Fantinel/ Antônio Prizon/ Angélica Ruas/ Antonio Carlos Cunha/ Alberto Oliveira/ André Martins/ Antonyo Rycardo/ Adriano Carazzo/ Alexandre Brito/ Alexandre Flores/ Alberto André/ Adriana Simmione/Alphagroup Blues/ Andina/ Apartheid/ Audio Som/ Art Biss/ Conjunto Aristides Villas-Boas/ Armon/ Os Ameixas/ Acústicos ao vento/ Anires/ Os Arnaldos/ Argus Montenegro/ Anibal Carneiro/ Autores e Intérpretes/ Auditiva/ Ângelo Primon/ Arthur Elias/ Arthur Nestrovski/ Álvaro Lima/ Álvaro Santi/ Alexandre Susin/ Antônio Volkweiss/ Ângela Jobim/ Antônio Villeroy/ Alan Camuaski/ Antônio Campara/ Adriana Muller/ Anires Marques/ Alfredo Sommer/ Alle Ravanello/ Armaggedonn/ Amilson Silva/ Anete Lubisco/ Andréa Augustin/ Auvergne/ Aúrea Baptista/ Alerta Geral/ Os Avançadíssimos/ Alexandre Fritzen/ Antônio Carlos Brunet/ Antônio Carlos Falcão/ André Coelho/ Ângelo Franco/ Augusto Stern/ Alma Blues/ Alegre Corrêa/ Assubek/ Os Atuais/ Antes do Além/ Akashic/ Arame Farpado/ Alegria/ Abalo Único/ Área Restrita/ Arte Livre/ Auto Retrato/ Os Águias/ Os avançados/ Anjos do Rock/ Arkanjo/ Os Araganos/ Abelha Rainha/ Amazônia/ Abalo Sísmico/ Alcalóides/ Acordes e Cordas/ Amêndoa/ Abangu rock/ Abeck 7 e 9/ Abril/ Abril 18/ AC/DC Cover/ Amil/ Ascétika/ Ação em Reação/ Anticorpos/ Acesso Negado/ Antivirtual/ Acusma/ Armon/ Acústico John/ Aeroblues/ Ácido Sulfúrico/ Aerovelhas/ ANKH/ Arquitetor de Hawana/ Anjos de Vinil/ Área Restrita/ Antinomia/ Astrox/ Again/ Água de Melissa/ Ak5/ Auto Retrato/ Alan fix/ Alcalina/ Alex Rech/ Alfa/ Os Alfaiates Farroupilhas/ Absinto 7/ Amigo Lagarto/ Angels/ Aristhoteles de Ananias Jr./ Astronautas Prismáticos/ Antes do Além/ Anjos Renegados/ Conjunto Abílio Marca/ Anjo Negro/ Anjos do Hanngar/ Atraque/ Anjos quase infernais/ Alma Blues/ Aline Figcelli/ Alpha Dog/ Avanço 5/ Ajuntamento Show/ Alfa e beta/ Os Avançados/ Apolo 5/ Os Acadêmicos Inseparáveis/ Alma e Sangue/ Os Andróides/ Alta Tensão/ Álvaro Santi e o Caixaprego/ Altaploide/ Amarula/ Alquimia/ Âmago Elíptico/ Amigo Lagarto/ Água da Vida/ Antimônio/ Auditiva/ Alforge/ Asas do Vento/ Anna Lógica/ Anticorpos/ Alta Simetria/ Avante/ Os Aventuras/ Armaggedon/ Astrolábios/ Asper/ Afro Sul/ Ata/ Atentado ao Pudor/ Anna O!/ Amor e Restos Humanos/ Apex/ Arte e manha/ Arena Age/ Arawak/ Atro/ Arengueira Musik@/ Arsenal/ Armação Ilimitada/ Anos Dourados/ Adam/ Apartheid/ Anos blues/ Auto-retrato/ Awennid/ Ameba/ Attus/ Asp/ Anamnese/ Anansi/ Arkanjo/ AnCor/ A. L. F./ Arena Age/ Across the Universe/ Afro Sul/ Andarilhos/ Any me faz um please/ Apex/ Musical Amizade/ Anestesia/ Musical Amizade/ Art Biss/ Anestesya/ Alerta Geral/ Akashic/ Água de Melissa/ Afrotchê/ Aneurisma/ Ávalon/ Antônio Acústico Show/ Almas iguais/ Alligator’s Blues Rock/ Anexo 44/ Arkanjo/ Artecover/ ArmaZen/ Adolfo e os Paradoxos/ Agnostic Orchestra/ Avante/ Alcalóides/ Andina/ Alfa e Beta/ Os Atonais/ Acapulco/ A Rosa dos Ventos/ Angels/ André Bertuol/ Atraque/ Altofalantes/ Acústico Sublime/ Aqua-play/ A4/ ACB 8/ Aletheia/ Azambuja’s Blues/ Aroma/ Albatroz/ Arawak/ Asper/ Anaxes/ Alvo/ Apex/ A.L.F./ Ameba/ Apanhador Só/ Amauri Iablonówski/ André Binsfeld/ Alexandre Guterres/ Alexandre Jost/ Alle Ravanello/ Alexandre Áusquia/ Alfredo Rozoco/ Alexandro Massioti/ Avante Royale/ Amauri Copetti/ Alexandre Santim/ Os Águias/ Adriano Trindade/ André Loss/ Arthur Nestrovski/ Ana Mascarenhas/ Alessandra Carvalho/ Alexandre Ostrowski Jr./ Alisson T. Araújo/ Anabel Alzaibar/ Alberto Oliveira/ Alessandra Verney/ André Piccinini/ Ayres Pothoff/ Aninha Freire/ Ayres Pothoff/ Augusto Maurer/ Adilson Rodrigueiro/ Adão Rosa/ Alexandre Móica/ Alexandre “Papel” Loureiro/ Alexandre Starosta/ Alma Beat/ Álvaro Vilaverde/ Álvaro Magalhães/ Alexandre Barea
Bixo da Seda/ Bizarro-Byzarro/ Beselhos/ Blues Markers/ Big Zen Voodoo/ Brandhy/ Os Bruxos/ Balzac/ Barões/ Blast/ Bandaid/ Barba Ruiva e os Corsários/ Beckandroll/ Bossa Nova Jazz Band/ Beat/ Bad Flowers/ Bandida/ The Bestial Project/ Brim Curinga/ Bambino Selvagem/ Bois de Gerião/ Bailei na curva/ Badulaque/ Blackpool Bards/ Bossa Lounge/ B. Bossa Trio/ Os Buscapé/ BSN/ A Banda/ Blazz/ Os Brasas/ Brasa Som/ Beethoven/ The Beagles/ Os Besouros/ The Bachfuls/ The baby’s/ Basket Makers/ Os Bravos/ Beat Five/ B Jack/ Bilubi.du/ Baby Core/ Babysitter/ Bleff/ Bacon 27/ As Brasas/ Borboleta Negra/ Brasil Pop Quarteto/ Bar 9/ Balarrasa/ Bobby Punky/ Os Barra Limpas/ Bali Hai/ Bandit/ A Barra do Porto/ Barfly Band/ Bandinha do Bertoldo/ Os Bones Tribe/ Brazuca/ Beat Box/ Batmans/ Bethsides/ Barfly Band/ Bonday/ Babies on fire/ Blues Express/ Beijo Azul/ Balzacs/ Batuque de Cordas/ Batucada/ Banda du Porto/ Black Cat/ Beer duff/ Boogaloo (anos 60)/ Boogaloo(anos 2000)/ Bandaneon/ Barlavento/ Blush/ B Jack/ Bioradio / Bondai/ Blues Express/ Brilha Samba/ Bad Bad Sever/ Barrabás/ Bahamas/ Balla Haus/ Batuque de Cordas/ Banda do Porto/ Bocalis/ Borboleta Groove/ Bleve /Bandabsurda/ Bleach/ The Beatles Magical Band/ Burgomestre/ Bruce Medeiros/ Bebeto Mohr/ Brigadeiro/ Blastorm/ Balarrasa/ Bataclã Futebol Clube/ Barbarella/ Blue Drift/ BoB/ Blitzkrieg/ Blizter/ Boby joy/ Brazilian Sound Machine/ Bullet/ Bleff/ Buffalo Red/ Black Tools/ Bleque/ Blush/ Baila Baila/ Brilha som/ BlackMaria/ Bismuto/ Bombados/ Big Country Band/ Balanço do Tchê/ Brasileiros cantam brasileiros/ Bikini Hunters/ Os Beatos/ Grupo Bem Brasil/ Biss/ Blackbirds/ Banda de Banda/ Burrito/ The Bull Frog Blues and Rock/ The Beatles Magical Band/ Bruxa de Pano/ Bruxaria/ Bobby Punky/ Barfly/ Black out/ O Beco/ Blue Band/ Bandaliera/ Bismuto/ Brigadeiro/ Borbotões/ Beto Beatle e Banda B/ Burning Brain/ Bossa in duo/ Bobo da Corte/ Bando Barato pra Cachorro/ The beavers/ Brigitte Bardot/ Bico Fino Brothers Band/ Baby Doll/ Bebeto Alves/ BoB/ Boicote/ Brasil Varonil/ Blackout Sul/ Bichano da Massa/ Berimbau/ Banda dos Corações Solitários/ The Beatles Magical Band/ Bebeco Garcia e o Bando dos Ciganos/ BSN/ Bataclã FC/ Big Chico/ Bidê ou Balde/ Bugallo/ Black Sheep/ The Beat Five/ Bandaneon/ The Best/ Banda de casa/ Brisocks/ Blanched/ Badulaque/ Black Master/ Beto Roncaferro/ Bric Brothers/ Betrayol/ The Baby’s/ Boneca de Pano/ Back on the road/ Black Soul/ A Barata Oriental/ Bilirubina/ Black Mosquito/ Bichano da Massa/ Beavers/ Balanço Geral/ Os Boinas Azuis/ The Beatles fun club band/ Boina/ Bugo Silveira/ Bruno Antunes/ Bruno Morais/ Bullet/ Beth Krieger/ Berê/ Beltrão/ Beto Bruno/ Brunetto/ Berenice Farina/ Bertrand Kolezca/ Bianca Fachel/ Bruno Antunes/ Betha Jaegger/ Beto Oliveira/ Beth Chaise/ Baca/ Bossa 50/ Beto Bollo/ Bill Matte/ Beto Castelarin/ Betha Jaegger/ Biba Meira/ Beto Ruschel/ Bugo Silveira/ Beto Rotenberg/ Breno Sauer/ Beth Chaise/ Breno Starosta/ Bad Fish/ Black Mosquito/ Blackbirds/ Brasinhas do Espaço/ Os Bruxos/ Boogaloo/ Os Beatos/ Bruxaria/ Os Bonitos/ Banana Maldita/ Bliferzantes/ Banda do Encontro/ Bacon 27/ Blumerang/ Black Trio/ Backstage/ Belladona/ Bertrand Kolezcka/ Black Limousine/ Banda do Dorinho/ Bleque/ Be’ living/ Bailanta/ Bleff/ Bliferzantes/ Banda du Porto/ Belos e Malditos/ Black ward/ The Boxer’s/ Bleffe/ Bandaue/ Os Bacanas/ Bluegrass PA/ Bandalarga/ The Best/ Bosque das Bruxas/ Black Opala/ Bad Fish/ Baby Doll/ Bestial Distraught/ Babysitter/ Black Power/ B.B.Band/ Beto Porto/ Bruno Acosta/ Beto Lacaze/ Batucada Atômica/ Banda do Garrafão/ Bandavanera/ Banzai/ Buenachos/ Bedeu/ Bonitinho/ Bandinha do Bertoldo/ BBossa/ Beto Herrmann/ Breno Ronchetti/ Beto Porto/ Burgomestre/ Breno Sauer/ Black Tools/ Beto Bollo/ Branca/ Berenice Azambuja
Ceres/ Os corujas/ Cinzentos/ Chimarruts/ Criado Mudo/ Cabala/ Catch a fire/ Cacto Rosa/ Confraria/ Credentials/ Chris Amoretti/ Cristiano Nichelle/ Carlos Maltz/ Cléo de Páris/ Catuípe/ Clave de Lua/ Coié Lacerda/ Calça Justa/ Chapéu de Cobra/ The Cheyenes/ Carlinhos Hartlieb/ Cartolas/ Os Clivers/ The Coiners/ Os Corsários/ Grupo Criação/ Cóccix/ Cactus Jack/ Cacto Rosa/ Carne de Panela/ Camaratta/ Cyco/ Coral do Cecune/ Camerata Brasileira/ Cais/ Cléber Fiorini/ Círculo de Violões/ Cordão de Cor/ Confraria do Samba/ Os Carlos/ Clarah Averbuck/ Calibre/ Cláudio e os Goldfingers/ Cover Boys/ Cadillac’s/ Caravan 79/ Celina Barbosa/ Caravan 79/ Consideração/ Crucifixion/ Os Comanches/ CCOMA/ Caravelle/ Os Ciclopes/ Coral Banrisul/ Cobaias/ Caixa de Espelhos/ Corsários do Parque/ Coeso/ Cássio Letona/ Cleiton Vittal/ Clayton/ Coisa Preta/ Cadillac/ The Chaves/ Clave de Vidro/ Corda de Bamba/ Cartel da Cevada/ Charles Master/ César Saraiva/ Cláudio Nilson/ Carlinhos Santos/ Cláudia Zuniga/ Clóvis Ostromayer/ Cristina Sorrentino/ Cláudio Vilanova/ Cristina Gerling/ Célia Franco/ Cláudio Levitan/ Cláudio Bonder/ Carlos Bicca/ Os Cavaleiros de Fogo/ Constelação/ Choque/ Controle Remoto/ O Cromo/ Os Clips/ Califórnia/ César Teixeira/ Cuca Medina/ César Augusto/ Cleyton Castilhos/ Celso Marques/ Caio Gomes/ Carlos Lichman/ Cícero Guedes/ Carlos Martau/ Chico Pedroso/ Carina Levitan/ Cabiduia/ Cucastortas/ Corolarium/ Os Cowbees/ Casa de Classe Média/ Café Marrakesh/ Carlão e Tedi/ Clube do Samba/ Clepsidra/ Cães de Aluguel/ The Cleans/ Cadillac 59/ Canícula/ Chico Ferretti/ Caça Níquel/ Caminhão Honesto/ Cuidado que mancha/ Cláudio Sander/ César Souza/ Carmelo de Los Santos/ Cleyton Castilhos/ Claitor Arthur/ Celso Krause/ Colombo Cruz/ Cheiro de Vida/ Coisa Rara/ Chaminé/ Casaco de Madame/ Cidadão Quem/ Corda de Bamba/ O Clã/ Casa da Sogra/ Cachorro Grande/ Charger/ Costellethas/ Calotas Cromadas/ Curaçau Blues/ 5 ampéres/ Catedral/ Cowboys/ Os Corujas/ 100% SUS/ Clemens/ Chaparral/ The Coiners/ Canto Livre/ Covero/ Café Y Açucar/ A Cretinice me atray / Coisas de Água/ Os Clivers/ Os Campeiros/ Constelação/ Coqueiro Verde/ Cuidado Menina/ Ciro Moreau/ César Franarin/Charles Delbono/ Cláudio Mariano/ Carlo Pianta/ Grupo Cordas e Rimas/ Clã Mcloud/ Cinzas/ Conjunto Carlos Alberto/ Contrabanda/ CR/ Calibre 66/ Carlos Lichman/ Os Cascavelletes/ Os Corrosivos/ Crushers/ Caravelle/ Candieiro/ Cólera/ Cemiramis Jazz Band/ Canibais/ Cecune/ Calota de Fusca/ Chamada Geral/ Carboxila/ Contraste Combo/ Coyote feyo/ Café Marrakesh/ Cantoria/ Cantadores do Litoral/ Cammelot/ Cláudio Spritzer/ Céu do Sul/ Cau Hafner/ Cléber Correa/ Clóvis Ibanês/ Carla Kieling/ Cláudia Braga/ Carlos Badia/ Cachaça/ Carina Donida/ Chico Padilha/ Cícero Guedes/ Cláudia Braga/ Carlos Medina/ Carlos Badia/ Cézar Ferreira/ Carlinhos Santos/ Clio Paulo/ Cao Guimarães/ Cristine Patané/ Celso Lima/ Cristiano Bertolucci/ Chandele/ Cristiano Quevedo/ Corda de bamba/ Calmon/ Canela/ Cabeça, Tronco e Membros/ Cozinheiros/ Caia na Raia/ Cao Trein/ Chernobyl/ Celso Jardim/ Cimbal/ Curto Circuito/ Casa de Classe Média/ Crazy Diamond/ Chespiritos/ Cia. Gaúcha/ Coral Sesc/ Coral da UFRGS/ Coral da Aços Finos Piratini/ Coral 25 de Julho/ Caia na Raia/ Café Acústico/ Canta Povo/ Contragolpe/ Carbono 60/ Cavalo Doido/ Couro, cordas e cantos/ Cláudio Vera Cruz/ Corações Solitários/ Caravelle/ Caravana/ Chips/ Coupe de Ville/ Canavalhas/ Casa da Sogra/ Café Som e Leite / Canastra Suja/ Choque Elétrico/ Câmbio Negro/ Complexo de Épico/ Clã destino/ 5 ampéres Cappellrock/ Casulo/ Caracol/ Cep 90000/ Charlote Dorfman/ Cassius Garcia/ Cláudia Ribeiro/ Celso Coelho/ Clarice Nejar/ Cláudio Calcanhotto/ Corja/ Chulé de Coturno/ Clitóris Incandescente/ Canastra Suja/ Corda de Bamba/ Colateral/ CHC/ Cacto Rosa/ Chiclé Demência/ Cartel/ Contrato de Risco/ Catedral/ Cíntia Rosa/ Cardo Peixoto/ Cláudio Sander/ Careca da Silva/ Chico Saratt/ Celso Iuck/ Claus e Vanessa/ Controvérsia/ Cóccis/ Os Coiotes/ Cabala/ Cheiro de Paixão/ Cowboys Espirituais/ Coquetel Molotov/ Chatorresto/ Cobra Criada/ Clepsidra/ Confraria do Sax/ Carburador Azul/ Cinema/ Contrabando/ Clã Mcloud/ Cara e Coragem/ Canção/ Contraregra/ Os corsários/ Cobaias/ Comunidade Nin-jitsu/ Carmen/ Colarinhos Caóticos/ Crisium 666/ Só Credence/ Ciro Trindade/ Contos e Fatos/ Carqueja/ Chico Preto/ Chargy/ Credentials/ Carona/ The Chaves/ O cerco/ Cristiana Pretto/ Caia na Raia/ Calique Ludwig/ Carlos Branco/ Cau Neto/ Cigano/ Country Gurias/ The Chaves/ Código Moral/ César Dorfman/ Clóvis Câmara/ César Audi/ Cao Karam/ Charles Vianna/ Cristiano Albrecht/ Cristine Patané/ Clóvis Boca Freire/ Clóvis (percussão)/ Carlos Patrício/ Caixa Preta/ Cinema/ Catavento de Bolso/ Cheiro de Paixão/ Coverboy/ Cow Bees/ Coisa Preta/ Cantakgente/ Coffe and Roll/ Circuito Emocional/ Contrarregra/ Cube/ Cocada Preta/ Creeper/ Carona/ Cavalo Horse/ Cinza e Azul Noite/ Crazy Mama Band/ Chad Bold/ Cerco/ CSD/ Chico Gomes/ / Carlos Magno/ Carlos Alexandre Machado/ Caco Santos/ Celso Bastos/ Coca Barbosa/ Cabo/ Culpados Inocentes/ Caulfield/ Chatman/ Cobaias/ Conexion Espiral/ Cor Brasil/ Código Penal/ Grupo Centelha/ Cleber/ CNS/ Carne de Panela/ Clã-Destino/ Charger/ Cartomantes/ Carlos Stein/ Calibre/ Calígula/ Os Canalhas/ Conexão Pop/ Os Corsários/ Chiripás/ Garotos do Fandango/ Caixa Preta/ Chamada Geral/ Canção/ A Cura/ Constant Turbulence/ Café Black/ Circuito Emocional/ Camboja Motel/ Criptograma/ Coice Elétrico/ Clemens/ Confraria do Sax/ Castelo Forte/ Os Chihuahuas/ Coisarada/ Cristina Sorrentino/ Celso Guttfreind/ Carlos Cachoeira/ Cristine Patané/ César Navarro/ Christian Salvatti Paim/ Claiton Ribeiro/ Celso Krause/ Choque/ Choque Mental/ Chico Castro/ Cláudio Bonder/ Clarissa Peretty/ Cristiano Hanssen/ Cidinho / Christian Ivers/ Clóvis Soibelman/ César Souza/ Carlos Calcanhotto/ Cristiano Quevedo/ Cláudio Nilson/ Cláudio Medina/ Cigano/ Charão/ Cézar Ferreira/ Clóvis Câmara/ Celso Campos/ Cesar Franarin/ Cláudio Heinz/ Chaka/ Cocktail Molotof/ Columbia/ Crossover/ Canastra Suja/ Crazy Guns/ Grupo Catedral/ Cia Show 4/ Coma Alcóolico/ Crossroad/ Curto Circuito/ Criado Mudo Calavera/ Conexão do Rock/ Crossfire/ Choque Térmico/ Cláudio Mariano/ Cristina Carraro/ Os Corujas/ Charles Delbono/ Chaossign/ Caneka Virtual/ Charque in Blue/ Coisas de Água/ Culpados Inocentes/ The Chaines/ Classic Rock Band/ Chapa/ Cyco/ Coisa Rara/ Café Acústico/ Cigarro Elétrico/ Cinza e Azul Noite/ Conjunto Bluegrass Portoalegrense/ Cano Serrado/Cursed Day/ Cláudio Baraldo/ Carlos Procat/ Careca da Silva/ Carlos “Lots”/ Cléber Leão/ Castor Daudt
Dany e Banda/ De Falla/ The Dragons/ The Dazzles/ Delips/ Draco/ Dead Fingers/ Os Daltons / Dublê/ Diretoria/ Dark Celebration/ Durango 95/ Dog Years/ Danni Calixto/ Dzagury/ Da Guedes/ Dopamina/ Diorama/ Destroyeer/ Doroth/ Denix/ Dose Dupla/ Dpressão Doidivanas/ Dimensão 70/ Diálogo com a grama/ Diplomata/ Dexcart/ Dread Rock/ Discocuecas/ Dchumanizer/ Dread Locks/ Doctor Flowers/ Dólar/ Demian/ Discípulos do mestre shao/ Delusi/ Daniel Tessler/ Daniel Mossman/ Dolly/ 10000KPNR/ Dick House/ The Darma Lovers/ Dayse Aguiar/ Dinartes/ Dissidentes/ De vez em canto/ Dick Três Band/ Dr. Molina/ The Dragons/ Devil’s pray/ Doce Veneno/ The Dogs/ D’ Drops/ DKLC/ De Luke/ Decavê/ Dois por quatro/ Dona da Banda/ Domingos Cray e Banda/ Dedé e os Ajudantes/ Dado Jaegger/ Denise Guariente/ Deco Correa/ Daniel Debiagi/ Douglas Araújo/ Daniel Nodan/ Denise Fontoura/ Dona Benta/ Denise Lahude/ Dione Spillari/ Dan Berger/ Dan Ferretti/ Daniel Hoeltz/ Demósthenez Gonzales/ Duda Velasquez/ Doce Excesso/ Dan Berger/ Daniela Xavier/ Dante Ramos Ledesma/ Dona Benta/ Dilan Camargo/ Diego Grendene/ Diego de Abrantes/ Diego Silveira/ De Santana/ Daniel Lemos/ Dionara Schneider/ Digue/ Dtones/ Dija/ De Bom Tom/ Demma/ Doce de Leite/ The Dragons/ Dyemo/ Dick três/ Devision Sex/ Dona Benta/ Da Boca pra fora/ Devas/ Dreamers/ Djanka/ dtones/ The Dogs/ Dogmma/ Dama e os Valetes Doidos/ Os Deltas/ Da Raiz/ De Esquadra/ Desvio Padrão/ Dinamite Joe/ Dr. Lince/ Dissidentes/ Dexter/ Da vazão/ Dois que vem do Rio/ Decavê/ D’ Front/ Dobradiças Velhas/ Diffuse/ Duda Guedes/ Dunga/ Duda Follman/ Denise Tonon/ Dani Dubin/ Dido Portinho/ Doca Ferreira/ Donni Grahl/ Didi Gloor/ Dedé Ribeiro/ Desireé/ Dmitri Cervo/ Daysi Folli/ Deborah Finocchiaro/ Dimitri Arbo/ Dunga/ Draft/ Demian/ Device/ Dona Normanda/ Derivados do Rock/ Dr. Flores/ Dread/ Duo Araucária/ Dr. No/ The Dragons/ Dyackzuza/ As Debis Vocais/ Draft/ D’ Jeito Novo/ Downtown Groove/ D’Pirraça/ Draco/ Di brincadeira/ Doctor Miller/ Distorce/ DDT/ Damn Laser Vampires/ Deus e o Diabo/ Djambi/ Diz Play/ Duo em Branco e Preto/ Discovery/ Desvio Padrão/ Dick três band/ Dr. Medo/ Dark Asylum/ Dark Wish/ Dona Normanda/ Dellitus/ Dama e os valetes doidos/ Die Fledermaus/ Dimensão/ Dallas/ Doctor Rocky/ Duo Deno/ Di Feack/ Daysi Aguiar e os quariteus/ Delittus/ Daniel e a cova dos leões/ Djungle/ Defghi/ Doktor Kill/ Digue/ Dr. Gary/ Donabella/ Do you like/ Duo Hilibilly/ Doctor dog/ Daniel Azevedo/ Dodge 73/ Doce Vício/ Os Delfins/ Delírio/ Destaque Musical/ Dick Fellow/ Dama da Noite/ Decibeiz/ Doce de Leite/ Doctor Flowers/ Duffos/ Duo Retrato Brasileiro/ Da Guedes/ Diego Dias/ Drive/ Deio Escobar/ Demétrius Câmara/ Dolly/ Duffus/ Didadó/ Doctor Jazz Band/ Dimensão 2001/ Desfauk/ Duets/ Duques da Província/ The Dancing Demons/ Devils/ Dias/ Deus e o Diabo/ Os Delirantes/ Dry Martini/ Dr. Medo/ DNS 8/ Dallas 23/ Direto da fábrica/ Dolly Dagger/ Dogma/ Doctor Lee/ D’ Quina prá Lua/ Donna Lee/ Djambo/ Dois pra lá, dois pra cá/ DNA/ 288/ Duplo Deck/ Demobanga/ Os DMLU/ Dudu Penz/ Djambo/ Dany Falks/ Davi Piangers/ Davi Dewitt/ Danilo Fantinel/ Diego Cartier/ Diogo Darkie/ Davi Moreira/ Dúnia Elias/ Diego Medina/ Daniel Braga/ David Guetta/ Dimensão 2001/ Os Dráculas/ Doiseumindoisema/ The Dragons/ Diego Cartier/ Daniel Weinman/ Daniel Nodari/ Dudu Trentin/ DNS 8/ Dualen/ Delírio/ Deite Rolly/ Dreamers/ Devas/ Digue/ Dr. Lince/ Deathrider/ Daniel Wolff/ Daniel Sá/ Daniel Lemos/ Daniel Scheer/ Dudu Sperb/ Dante Jr./ Dayana House
Engenheiros do Hawaii/ Os Eles/ Elétrika Tribo/ Elojac/ Os Efervescentes/ Eco do Minuano e Bonitinho/ Eróika/ Espaço Brasil/ Elizinha Coelho/ Grupo Ensaio/ Elfo/ Egisto dal Santo-Ophodge/ Espectro/ Estrelas do Pago/ Espumas Flutuantes/ Élbia Solange/ Éverton Rodrigues/ Edgar Branco/ Edinho Espíndola/ Elda Pires/ Edilson Ávila/ Ernesto Fagundes/ Ed Castellano/ Émerson Gottardo/ Enio Burgos/ Elda Pires/ Elza Crivellaro/ Eduardo Nadruz/ Edgar Araújo/ Edu Saffi/ Eduardo Bighelini/ Érico Moura/ Éverson Vargas/ Os Espiões/ Grupo Escolar/ Evasão/ Eridanus/ Os Escamosos/ Edel/ Espaço Brasil/ Estúdio S/ Érica Marins e os Telecats/ Estrada de Ferro/ Empire Darkness/ Esbugalha meu bem/ Os Espaciais/ Emergência/ E-Trio/ Everton Pires/ Evandro Moah/ Edinho Galhardi/ Edemir Giaconelli/ Émerson Ribeiro/ Edu Colvara/ Edu Natureza/ O Estado das Coisas/ O Espírito da Coisa/ Extremo Os Escamosos/ Impacto/ The Efficients/ Eickoff/ Elenco/ Éden/ Exquadro/ Espaço Brasil/ Essência/ Os Esqueletos/ Eu e mais dois/ Emoção/ Eco do Pampa/ Elenco/ Everest/ O Embalo/ Essência/ Ed Napoli/ Eder Bergozza/ Ether/ Estado Capital/ Expresso Tchê/ Escorpião Alado/ Em palpos de aranha/ Enigma/ Efeito SA/ Esfera Cósmica/ Espelho das Águas/ Estrada/ Exceção à regra/ Empíricos/ Ecos do Mississipi/ Expresso Oriente/ Eucalóides/ Extraturbo/ Eureka/ Eduardo Martinez/ Evandro Demari/ Estado Inevitável/ Elektra/ Elis Regina/ Érico Castilhos/ Elenara Nunes/ Edgar Powarczuk/ Eduardo Milan/ Edson da Rosa/ Eletrostática/ Escorpião Alado/ Época/ Everest/ O Elenco/ Excelsior/ Espectro/ Edson Rodrigues/ Escorpião Alado/ Espaço Brasil/ Edgar Araújo/ Edmund Richards/ Elmo Rodrigues/ Emílio Pacheco/ Edmar Fabrício/ Elaine Geissler/ Edu K/ Edgar Pozzer/ Eloy Fritsch/ Eliane Strazas (Xuxa)/ Eduardo Porto/ Eleu Salvador/ Eduardo Nadruz/ Eleuzinho/ Estevão Camargo/ Elenco/ Eric Van Delic/ Esfera Cruel/ Os Escamosos/ Efeito Moral/ Émerson Maicá/ Emerson Nunes/ Ernani Counsadier/ Epithaph/ Ecco Latino/ Euterpe/ Elevation/ El Serelepe/ Eccos/ E-Trio/ Evento/ Espelho das Águas/ Evil Fox/ Etílicos e Sedentos/ Emer Rock/ Esfinge de Cristal/ Em intensa atividade audiofônica/ Eliane Salek/ Émerson Maicá/ Eugenia Puro Rock/ Encruzilhada/ Esporte pra dois/ Evolution/ Espectro Sonoro/ Eduardo Garcya/ Eduardo Cristi/ Eduardo Egs/ Edgar Araújo/ Exodus/ Érico Moura/ Eduardo Prates/ Edgar Araújo/ O Esquadrão/ Elton Kohler/ Eduardo Martinez/ Enigma/ Embalo 5/ Eduardo Reck Miranda/ Elisandro Max Borba/ Eliseu Silva Pereira/ Eduardo Solari/ Émmerson Ribeiro/ Édson Jr./ Érika/ Eu, o Zé e os Cara/ Estação Trio/ Expresso 21/ Elektra/ Elenco/ Elton/ Exército Vermelho/ Expresso 25/ Estrela Rasta/ Estação Zero/ Encruzilhada/ Elenco/ Enzo e Rodrigo/ Os Esqueletos/ Estela/ Eridanus/ Élvis Presley Cover/
Freud explica/ Fat Blues Chaminé Band / Fechado pra Balanço/ Faskner/ Flu/ Fornazzo/ Frank Jorge/ Feito em casa/ Fluxo/ Feitoria/ Floreio/ Free Riders/ Formigos/ Fio Desencapado/ Fechado pra Balanço/ Fashion Guru/ Fu Wang Foo/ Frank Solari/ Fantomas/ Fausto Prado e Caetano Silveira/ Fábio Mentz/ Os Frank’s/ Fredi Gerling/ Os Faraós/ Franco Scornavacca/ Fabiano Souza/ Fernando Pacote/ Os Fantásticos/ Os Felinos/ Flávio Azevedo/ Full Jazz/ Filipe Catto/ Fernanda Xavier/ Fábio Milman/ Facção Brasil/ Fruto/ Fapo/ Fliperamas/ Flor de Cactus/ Fogaça/ Fred Endres/ Felipe Franco/ Felipe Silveira/ Fábio Coimbra/ Fernando Mattos/ Flabian Meinardo/ Flávio Richter/ Fabiano Moreau/ Fernando Ribeiro/ Fabiano Dian/ Fantomáticos/ Funkisons/ Musical Fantástico/ Fábrica Sonora/ Farol/ Facção Brasil/ Funeral/ Forja/ Os Funéreos/ Fughetti Luz/ Fazendeiros/ Feio e os caras/ Flávio Coelho / Falso Acaso/ Fernanda Kruger Trio/ Fuga/ Fullplate/ Foxy Lady/ Feijoada Completa/ Fruto/ Fullplate/ Feltes & Dieter/ Folk Brothers/ Fernando Pesão/ Fábio Rosa/ Fábio Musklinho/ Fábio Mentz/ Fernando Cardoso/ Flora Almeida/ Flávio Pechansky/ Flávio Bicca Rocha/ Felipe Faraco/ Flávio Medina/ Flávio Hansen/ Foguinho (I e II)/ Flávio Big Dog Assis/ Flávio Chamis/ Felipe Franco/ Frutos da Crise/ Furacão/ Feizer/ Fuga/ Fechado pra Balanço/ Fábio Marrone/ Full Jazz/ Fantomáticos/ Fillipi Lua/ Fernando Noronha e Blacksoul/ Fliperamas/ Farenait/ Fratura Exposta/ Fohat/ Filhos da Pauta/ Freak Brothers/ Forja/ Fita Tape Kamikaze/ Falsa Ira/ Frida Kahlo/ Freak Brotherz/ Furacão/ Fenrier/ Fulla Mamma/ Flores do Fogo/ Floricultura/ Fator RH/ Banda Fetter/ Flutuantes/ Fat Duo/ Fhaice/ Faichecleres/ Os Felinos/ Fruto Proibido/ Freakazóide/ Farra de Rua/ Flora Almeida e Kozmic Blues / Frank Franklin/ Filhos de Outrora/ Fernando Collares/ Fresno/ Flávio Adonis/ Fuga/ Free Grass Jam Band/ Fruet e os Cozinheiros/ Falsa Ira/ Os Felinos/ Flávio Brasil/ Fuga/ Flamingo/ Flash/ Funktrônicos/ Fozzy/ Full Plate/ A Falha de Santo André/ Fighterloard/ Força Latina/ Flamboyant/ Fluxo M/ Conjunto Farroupilha/ Fernando Corona/ Frank Franklin/ Flávio Mattes/ Farewell Blues/ Flora Almeida/ Felipe Jotz/ Full Plate/ Fábio Zebra/ Flavio Soares/ Fábio Cruz/ Fábio Ly/ Fernando Collares/ Fátima Gimenez/ Flávio Brasil/ Flávio Santos/ Fernando Petry/ Fernando Maltz/ Fernanda Nóvoa/ Flávio Oliveira/ Flor de Lótus/ Fenx/ FMDEBI/ Família Lima/ Fireway/ Feizer/ Fanzine/ Favo de Mel/ Faskner/ Filhos da Terra/ The Fire’s Boys/ Fhaico/ Fapo/ Fall Up/ Free Jack/ Formigas e Banda/ Fernando Paiva/ Feijoada/ Flamingo/ Frutos da Crise/ Fuga/ Falante 15/ Família Sarará/ Fernando do Ó/ Felipe Azevedo/ Flanders 72/ Flor de Lótus/ Farinha do Bruxo/ Grupo Folk (I e II)/ Fun Rock/
Garotos da Rua/ Giba Giba/ Gil Gérson/ Giovani Berti/ Giovani Porzzio/ Gustavo Telles/ Gil Soul/ Gilberto Travi e o cálculo 4/ Groove James/ Grupo Latino/ Grooveria/ Grito Latino/ Garatuja/ Guerrilheiro Anti-Nuclear/ Geração Perdida/ Grosseria/ Guito Thomas/ Grupesquisa/ Goo Brothers/ Good Morning Kiss/ Gim Tamarindo/ Gramophônica/ Gravidade Zero/ Os Goldfingers/ A Gang/ Os Gobbis/ Geu Boys/ O Grupo/ Os Gertrudes/ Grandbell/ Grow’s/ Gabi vai tocar/ Galponeros/ Gabriel Von Brixen/ Günter Trio/ Guiza Ribeiro/ Grandmas’s Grape/ Garatuja/ Galãs da Menopausa/ Goo Brothers/ Grupo Nativo Guará/ Guaíba Show/ General Lee/ Garota Verde/ Graforréia Xilarmônica/ Gabriel Moojen/ Gárgulas/ GR Show/ Gambona/ Gisa Volkmann/ Gisa Pithan/ Gérson Prestes/ Gustavo Dreher/ Gil Franco/ Gilmar Celau/ Gilberto Franco/ Gustavo Leindecker/ Guilherme Bulla/ Gaúcho da Fronteira/ Maestro Garoto/ Gyba Soares/ Geraldo Fischer/ Glória Oliveira/ Gerry Marquez/ Geraldo Freitas/ Guiza Ribeiro/ Galia/ Gata/ Glei Soares/ Gerson Prestes/ Gilberto Quadros/ Os Galgos/ Gilberto Reis/ Gilberto Rosa/ Gilmar Goulart/ Gilmar Barela/ Gabriel Von Brixen/ Gérson Werlang/ Ghaia/ Gilberto Oliveira/ Gilberto Lima/ Gilberto Franco/ Guito Thomas/ Geraldo Oliveira/ Guinha Ramires/ Giba Skolnicov/ Gabriel Azambuja/ Galileu Arruda/ Gracie/ Gallaxy Trio/ Gastão Villeroy/ Gárgulas/ Gracinha Magliani/ Gustavo Dreyer/ Gabriel Moojen/ Gabriel Azambuja/ Gaspo e Oly Jr/ Greice Morelli/ Os Galponeros/ Guerrilheiro /Gélson Schneider/ Gustavo Broch/ Gustavo Pereira/ Gisele de Santi/ Gil Coelho/ Gélson Oliveira/ Gustavo “Mini” Bittencourt/ Glória Bernardete/ Giovani Mesquita/ Glênio Perez/ Os Galgos/ Henri Welter Osório/ Geraldo Santanna/ Gordo Miranda/ Gaúcho Blue/ Giselle Gutter & Hard Company/ A Gang do Tchê/ Garotos de Ouro/ Griffon/ Garotos do Baile/ Gravidade Zero/ Gurizada/ Go Diva/ Gasoline/ G.O.E/ Geração Perdida/Gaúcho da Fronteira/ Geraldo Flach/ Gerry Marquez/ Gilmar Barela/ Geraldo Oliveira/ Gilberto Benatti/ Gustavo Hortácio/ Guilherme Bulla/ Garotos do Baile/ Grosseria/ Greek Van Peixe/ Gérson Werlang/ Grass Effect/ General Smith/ Gabardines/ Get Up/ Gaúcho Blue/ Gordini Fuçado/ Garagem S/A/ Grou/ Groove da Trupe/ Os Galgos/ The Good Times Band/ Gordo Miranda/ Grupo Escolar/ Gramophones/ Glauco Sagebin/ Gueppardo/ Gárgulas
Hermes Aquino/ Harmadilha/ Hoochie Coochie Band/ Hallay Hallay/ Hálito de Funcho/ Hangar XVIII/ Holandês Voador/ The Handsomes/ Conjunto Heitor Helt/ Hora Certa/ Hangar/ Os humanóides/ Hanamech/ Hard Working Band / Hard west/ Hacuna Matata/ Habeas Corphus/ Os Hienas/ Os Hawaianos/ The Hermann’s/ Hey Mama/ Herméticos/ Hollister & Banda/ Hecatombe/ Conjunto Herbert Gehr/ Herméticos/ Os Hippies/ Hermes Richetti/ Hilton Vaccari/ Homero Feijó/ Hardy Vedana/ Henri Welter Osório/ Henry Lentino/ Heloísa Weinreb/ Horacina Correa/ Hugo Travi/ Homero Feijó/ Hique Gomes/ Henrique Guedes/ Henrique Gloor/ Hevelyn Costa/ Henrique Mann/ Hora Certa/ Hosanas/ Hang Over Band/ Hermit Age/ Henrique Wilasco/ Helena Weinberg/ Heinoê Ferreira/ Helô Romero/ Helena Knijnik/ Hilton Vaccari/ Henrique Wendhausen/ Horizonte/ Hangar/ Hedera Helix/ Hifens/ Hangmen/ Hoochie Coochie Band/ Himalaia/ Hangloose/ Os Humanóides/ Hot dog xis e pepsi/ Heinoé/ Henrique Kunz/ Hangmen/ Ha-Ha/ Os Heterogêneos/ Hawai/ Hey Bulldog/ Humberto Gessinger/ Os Horácios/ Hangar 2B/ Hype! Machine/ Hippies e Yuppies/ Heaven Knows/ The Henkes/ Holy Beer Lovers/ Hipnóticos/ Hecatombe/ Henrique Tolloti/ Hipertensão/ Histórias do Rock Gaúcho/ Haydée Guedes/ Habitantes do Planeta/ Harpsyn/ Häns/ Holyfire/ Hybria/ Helena Waimberg/ Heron Heinz/ Hopio/ Hot Rocks/ Hoodoo Blues/ The Hooligans/ H 2 rock/ Heróis Bandidos/ Help/ Hang over boys/ Os Hippies
Impacto/ Identidade/ Identidade Zero/ Irmãos Brothers/ Izmália/ Iskar/ Ironia/ Los Insólitos/ Iguana/ Ilan Big Mac/ Iara Lemos/ Iben Ribeiro/ Ives Mizoguchi/ Ita Arnold/ Inconsciente Coletivo/ Os Incendiários/ Los Infernales/ Imagem/ Itamone/ Instinto Mór/ Irmãos Panarotto/ Issur & Vice Verso/ The Inocents/ Os integralistas/ Ipsis Litteris/ I hate school/ Irmãos Rocha/ It’s all red/ Iskar/ Ideal Stéreo/Iran Rosa/ Invitro/ Insite/ Os Indomáveis/ Ivo Fraga/ Ivone Pacheco/ Inácio do Canto/ Ivaldo Roque/ Os Incógnitos/ Ivo Eduardo/ Iuri Freiberger/ Isabela Fogaça/ Os Invencíveis/ Os Impossíveis/ Os Invictos/ Iveth Maya/ Isabel L’arian/ Invisible Noise/ Os Invisíveis/ Indiana Rock/ Iron Cover/ Inovação/ Invert/ Conjunto Icaraí/ Os invisíveis/ Inseto Social/ Indústria Nacional/ Os Iniciáticos/ Império da Lã/ Indústria Musical/ Inseto Social/ Issur Acústico/ Os indomáveis/ Ideal Stéreo/ Os Incendiários/ Impulso 70/ In Verso/ Ilse Lampert/
Jah Mai/ Justa Causa/ J.J. & Co./ Júlio Reny e Banda Expresso Oriente/ Jeferson Marx/ Jerônimo Bocudo/ Jorge Hermann/ Jack Rubens/ Joca Vergo/ Jorge Foques/ José Mendes/ Justino Vasconcellos/ Jorge Dorfman/ João Alberto Soares/ João Palmeiro/ James Gomes/ João Schu/ Jakka/ Jessé Silva/ João Carlos dos Santos/ João Mantovani/ José Mendes Jr./ Jorge Guedes/ Jean e Jardel/ Júlio Porto/ Júlio Porto/ João de Deus/ Júlio Rosenberg/ Juliana Farina/ Juliano Trindade/ Juliano Courtuah/ Justa causa/ Os Jatos/ Jovem Record/ Juntos/ Justine/ Jeans/ JM/ Julie’s Gang/ Je Reviens/ Conjunto Musical Jilez/ Índio e a Tribo/ Conjunto João Roberto/ Jazz Noir/ Jimi Joe/ Júlio Rizzo/ July Manzi/ Jaja e Trio/ João Almeida Neto/ João Villaverde/ Júlio César Thor/ Júlio Fürst/ Juliano Moreno/ José Francisco Barbosa/ João Pernambuco/ Jonas Correa/ Joe Euthanásia/ Os Jetsons/ Jogo Sujo/ Jolies/ Jack Fumê/ JH/ Joey’s/ Jorge André Brites/ Jorge Vargas/ Júpiter Maçã-Aplee/ Jack Sorridente/ Jair Kobbe/ José Fogaça/ James Liberato/ Jordan Nunes/ João Rocha/ Joel Faerman/ João Batista/ João Manoel Blattner/ João Bolsoni/ Jerônimo Jardim/ José Loguércio/ Júlia Barth/ Júlio Herrlein/ Joãozinho Steibel/ Jonas RK/ José Cláudio Machado/ Jorjão/ Jorge Foques/ Josiane/ Jacques Maciel/ Jackson Zambelli/ João Antônio Araújo/ Júnior Healy/ Joca Libânio/ Joca Marques/ João Maldonado/ Juliana Walteman/ Jorge CIdade/ João Ivo/ João Fondaik/ Júlio Serrano/ Joceley/ Júlio Porto/ João Mayer/ Jorge Gerhardt/ Jean Melgar/ Jean Presser/ Johnny Cardoso/ Janet Cirne/ Júlio Cascaes/ Júlio Andrade/ Júlio Andrade/ Juarez Fonseca/ J Clip/ Jet’ Sons/ JK Bak/ Juntos/ Jazz 6/ Jady Ohana/ Jardim Secreto/ Jack Daniels/ Os Jones/ José Rogério Licks/ Jogo sujo/ Jua Ferreira/ Jack Mahal/ Jajá e Trio Jerereh/ Jardineiros/ Jazzmin/ Jazz 6/ Judit/ Os Jobinianos/ Jeannie Magic Blues/ Júnior e Juliano/ Júlio Igrejas/ Jack Soul/ Jack e os estripadores/ Jorginho do Trumpete/ Jossiano Leal/ Jayme Caetano Brown/ Jones Maya/ João Chaminé/ Jana Maldonado/ João Guedes/ José Timóteo da Rocha/ Júlio Porto/ Joca Martins/ Jorginho Domingues/ Jady Ohana/ Jasmins do Paraíso/ João Levy/ Jorge Vargas/ Jorjão/ John Band
K30/ K-West/ The Kommo/ Kúria/ Kachimbus / Kooks / Khaos/ Kleiton e Kledir/ Kafka Band/ Kinto Selo/ Kalua/ Karine Cunha/ Kláudia/ Kitty Santos/ Kátia Chiappini/ Kim Ribeiro/ Kaio Oliveira/ Kako Xavier/ Kimica Pop/ Kiko Freitas/ Karybe/ Kill All Hits/ The Kinds/ Krisium/ Kengo Tri/ Kung Fu/ Kyrie/ Keepers/ Kosmic Blues/ Kayanos/ Kiko Corrêa/ Kiko Mello/ Karine Rodrigues/ Kelvin/ Kaos do Porto/ Koi/ Kabongo Latino Jazz Combo/ Kriz/ Kara Dura/ Kasulo/ Karandache/ Kali/ Kathedral/ KM 0/ Karaguattá/ KM/ Karma/ King Size/ Kriz e Banda/ Kívya/ Kadafi/ Kasado/ Karl Faust/ Kau Azambuja/ Kitty Driemeyer/ Kid Cegonha & Banda/ Kiko Mendes/ Keóps/ Kadica Souto/ Kcláúdio/ K-Zulo/ Kubilay Uner/ Kyle Chadi
Liverpool/ Leviathan/ Leão de Judah/ Locomotores/ Lica/ Luciano Albo/ Lúcia Severo/ Lovecraft/ Lithium/ Louca Sedução/ Liberdade Condicional/ Levitan e os Tripulantes/ Lirit/ Lobos da Rua/ Lifeless/ Luz Divina/ Leco Ferrara e os Coiotes/ Long Play/ Lorenzo y La nota falsa/ Leco Alves/ Lisiane Lorencena/ Loma/ Luisinho Santos/ Luciano Maia/ Luís Fernando Veríssimo/ Labaredas/ Luiz Coronel/ Luiz Paulo Faccioli/ Leandro Spencer Chaves/ Lúcio do Cavaquinho/ Lourdes Rodrigues/ Lila Vieira/ Les Responsables/ Leonardo Bomfim/ Leonardo Stüpp/ Lúcia Helena/ Laís Marques/ Léa Betine/ Luciano Dalmolin/ Livres de Si/ Leonardo Bastos/ Luiz Bento/ Luiz Viera/ Luíza Caspary/ Luiz Walter/ Luciana Rodrigues/ Léa Cintra/ LBS 8/ Leonardo Silva/ Luciana Prass/ Lúcio Yanel/ Laco Bassualdi/ Lazaro Nascimento/ Lê Daros/ Leo Ferracini/ Lizza Dias/ Luciano Gerling/ Luís Basso/ Léo Ferlauto e Banda Delírio/ Laís Band/ Lira Clandestina/ LBS 8/ Look for a star/ Las Vegas/ Los Medonhos/ Line Six/ Lekan Trio/ Lúcio Dorfman/ Luis Zen/ Leôncio Severo/ Luigi Matté/ Lila e Skin/ Leo Ferrarini/ Luís Sant’anna/ Luís Palmeira/ Luciana Costa/ Luiz Cláudio e a Tribo da Vanera/ Lincon/ Lade Dy/ LSD/ Lactuca Sativa/ Lost Cause/ Loko’s de Bira/ Livewire/ Lobos da Rua/ Lyse/ Lobo da Estepe/ Lollypops/ Lado B/ Leo do Canto/ Lee Jhones/ Luiza prefere a morte/ Lord Sky/ Lancaster/ Luis Henrique Tchê Gomes/ Laine/ Luciene Adami/ Leca Machado/ Leôncio Severo/ Luis Mauro (pai e filho)/ Lucille Band/ Lori Finocchiaro/ Laura Finocchiaro/ Litúrgica/ Line Six/ Licor de cera/ Les Responsables/ Lutto!/ Ludovicos/ Os Ladinos/ Long Play/ Laranja Mecânica/ Lustrando os Trastes/ Lovers Dog/ The Liders/ Grupo Latino/ Leleco Telles/ Luciano Preza/ Lúcio do Cavaquinho/ Lynce/ Leca/ La Fauna/ Lupicínio Rodrigues/ Luis Valério/ Leonardo/ Lauro Ney/ Leonardo Bomfim/ Luciano Leindecker/ Leviratu/ Los Comparsas/ Os Lobos/ Ludy/ Lúcio Cadó/ Luís Valério/ Leather Apron/ Ligante Anfetamínico/ Os Loxas/ Loading/ Luciano Zanatta/ Luciano Gallo/ Leonardo Bastos/ Luís Fernando Veríssimo/ Luka/ Lothar Gutierrez/ Lady VI/ Luciana Prass/ Leonardo Panuzzo/ Luis Delfino/ Léo Henkin/ Luciano Alabarse/ Luis Roberto Silveira/ Lívio Gomes/ La Fauna/ Letícia Oliveira/ Latino Jazz Combo/ Luciana Pestano/ Luis Ewerling/ Leandro Branchtein/ Lucas Esvael/ Lu Barros/ Os Lobos/ Leonardo Ribeiro/ Laranja Freak/ Luis Santarém/ Laut musik/ Luciano Maia/ Lila Vieira/ Lu Geiger/ Leopoldo Rassier/ Luis Eugênio/ Luciano Granja/ Lords/ Luís Vagner/ Leonardo Muniz/ Leandro Blessmann/ Leonardo Brunelli/ Luciana Tomasi/ Luciano Leães/ Lionel Gomes/ Leões e Poetas/ Luis Eugênio/ Luz Van/ Liane Klein/ Laís Tetour/ Little John Band
Os Monges/ Monjolo/ Mutuca e os Animais/ Moog/ Magician/ Made in Brasil/ Mauro Rotenberg/ Morongo e Gata/ Maria Helena Anversa/ Maria Helena Andrade/ Mozart Leitão/ Maninha Pedroso/ Manfredo Fest/ Marcelo Truda/ Muchacho/ Maurício Santos/ Miro Santana/ Miro Fagundes/ Marcos Genner/ Marco Gottinari/ Mário Freitas Ramos/ Marcelo Lehman/ Mr. Papoo/ Mamma nox/ Matilha/ My Soul/ Monkey Man/ Matizes/ Megalon/ Os Monarcas/ Os Montanari/ Os 1000 tons/ Montanha Russa Sonora/ Mendigos da Noite/ Mr. Papoo/ Os Mongóis/ Manchester/ Os Monges/ Monjolo/ Mocambo/ Mooge/ Mr. Deco e os Tornados/ Mantra/ Magma/ The Marvins/ The Medleys/ Os Muripás/ Misturantes/ Momento 68/ Micróbios/ Maomé/ Os Magnos/ Os Mágicos/ Monterrei/ O momento/ Minimaus/ Mell Peck/ Moulin Rouge/ Mantra Jazz Rock Circus/ Marcondes e a função/ Matizes/ Mandala/ Mensagem/ Misantropia/Os Mônadas/ Melodia/ Os Melomaníacos/ Os Milionários/ Miguel e Almas/ Matéria Plástica/ Mercado Livre/ Máquina do Tempo/ Os Mugs/ Os mesmos/ Monades/ Madames do Rock/ Os Mucrília/ Massa Crítica/ Madamex/ Mercado Público/ Maria RIta Stumpf/ Mário Marmontel/ Marcelo Pons/ Mário Barbará/ Marcelo Pitz/ Marcelo Nadruz/ Maurício Marques/ Mr Pi/ The Minis/ Michel Dorfman/ Meio Desligado/ Mercado Público/ Mauro Kwitko/ Miscigenação/ Mano Santana & Carablack/ Máquina de Ferro/ Maria Fumaça/ Maricel Ioris/ McCoe/ Metróides/ Maurício Barca/ Maria do Relento/ Maurício Tibé/ Muni/ Marcos Ungaretti/ Marcello Caminha/ Monica Mendes/ Mitch Marini/ Marcus Bonilla/ Marlene Pastro/ Monica Tomasi/ Marcelo Granja/ Márcio La Falce/ Miguel Proença/ Marcel Moreau/ Miguel Bica/ Márcio Celi/ Marco Araújo/ Marco Aurélio Ferreira/ Maynart/ Márcio Tubino/ Mess/ Uma Mordida na Flor/ Muni/ Mr. Hank/ Morreu na Cinza/ The Madrugas/ Moreirinha e os seus suspiram blues/ Made in Brasil/ Márcio Petracco/ Mao Mao/ Marcinho Ramos/ Metrópolis/ Massa Crítica/ Madame Satã/ Marcondes e a Função/ Micróbios/ Mr. Jhokin/ M 26/ Misto Quente/ Montanha Azul/ Major Fox/ Mindscape/ Mensagem/ Mercado Musical/ Master Groove/ Mandrialis/ Mário Falcão/ Motivos óbvios/ Marcelo Piraíno/ Marcelo Figueiredo/ Marcos Rubenich/ Márcio Sobrosa/ Mozart Dutra/ Marcelo Pitz/ Miguel Proença/ Marcelo Ribeiro/ Malteses/ Moby Dick/ Macumba Funk/ Mestre Jonas/ Maurício Molina/ Marcondes e a função/ Marcelo Kará/ Morgan Le Femme/ Marcelo Pons/ Marcelo Kará/ Marcos Vinícius Manzoni/ Misantropia/ Monovolume/ Melodia/ Motel 69/ Marittimus/ Miragem/ Malvados Azuis/ Meliantes/ Monotape/ Menos Ele/ Maria Vai com as outras/ MUG/ Morgana/ Mango/ Maria Betânia Ferreira/ Marcelo Birck/ Martim César/ Maly Weisemblum/ Marisa Rotenberg/ Miscigenação/ Mário Carvalho/ Um Monte de instrumento e dois cara tocando/ Mimi Lessa/ Musgo/ Meio Mundo/ Grupo Musical Mocidade/ Marcelo Moreira/ Mutinho/ Maurício Frota/ Mandrake/ Marcos Lessa/ Marreco/ Márcio Grobocopatel/ Marreco/ Marcelo Gotuzzo/ Márcio Pinho/ Marcelo Rosa/ Marcos Schmitt/ Moisés Pettefi/ Maria Lúcia Sampaio/ Márcio Ventura/ Marcírio Siqueira/ Mário Marmontel/ Marcelo Truda/ Márcia Erig/ Marcelo Delacroix/ Marco Azevedo/ Marcelo Nohms/ Manoel Tchembo/ Marco de Menezes/ Manoel Chotguis/ Mr. Marx/ MB-5/ Mercado Musical/ Os Monroes/ O Momento/ Os Morcegos/ The Monkeys/ Mustang/ Os Maníacos/ Miscelânia K/ Muchacho/ Mr. Joker/ Magic Soul/ Megafônicos/ Os Marmanjados / MC Vi e Aliados/ Megadrive/ Motel Flamingo/ Mr. Medley/ Menino Everaldo/ Melodia/ Mamma Nox/ Menino Everaldo/ Maquinados/ Moradia/ Magia Musical/ Marcos Wacker/ Marília Benites/ Marcus Bento/ Música Reservata/ Meretriz/ Madrigal Místico/ Mama Buji/ Meretriz/ Grupo Vocal Muito Prazer/ Moly e Guppy/ Mil Milhas/ Mukeka di Rato/ Marcelo Coelho/ Marcelo Solla/ Marcelo Grossman/ Marcos Anschau/ Marcelinho Silva/ Mariel Fernandes/ Mess/ Márcio Pinho/ Marcelo Cachoeira/ Marquinhos Fê/ Marietti Fialho/ Márcio Bandeira/ Mário Falcão/ Midian Almeida/ Magic Soul/ Misturantes/ Multiverso/ Montanha Mágica/ Mokojoe/ Monte Azul/ MCA/ Manotaço/ Mil Show / Montezuma/ Musicamp/ Os Marias/ Marcas/ Modello/ Motryz/ Músicas Intermináveis para viagem/ Matéria Plástica/ Marcianos/ Os Morcegos/ Mentes Insanas/ Móica/ Marcas/ Miscigenação/ Musitrio/ Morfina/ Mercedes Band/ MHZ/ Melvin/ Móbemido/ Mateus Mapa/ Marco Zero/ Marcos Wacker/ Os Montanari/ Metrópolis/ Marwin/ Máquina/ Medida Provisória/ The Medina Brothers/ Os Mensageiros/ My Soul/ Matéria Primu’s/ Os Mirins/ Megadrivers/ Mutação X/ Máquina/ Madras/ Marcelo Fornazzier/ Marcelo Playker/ Marco Farias/ Moisés Machado/ Maria Lúcia Benitez/ Mozart Dutra/ Manifesto/ Madame Vinil/ Os Minis/ Maurício Molina/ Maria Carmen/ Márcio Sobrosa/ Mustache Maia/ Maurício Marques/ Mário Marmontel/ Miriam Fernandes/ Mário Barbará/ Mano Lima/ Marcos Dias/ Márcio Petracco/ Martha Medeiros/ Márcio Faraco/ Mário Carvalho/ Marquinhos Fê/ Marco de Menezes
Nei Lisboa / Nyaya/ Nacional Kid/ A Nata/ Naia/ Neorock/ Nico Nico/ No Rest/ Naphtalina/ Neca Ayala/ Nó de Taquara/ Nariz de Porcelana/ Nativos/ Nova Capital/ Navesom/ Nektar/ Nick e Leal/ Night and Day/ Nethra/ New Shivas/ Não é febre/ Noisekiller/ Nó de Cipó/ Nitro Di/ Nada Público/ Nenhum de Nós/ Nenung/ New/ Nora Prado/ New/ Neusinha Brizola/ Nani Kaufmann/ Nei Duclós/ Naiche Melleu/ Os Nômades/ Norminha Duval/ Nani Numann/ Nelson Coelho de Castro / Nana Ellwanger-Chaves/ Nanci Araújo/ Ney Santos/ Nenê/ Nego Isolino/ Nelson Vaccari/ Ney Fialkow/ Nando Gross/Os Navarones /Negative Zero/ Nanci Araújo/Nei Van Sória/ Nalanda/ Não vem com garfo que hoje é sopa/ Nando D’ávila/ Ney Chryst/ Nara Lisboa/ Nelson Florão Jr./ Nilton Ferreira/ Naura Elisa/ Nômades/ Negendre Arbo/ Neusa Dávila/ Nico Bueno/ Conjunto Melódico de Norberto Baldauf/ Noblesse/ Nany Kratina/ Nova Capital/ Na Moral/ Nayabingue/ Nega Frida/ Ninguém é de Ninguém/ NonSense/ Nocet/ Conjunto do Nelson/ Nascente/ Conjunto Nilton Baraldo/ Nitro Sonido/ Novo Esquema/ Naguilé/ Nasser Khalil/ No quartet/ O nome do projeto?/ Novaments/ N.A.V.E./ Necessidade Humana/ Nação Suburbana/ Natural Dread/ Nave/ Nitro DI/ Conjunto Nicolau Kersting/ NLG/ Conjunto do Nestor/ Nype/ Nitro Di/ Negative Zero/ Neto Fagundes/ Nookie / Nayabingue/ Nômade / New Thrash/ Nosso Stylo/ Nobs/ Nódoa/New Shivas

Objeto Direto / Open Station/ ORTN/ Oswaldos e a Aranha/ Opus 6/ Os Ovnis/ Offside for feel/ Only Jay/ Orquestra Jatibá/ Grupo Oficina/ Ópio/ Otávio Santos/ Otavinho/ Órfãos do Blues/ Os Ordinários/ Osbi/ Oly e os Tocaios/ Off the wall/ Osso/ Outra forma/ O Zé e o Tatu/ Ospa / Orquestra de Câmara do TSP/ Orquestra da Ulbra/ 11 Hidrox/ Organizers/ Orquestra La Montanara/ Octávio Dutra /OPPA/ Off Set/ Oitentalha/ Orquestra do Barril/ Ópera Bufa/Otto Gomes/ Otávio Santos/ Otavinho/ Odilon Ramos/ Odilon Reis/ Osvil Lopes/ 11 hidrox/ Obsolethos/ Orestes Dornelles/ Oly Jr./ Otávio Segala/ Otavinho/ Olmir Stocker/ 808 sex/ Old Stuff trio/ ORTN/ Organization for fun/ Orquestra Profana/ Organizers/ Only for Blues/ Osmarmotta/ 80 por hora/

Papas da Língua/ Pata de Elefante/ Poets/ Puberdade/ Procurado Vulgo/ Pública/ Panic/ Plato  Divorak e os Analógicos/ Paulinho Buffara/ Prosexo/ Paulo Gayger/Panacéa/ Pássaro Humano/ Portal da Cor/ Paralelo 30/ Ponto de Vista/ Pura Sangre/ P4 F/ Pietra/ A Pota/ Pondera/ Pery Souza/ Patrick Magalhães/ Paulo Campos/ Paulo de Campos/ Os Paqueras/ Prefixo/ Paulinho do Pinho/ Paulo Nascimento/ Porca Velha/ Paulo Coelho (I e II)/ Porto do Sol/ Piazitos Muertos/ Paulada Zen/ Plexus/ Profetas de Zion/ Papel e Lápis/ Popóski/ Pillar e Café Black/ Pura Cadência/ Pondera/ Subterrâneos/ Poços e Nuvens/ Papai José/ Produto Nacional/ Plauto Cruz/ Paulo Pinheiro/ Prêntice/ Paulo Silva/ Paulo Bergmann/ Paulo Braga/ Pedro Gonzaga/ Paulo Otávio/ Paulo Campos/ Phonopop/ Paulada six/ Trio Primus/ Piá/ Paulo Pinho/ Paulo Jair/ Pedro Mazzan/ Pepeu Gonçalves/ Paulo Arenhart e Paulada Zen/ Protásio Prattes/ Percivais/ Paulo Dionísio/ Paulo Guilherme/ Paulo Otávio/  Planeta dos Macacos/ Pesadelo/ Prole/ Poente/ Paz Armada/ Pão com mortadela/ Pigmalião/ Panta/ Prize/ Panamérica/  Proveitosa Prática/ Panic/ Os puta merda/ Pére Lachaise/  Os Paqueras/ Os Pedreiros/ Os pinguins/ Pentágono/ Pusher/ Poder Jovem/ Paulo Mendonça/ Paralelo 30/ Primavera nos Dentes/ Planeta Górgon e o Terráqueo/ Ponto Final/ Prisão de Ventre/ Os Posteiros/ Pala Velho/ Promessa Oculta/ Pure Feeling/ Pátria Sulina/ Partido de Primeira/  Poposky e seus Melódicos/ Pentagrama (70)/ Physis Combo/ Ponta Cabeça/ Paralelo 30/ Pindorália/ Pupilas Dilatadas/ Pocira/ Pato Savage/ Pilar e o coletivo/ Pedro Ortaça/ Os Portonautas/ Prelúdio/ Pagode do Dorinho/ Pentagrama (2000)/ Plug In/ Prisma/ The Polaines/ Paolo Casarin/ Pietro Ferretti/Patrícia Mello/ Pacman/ Projeto Selva/ Projeto Itagiba/ Pentacrava/ Paulo Kieling/ Paulo Brody/ Patsy Ceccato/ Paula Taitelbaum/ Pedro Metz/ Paulo Melo/ Pastsy Cecatto/ Paulo Lata Velha/ Paulinho Pires/  Pedro Morales/ Paulo Amaral/ Paula Nozzari/ Pedro Guisso/ Pedro Dahmer/ Pedro Veríssimo/ Paulo Timm/ Pedro Tagliani/ Paulo Rosa/ Paulinho Supekóvia/ Poliéster/ Pão com Mortadela/ Pura Cadência/ Paulinho Parada/ Panacéa/ Ponta Cabeça/ Primo e seu Conjunto/ Pau Brasil/ Pulse/ Phase 5/ Plínio Salles/ Perturbadores/ Paulada Zen/ Pedrinho Figueiredo/ Paulo Mello/ Paulo Dorfman/ Porto Alex/ Pato Schmitt/ Paulo Grillo/ Phosphurus/ Paulão da Tinga/ Paulo Ruschel/ Paulo Rosa/ Pirisca Grecco y la comparsa elétrica/ Paulino Soares/ Paulo Dionísio/ Piá/ Paulo Lata Velha/ Pé / Paulo Pinheiro/ Planta e Raiz/ Posteiros/ Prole Proibida/ Projeto Radiofônico/ Projeto Pentefyno/ Portal dos Seres/ Psicho Say Canniggia/ Procura-se quem fez isso/ Pernalonga/ Pure Feeling/ Conjunto do Pedrinho/ Portal banda show/ Papai José/ Pussywater/ Pylla/ Ponto de Vista/ Porcos de Escort/ Pandorga da Lua/ Poços e Nuvens/ Preconceito Zero/ Pagode do Bom/ Paralelo 30/ Os Portonautas/ Conjunto do Paulinho/ Prozak/ Pigalle/ Los Paranóias/Paulinho Fagundes/ Porto Rico/ Planondas/ Podia Ser Pior/ Pedrada a Fú/ Primobill/ Ponto de Cinema/ Paulo Mendonça/ Pé de Vento/ Paz Armada/ Pura Cadência/ PF 2/ Paulinho Naguilé/ Pau Brasil/ PRCV/ Patê de gato/ Patrícia Vianna/Planet Roots/ Pimenta Buena/ Pietro Ferretti/ Pindorália/ Porcos do Espaço/ Pondera/ Presença/ Panacéia/ Produto Urbano/ Pichurrichus/ Plano Z/ Prole Proibida/  Los Porongas/ Pigmalião 70/ Poder Jovem/ Pampa Roots/ Pagode do Bom/ Pilar/ Planet Roots/ The plastic dream

Quintal de Clorofila/ 14 Bis/ Quebra Cabeça/ Quico Castro Neves/ Quinta Dinastia/ Quarteto em Fá/ Quarteto de Roda/ Quartcheto/ Quitandinha Serenaders/ Quarto Poder/ Qualquer um/ Quintos do Inferno/ Quarteto Mozart/ Quinteto de Cordas do Oriente/ Quarteto Paraphernália/ Querência/ Quero Quero/ Quitandinhas/ 500 A. C./ 470 Blues/ Quarteto Pictures/ Quarteto Gauderiando/ Quebraceira/ Quinteto Carlinhos Tabajara/ Quinteto Qvinovo/ Question Mark/  Queco Fernandes

Reação em Cadeia/ The Rockets/ The Robinsons/ Raiz de Pedra/ Rastamen/ Os Rachacuca/ Rock de Calcinha/ Rio Grande/ Reles Mortais/ Rastamanos/ Réus Anjos/ Richard Powell/ Régis Dubin/ Raffaela Fazzoni/ Relógios de Frederico/ Roberto Patota/ Roberto Meimes/ Roger Solari/ Raulino dos Santos/ Roberto Marques/ Ralf Peruffo/ Ricardo Horn/ Rogério Goldman/ Grupo Raiar/ Red Pill/ Rota de Fuga/ Rocxi/ Rabo de Saia/ Rock Lovers/ Grupo Realejo/ Ricardo Arenhaldt/ Renato Campão/ Richiardi/ Renato Müller/ Raineri Spohr/ Ricardo Ourique/ Richard Serraria/ Ricardo Bordini/ Renata Adegas/  Revoltz/ Rossano Smell/ Ricardo Baumgarten/ Rafael Vernet/ Os Rangils / Renato e seu Sexteto/ Rogério Ratner/ Raquel Grabauska/ Rafael Piamolini/ Roberto Giganti/ Renato Lubianca/ Rafa Schuler/ Renato Borghetti/ Ronald Augusto/ Reminders/ Robson Barenho/ Roberto Luiz/ Renato Machado/ Rafael Ferrari/ Rafa Schuler/ Ratão/ Rodrigo Piva/ Ricardo Crespo/ Rogério Piva/ Ricardo Cordeiro/  Ricardo Farias/ Ricardo Frota/ Rodrigo Nassif/ Roberto Niederauer/ Ricardo Sena/ Raio Choque/ Rotentix/ Reverba Trio/ Redoma/ Réus Anjos/ Ruy Andrade/ Ronald Frota/ Ricardo Pacheco/ Reason/ Rádio Esmeralda/ Rabo de Galo/ Radio Camboja/ Rebeldes/ Rótulo 77/ Grupo Raiar/ Rota Luminosa/ Rock’n Stoned Band/ Reggae da Luta/ Revólver/ Replay Roots Rap/ R Mor/ Rosa Parks/ Refuse/ Rocka Rolla/ Resina/ República do Samba/ Route 69/ Grupo Realejo/ Reticênciais/ Rest in peace/ Ressonância/ Relespública/ Razão Social/ Rota Sinistra/ Refuse/ Ratos de Saloon/ Rota Inversa/ Rota Inversa/ Rock RS/ Radiopop/ Radiofonia/ Rafael Brasil/ Radio Rock/ Rusty Cage/ Roxala/ Retrato Falado/ RC 4/ Roadies/ Rebenque/ Rock Canalha/ Ricardo Pereyra/ Show Rock/ Rola Stones/ Renascentes/ Rosa Franco/ Renato Mendonça/ Richard Burgdurff/ Rodrigo dMart/ Rogério Collares/ Ronel Alberti/ Renato Rodrigues – Mujeiko/  Rodrigo Lopes/ Refféns/  RS Samba/ Rogério Rosa/ Os Replicantes /RC 6/ Rola Blues/ RL 2/ Rathazana/ Rifferama/ Rotentix/ Relance/ Renascentes/ Redoma/ Ratos do terceiro mundo/ Rockfort/ Remanescentes/ Rock 60/ Conjunto do Rui/ Rosa Tatooada/Ricardo Garay/ Renato Velho/ Renato Campão/ Rodrigo Figueiredo/ Rodrigo Duarte/ Roberto Gigante/ Rosa Maria Hessel/ Rick  / Ricardo Severo/ Renato Português/ Risomá Cordeiro/ Rafael Erê/ Ricardo Faertes/ Ricardo Corona/ Raoni Calliari Lacava/ Roberto Luiz “Mancha”/ Rogério Lauda/ Roxo/ Rui Mantovani/ Renato Mantovani/ Rastros de Sol/ Redoma/ Roots NR/ Repolho/ Rottulados/ Radiocore/ RS 115/ Rivotrio/ Rendezvous/ Os Rodriguez/ Rellyses/ Rock fan club/ Rádio Rock/ Real Big Shit/ Rumbá/ Os Ronifons/ RS Samba/ Rabo de Peixe/ Rock Service/ Roots’zoeira/ Revés/ RIP 44/ Os Rebeldes/ Retrato Falado/ Rudrashka/ Os Rockets/ Rio 6/ Revolta Suburbana/ Ronnie Martinez/ Ricardo Silvestrin/ Renato Guimarães/ Ricardo Freire/ Rafael Erê/ Rafael Silva/ Rô Bjerk/ Raoni Calliari Lacava/ Rodrigo Siervo/  Rodrigo Nassif/ Roberto Luçardo/ Ritmos do Sul/ Rossano Snel/ Ricardo Freire/ Roberto Meimes/ Ricardo Fragoso/ Renato Borghetti/ Rogério Procast/ Rafael de Boni/ Rap Dy/ Red Baloons/ Roberto Thiesen/ Raul Ellwanger/ RS 40/ Roda Viva/ Rosa dos Ventos/ RIP 44/ RC 6/ Red Mosquito/ Reverso Revólver/ RP3/ Rudi Foster/ Rodrigo Panassolo/ Ritmos do Sul/ Reggae Cultura/ Ras Bandock/ Rafa Schuler/ Reveillon/ Raio choque/ Radiofônicos/ Robô Gigante/ Revólver/ Rock and Roll Band/ Rosa Negra/ Revendo o passado/ Reação/ Rock This Town/ Reprises/ Rockstation/ Rock this town/ Rabo de Galo/ The Robinsons/ Rock RS/ Rafael Ferrari/ Les Responsables/  Os Rubis/ Os Rand’s/ Relance/ Revel/ Red Polly/ Ruphus/ Rainha Musical/ Rota Inversa/ Rota 69/ Reverso Revólver/ Ricardo Vaz/ Rinoceronte/ Os Rebeldes/ Raiane/ Revulsônica/ Rotu Vutú/ Riffury/ Riffmaker/ Raddiottive/ Rockixe/ Radiopop/ Roberto Ochôa/ Rafa Blanco/ Roque Volkweiss/ Rodrigo Rocha/ Raquel Carneiro/ Rafael Silva/ Résus/ Rubens Santos/ Rui Carlos Ávila/ Ricardo Farias/ Rick de La Torre/ Rubens Santos/ Rudi César/ Regis Sam/ Renato Silva

Os Satânicos/ Som 4/ Silêncio Oculto/ Superfuzzy/ Superfly/ Stardust/ Sombrero Luminoso/ Solarise/ Sambasfalto Show/ Sinal de Vida/ Satyananda/ Siderado/ Shekmat/ Santa Preguiça/ Sofá da Sala/ Supermouse/ Stellabella/ Stereo sounds/ Os Serranos/ 600 ml/ Sérgio Tavares/ Severo em Marcha/ Superguidis/ Sound Machine/  Soul Stealer/ Smoking Less/ Soulprana/ Streetflash/ Sasquash/ Samuca e Banda/ Savannah/ Superphones/ Soulnora/ Sérappis/ Splash/ Som Machine/ Sibele Corrêa/ Siderante Tripulado/ Se Ativa/ Sapucay da Fronteira/ Simbiose/ San Remo/ Super Jam/ Soul Adiction/ San Marino/ Somets/ Os sayfers/ Saeculorum/ Sui Generis/ Selton/ Scarface/ Samadhi/ Superprodução/ Sangue Novo/ Sangria/ Sambatri/ Sound Machine/ Supergatas/ Scala/ Som 7/ Submarinos/ Smog Fog/ Stylo/ Swell/ Sub Humanos/ Sex Machine/ Sistema de Origem/ Seduced by suicide/ Solon Fishbone y Los Cobras / Segura Emoção/ Grupo Semente/ Submarino/ Os Sayfers/ Século XX/ Suco Elétrico / Sicken/ Storm Blues Band/ Supermozart/ Status 4/ Sérgio Rojas/Sandra Regina/ Sandro Cartier/ Sérginho Sá/ Sá Brito/ Sul Raça/ Suzana Maris/ Sinuelo/ Santo Trio/ Siboney/ Sastras/ Sala de Emergência/  Subtropicais/ The Splinters/ Sol de Outono/ Será o Benedito? /Santa Cecília Serenaders/ Strikinina/ Os Signos/ Som Impacto/ Suedehead/ Sidito e os magníficos/ Sartriani Cover/Serginho do Trombone/  Saudade Instantânea/ Sigma 7/ Sérginho Moah/ Santo Trio/ Southern/ Sararemos/ Sentido Óbvio/ Sapo/ Shawn/ Skyfox/ Sob Jurisdição/ Solarise/ Sovaco de Cobra/ Stereograma/ Súditos do Rock/ Sulimar Rass/ Supergatas/ Sluivan de Quadros Mello/ Senador Medinha/ Singles/ Sociedade do Bico de Luz/ Suitivo/ Sol e Chuva/ Swing/ Só com Duff/ Space Rave/ Sá Brito/ Saracura/ Street Dogs/ Spaceqüeras/ Sluggo/ Supermouse/ Soul Adiction/ Sangue Sujo/ Succo/ Satanic Death/ Só Gurias/ Speed Gonzales/ Suitivo/ Shining Stars/ Stella Can/ Situação/ Sambavip/ Sambasfalto/ Star/ Sem Juízo/ Subterrâneos/ Samba 8/ Samba tri/ Saltinmantra/ S&A/ Social Clube/ Suvaco de  Cobra/Sérgio Stoch/  Sabino Loguércio/ Simão Goldman/ Simone Rasslam/ Samanta Piacini/ Shana Müller/ Sérgio Olivé/ Santiago Neto/ Sérgio Copetti/ Super Sound/ Sérgio Resende/ Simone Carvalho/ Sérgio Rezende/ Sapo/ Selle/ Sulimar Hass/ Stella Maris/ Silvio Marques/ Sérgio Endler/ Solon Chaves/ Sérgio Napp/ Silvana Cruz/ Sunset Riders/ Sonic Volt/ Sinais Vitais/ Soul Addiction/ Substance/ Sabotage/ Sargento Wilson/ Serenaders/ Sindicato do Blues/ Satélite/ Stone Walker/ Sérgio Karam/ She’s OK/ Saída de Emergência/  The Single Dadies Blues Company/  Sólidos Platônicos/ Spartacus/  Samba de Mesa/ Stratopumas/ Supergatas/ Seqüencia em Forma/ Silver Som/ Sygnus/  Stereo Box/ Stereo Sound/ Super Jam/ Sacrorio/ Sem Serventia/ Seu Walter/ Sceleratta/ Silhueta Sonora/ Superphones/ Shaphal/ Show de Bola/ Silvana Prunes/ Sistema Local/ Substance/ Status/ Sonic Volt/ Stereofônicos/ Seleção do Pagode/ Será o Benedito/ São Francisco/ Som da Terra/ Surubanda/ Sala Vip/ Sty loo/ Sacerdotes/ Savannah/ Sill Oliveira/ Siboney/ Soul Negra/ Solange Cruz Viamonte/ Sérgio Ricci/ Sfingi Lima/ Sigma 7/ Sastras/ Sinuelo Pampeano/ Sasquatch/ Os Serranos/ Sacerdotes/ Sentido Inverso/ Subterrâneos/ Sociedade do Bico de Luz/ Streetflash/ Serrote Preto/ Severinos/ Stagna/ Sonora/ Saintropez/ Sociedade do Bico de Luz/ Spartacus/ Sonikka/ SBG/ The Silvers/ Show de Bola/ Soulnegra/ Só Creedence/ Sangue de Gaúcho/ Som Impacto/ Surubanda/ Solarise/ Scelerata/ Sweet beetle juice/ Sócios do Silêncio/ Sound Machine/ Sociedade Anônima/ Sound Company/ Shivarée/ Som Livre/ Sandinistas/ Swing Sangue Bom/ Sonora Fundação/ Sound Free/ The Shames/ Os Siderais/ Salvaterra/ Substance/ Sociedade Mambembe/ Sleeping Bags/ Steel Grider/ Som Five/ Super Sound/ Santana Band/ Sucexo/ Sunset Riders/ Sinatra/ Storm Blues Band

TNT / Tilt / Toca dos Gatos/ Toneco/ Os Torto/ Taranatiriça/ Tonda Y su Combo/ Trouble Makers/ Tema Jovem/ Tangos e Tragédias/ Tribuwudu/ Tambo do Bando/ Trio de Janeiro/ Toke Sutil/ Thule/ Os Tímidos/ Tá combinado/ Tribufu/ Os Teobaldos/ The Tigers/ Os Totais/ Tia Chica/ Trio Ratoeira/ Theorema/ 7 Belo/ Tarcisio’s Meira Band/ Twenty Too/ A Tribo/ Os Topetes/ 3 Almas Perdidas/ Tá combinado/ Touguinha e seus Velhinhos/ Tua Voz/ Tchê Gaitaço/ Trilogia/ Tântra/ Tarântulas/ Trovão/ Tom Bloch/ Os Thompson / Violeta Pop/ Vocal Trilegal/ Toca dos Gatos/ Telmo Valêncio/ Trânsito Livre/ Terra em Transe/ Turma do Pagode/ 3 Pátrias/  3Real/ Trágica/ Ton e os Karas/ Tatukummel/ The Travellers/ 3 D/ Thomas Rosa/ Tranco de Gaita/ Terra e Fogo/ Terra Viva/ Grupo Vocal Tempo Três/  Torment/ Terra em Transe/Tonho Crocco/ Tequila Baby / Trem 27/ Grupo Terra Viva/ Trigêmeos/ Os Tapes/ Tiago Artoli e Banda/ Thorazinhes/ Tantra/ The Kommo/ The Medina Brothers Orteskra/ Technicolor/ Tony Konrath/ Tripulante X/ Os Trepidantes/ Tributo a Tim Maia/Tonda Pecoits/  Tiago Colombo/ Tony da Gatorra/ Texo Cabral/ Tânia Sandroni/  Téo Ruiz/ Tiago Linck/ Tiago Colombo/  Tiago Demétrio/ Talo Pereyra/ Tom Belmonte/ Tom Enola/  Trio da Júlia/ Telmo Martins/ Transmission/ Tom Neumann/  Toninho Macedo/ Túlio Piva/ Tom Gil/ Thomas Dreyer/ Tuti/ Totti Lima/ Tenison Ramos/ Tribauê/ 333/ Tombshit/ Tapete Persa/ Tribo Brasil/ 37 não é febre/ Taxi Free/ Tô na Mira/ Two man band/ Trilogia/ Teclas e Cordas/ Tribo Brasil/ Tenente Cascavel/ The Thunders/ Os Trepidantes/ Tinta Neutra/ Transmission/ Tributo/ Tiago Flores/ Tementes/ The Pilhas/ Thiago Caurio/ Tiago de Moura/ Toda Rima/ Tom Martins/ Téo Ruiz/ Ticiano Paludo/ Tropus/ The Pio/ Tentação/ Tierry/ Toke Loko/ Tempo 3/ Teatro dos Sonhos/ Toque de Mágica/ TanLan/ 2 Stupid Dogz/ Trio Chico/ Pedro Huff/ Tigra/ Tchê Barbaridade/ Truco Trio/ Tabajara/ Talento Band/ The Thunder Sounds/ Os Tímidos/ Top Top Sound/ Tempo Livre/ Tchummy Tchummy/ Tinta Neutra/ Tchê Guri/ Tchê Garotos/ Tok Off Band/ 3 Live/ Taxi Drive/ Transe/ Os Thompsons/ Tempus/ Três Almas Perdidas/

Última Gata/ Urro/ Última Gota/ Undertaker/ Ultramen/ Uranius Blues/ Undergrunge/ Uns Rock/ Urubu Rei/ Utopia/ Um só momento/ Unit One/ Usina Nuclear

Vitor Ramil/  Vivi Fields/ Valdir Verona/  Venezia/ Vôo Livre/  V8/ Vitrine/ Velas de Moinho/ Viv e os Timoneiros/ Os Vintages/ Vocal Maldito/ Vincent/ Vampiros/ Vibrações/ Vagão de Força/ Vianna Moog/ Viro Caveira/ Valéria Houston/ Victor Hugo/ Vagner Cunha/  Volnei Cavalheiro/ Vladimir Nascimento/ Van Barcelos/ Valéria Venturini/ Vagabanda/ Vibrasom/ Vitrine/ Vírus HC/ Os Vibromasters/ Virações/  Vento Sul/ Vento Aragano/ Vila Rica/ Os Virginians/ Vento Aderaldo/ Verlaine Pretto/ Vera Loca/Vanessa Leão/ Vinny Lacerda/ Vinícius Kersh/ Valéria Bueno/ Vibe Brasil/ Vibração/ Vinícius Prates/ Voluntários do Blues/ Vilmar “Pecos” Seadi/ Volmir Martins/ Valéria Bueno/ Vitrine de Rosto/ Você nunca viu/ Tereza Ferlauto/ Vibração/ Conjunto Vibrações/Volmir Coelho/ Vinícius Brum/  Vasco Piva/ Viti Porto/ Vera Mara/ Valdir Verona/ Os Vibratons/ Vinicius Kolling/ Vinícius Todeschini/ Os Vibrantes/ Vanessa de Maria/ Vinicius Tonello/ Vinícius Silveira/ Vinicius Netto/ Vanessa Longoni/ Valhala/ Viavoltz/ Grupo Viva Voz/ Verdruss/ Vide Bula/ Vetalla/ Verde Limão Rosa Choque/ Vômitos e Náuseas/ Volnei Acústico/ Voz da Terra/ Vôo do Tucano/ Vibrasons/ Vitor Hugo e os Miseráveis/ Vinicius Koling/ Viscerália/ Virgem Atômica/ Você nunca viu/ Válvula/ Vortex/ Vulgo Valentin/ Variantes/ Virasonho/ Vitória Sou/ Viralatas/ Venerável Lama/ Vinícius Silveira/ Velliaria/ Viper/ Vitrini Viva/ Virasonho/ Vórtex/ Los Vatos/ Vanera/ Vulgobrains/ Vídeo Hits/ Vide bula/ Vitória Soul/ Vip Brasil/ Velvet Goldmine/ A Vingança de Montezuma/ Velasquez/ Veia D’água/ Versão Brasileira/ Os Vilsos/ 21 Reasons/ Viksen/Vasques

Wander Wildner/ Wonkavision/ Wanderley Falkenberg/ Walverdes/ Os Watts/ Winston/ Wesley Cool/ Wilson Ayala/ Wilceu Pause/ Walter Ferreira/ Wilson Pereira/ The Wanders/ Waldir Garcia/ Walter da Rosa/ Wladimir Savi/ Walter Morais/ Wilson Pereira/ Os Wilsos/ Wladimir Latuadda/ Wagner Canabarro/ Wado Barcellos/ Wonderful/ Will Vieira/ Walter “sapo”/ The Woodstoock blues band/ Wilson Ney/ Wagner Torre/ Walter/ Workstation/ Whisky e Cigarro/ Whazah/ Water Flaming/ Wicca/ W 2/ W.D./ W Negro/  The Wise/

 

X-Galinha/ X-80/ Xico Mestre/ Xirusinho/X-Kilt/ X-quinas/ Xalaman/

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Yoli Planagumá/ Yamandu Costa / Yanto Laitano/ Youngles/ Yesterdays/ Yesomar

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Zé Flávio / Zumbira e os Palmares/ Zacarias/ Zé Caradípia/ Zé Vicente Brizola/ Zé Irineu Golpsban/ Zé do Bêlo/ Zezé/ Zeco Darde/ Zé Luís/ Zé Montenegro/ Zé da Terreira/ Zé Henrique Campani/ Zoila Mor/ Zé Natálio/ Zero Doze/ Zé Caetano/ Zezinho Athanasio/ Zé Blanco/ Zilah Machado/ Zé Gomes/ Zeka Capuano/ Z Thrill/ Zeferina Bomba/ Zezinho Furquim e Jorge Piratini/ Zebra/ Zulu Bop/ Zona do Agrião/ Zuma/ Zueira/ Zero Doze/ Zueira/ Zerocincoum/ Zé Vainer/ Zezinho e grupo floreio/ Os Zumbis

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LP de Léo Ferlauto

LP Sonho Solto – Léo Ferlauto  escrito em segunda 13 outubro 2008 11:56

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Léo Ferlauto, além de músico, é ator, e  no início de sua trajetória, lá pelo começo dos anos 70, teve bastante proximidade com o teatro  (aliás, uma marca sua até hoje, pois faz trilhas e participa de peças como ator). Ao que parece, seu primeiro show propriamente musical foi o “Moleque, quieto e morno” (acho que é este o título), ao lado de Bebeto Alves. Mas foi no final dos anos 70 e nos anos 80 que se dedicou de forma mais enfática em seu trabalho solo, além de participar também dos “Irmãos Brothers”, ao lado de Careca da Silva, Mutuca e Chaminé. Este disco contém músicas de Léo em parceria com Antônio Carlos Falcão e Dedé Ferlauto, dentre outros. O grande destaque mesmo é a canção “Sonho Solto”, que rodava bastante na Bandeirantes FM, embrião da Ipanema FM. Suas apresentações com banda eram bem animadas (a cantora Laura Finocchiaro, por exemplo, era backing vocal), com presença cênica e num clima alto astral e com bom humor, bem típico da virada dos 70 para os 80. Uma vez fui vê-lo tocar na recém inaugurada Casa de Cultura Mário Quintana, em apresentação em que se acompanhou ao piano. Léo fez uma “pegadinha” com o público, na qual, confesso, caí direitinho, na minha “inguinorança” de adolescência: ele disse que ia tocar uma música de Francisco Correa, compositor brasileiro radicado nos EUA. Na verdade, a música era do monstro do jazz Chick Corea, o qual, na época, eu não conhecia. Este exemplo é uma mostra do humor refinado de Léo que exala em seus shows.

Depois Léo deu uma brecada no seu trabalho próprio, passando a tocar em bandas como a dos Corações Solitários, no bar Seargent Pepper, e na banda do bar Abbey Road. Há uns anos atrás (2010?) lançou um CD novo. Léo é um dos grandes nomes da MPB gaúcha com viés pop e roqueiro.

LP Eclétiko – Deio Escobar  escrito em segunda 13 outubro 2008 01:59

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Deio Escobar é um verdadeiro “guitar hero” gaúcho. Neste disco, contudo, investiu num lance mais MPB. Líder da banda Rola Blues, que, nos anos 70, foi precursora do blues em Porto Alegre, mesclando, contudo, influências psicodélicas. Nos anos 80, Léo participou da banda “Câmbio Negro”, de hard rock, e também da Barata Oriental. Natural de Alegrete, o guitarrista foi precursor em fazer o intercâmbio com músicos do Prata, especialmente roqueiros.

Contracapa do LP do Léo Ferlauto – Sonho Solto  escrito em segunda 13 outubro 2008 16:29

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Capa do LP do Câmbio Negro  escrito em segunda 13 outubro 2008 21:32

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O Câmbio Negro foi uma das primeiras bandas pesadas gaúchas. Embora hoje o trabalho da banda seja melhor definido pelos parâmetros do “hard rock”, como, aliás, consta do título da bolacha, na época (anos 80) o som era considerado quase um heavy metal, como denuncia o figurino da banda, cuja foto segue no próximo post. A banda reunia três “veteranos” clássicos do rock gaúcho dos anos 70: Mitch Marini (Byzarro, Garotos da Rua, Swing), Gélson Schneider (Prosexo, Byzarro, Swing), e Deio Escobar (Rola Blues, Trovão), com um então “emergente” guitarrista da cena gaúcha, Marcelo Fornazzier (The Falla, Astaroth, The Darma Lovers, etc.). O som do disco, para os padrões atuais, é bem melódico, considerando como referencial o heavy metal atual. Pode-se botar no “escaninho” do viés pesado do rock gaúcho dos anos 80, junto com o Astaroth, o Leviathan, a Valhala, dentre outras bandas.

Contracapa do LP do Câmbio Negro  escrito em segunda 13 outubro 2008 16:36

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O rock gaúcho dos anos 70

por Rogério Ratner

O rock gaúcho nos anos 70 teve um espaço e divulgação bem limitados, caso queiramos comparar a cena de então com aquela que se desenvolveu posteriormente, na década de 80. De fato, pelo menos até meados da década de 70, a maioria das bandas e artistas encontravam espaço para tocar especialmente em bailes realizados em clubes sociais pelo Rio Grande do Sul afora, e, então, sua atuação era fundamentalmente baseada na execução de “covers”. Além de canções do rock internacional, as bandas costumavam executar a “pop music” em geral, além dos sucessos nacionais. Mas como o foco deste tipo de apresentação, naturalmente, era botar o público para dançar, a grande maioria das bandas não tinha muito espaço para mostrar o seu trabalho próprio, autoral, nestas ocasiões. Em bares também era difícil, pois não havia até então uma tradição de casas noturnas abrindo espaço para grupos de rock apresentarem músicas próprias, de sua autoria; geralmente, os bares e boates que contratavam bandas  – que, aliás, não eram muitos -, exigiam que o pessoal tocasse música pop. O Bixo da Seda foi uma das poucas bandas que chegou a tocar em alguns bares na capital gaúcha apresentando o seu som, mas os locais em que se apresentou, de um modo geral, não deram prosseguimento a este processo de abertura ao rock gaúcho, ou mesmo não chegaram a vingar como “points” roqueiros.

Assim, o espaço que restava para as bandas e artistas era o dos teatros, o que também não significa absolutamente que fosse fácil a realização de shows nestes locais. De fato, as bandas enfrentavam uma série de problemas (que, aliás, ainda são recorrentes), em face do alto custo para fazer uma apresentação em nível profissional (equipamento de som, luz, produção, etc.). Então, não era raro que, na “pilha” de fazer o show de qualquer maneira, os músicos e produtores recorressem à utilização de seus próprios equipamentos, fazendo as apresentações somente com os próprios “cubos” de baixo e guitarra, ou contratando equipamentos e técnicos de som que não eram de melhor qualidade, o que muitas vezes levava à ocorrência de “ruídos”, como microfonia, voz “baixa e abafada”, guitarra muito alta, ou a bateria “cobrindo tudo”, etc. Embora hoje em dia não se possa dizer que seja fácil a realização de um show de rock nos teatros da capital gaúcha e do interior do Estado, ao menos para uma banda desconhecida, com certeza as dificuldades eram bem maiores na década de 70.

Realmente, eram tempos heróicos, em que o simples fato de um músico usar um equipamento importado (guitarra, baixo ou bateria) já era motivo para frisson, considerando-se que, à época, a importação de instrumentos era praticamente proibida no país. O governo militar, em mais uma de suas contradições, pretendia incentivar a indústria nacional de instrumentos musicais, o que efetivamente resultou na criação de uma verdadeira reserva de mercado para fábricas sem o necessário “Know-hall” de produção de instrumentos elétricos ou destinados ao rock. Esta política terminou  obrigando os músicos a valerem-se dos produtos de marcas tais como Giannini, Finch, Del Vecchio, Di Giorgio, Tonante, Pingüim  ou, então, no nosso caso, da Mil Sons, pioneira fábrica gaúcha de guitarras. Era contraditório tal procedimento porque, de um modo geral, o golpe militar adveio justamente para garantir o aprofundamento da integração do mercado brasileiro ao capitalismo internacional. Contudo, em algumas áreas, num de seus curiosos rompantes nacionalistas, os militares decidiram incentivar os fabricantes brasileiros, ainda que estes não produzissem produtos de boa qualidade. Isto não ocorreu apenas em relação aos instrumentos musicais: deu-se também em relação à indústria de brinquedos, bebidas, computadores, e muitas outras coisas. Até em relação aos automóveis, embora as fábricas existentes no Brasil, em sua quase totalidade, fossem estrangeiras, também foi estabelecida uma reserva de mercado em favor das marcas aqui já instaladas, de forma a coibir a “importação”, como se os veículos produzidos aqui não fossem, em realidade, estrangeiros. Com relação à música, que é o que nos toca, constata-se que este tipo de protecionismo, em verdade, não fortaleceu a produção nacional de instrumentos musicais, mas apenas garantiu o maior enriquecimento dos fabricantes, que vendiam produtos de baixa qualidade por preços astronômicos. Prejuízo para os músicos e para o público ouvinte. Esta realidade teve um efeito especialmente deletério por aqui, pois como não havia um público amplo para o rock gaúcho, em decorrência, a maioria das bandas tinha dificuldades redobradas para adquirir, e, em decorrência, tocar com um bom equipamento. Neste aspecto, sem dúvida, pode-se dizer que atualmente a coisa melhorou.

Ainda, enfrentavam os músicos e produtores de rock problemas tais como a própria resistência que os responsáveis pelos teatros tinham em ceder os locais para a realização de um show de rock. A própria Assembléia Legislativa, na qual estava prevista a realização da Mostra de Música Gaúcha, em meados da década de 70, vetou a realização da segunda noite do evento, simplesmente porque alguém da platéia havia rasgado uma das poltronas do auditório na primeira noite. De fato, o estigma que o público roqueiro carregava na época (de loucos, malucos, drogados, vândalos, RSS) era muito arraigado em uma sociedade que era extremamente conservadora. Como muitos destes locais eram públicos, é natural que houvesse uma certa resistência por parte dos responsáveis, mesmo porque eram indicados pelos governos interventores escolhidos pela ditadura (cabe fazer aqui um parêntesis para uma digresssão: uma questão que talvez merecesse maior destaque, tanto por parte da mídia, como por conta do pessoal que realiza estudos acadêmicos que são feitos sobre o período do regime militar imposto no Brasil em 1964, é a de que a perseguição contra os dissidentes não ocorria apenas em relação aos ativistas políticos, mas também em relação aos jovens que não se “enquadravam” na moral vigente, especialmente aqueles envolvidos com o uso de drogas, ou simplesmente porque fossem “cabeludos”. Muita gente foi perseguida pelo seu estilo de vida na ditadura militar, e não foram apenas figuras famosas (como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Rita Lee, etc.) que foram bastante visados pela polícia, que ao mesmo tempo era política e de costumes. Muito “magrinho” e músico de Porto Alegre sofreu com a perseguição da polícia naquela época, e eram comuns as prisões, ainda que nada de ilegal fosse encontrado em posse dos detidos. Bastava ter um visual mais escrachado para entrar no “grupo de risco” de um atraque, tão comum no Bom Fim e em outros locais onde se reuniam jovens, naquela época).

Mas voltando ao nosso tema, cumpre ressaltar que o Theatro São Pedro, de outro lado, embora tenha abrigado shows de bandas como Liverpool e Saudade Instantânea, além do primeiro Musipuc e da Mostra de música do IPV (cursinho pré-vestibular do hoje prefeito de Porto Alegre, José Fogaça), dentre outros eventos, foi fechado para reforma em 1973, para reabrir apenas em 1984, ficando “fora de combate” na maior parte da década.

Assim, os locais em que as bandas de rock gaúchas podiam se apresentar eram, fundamentalmente, o Clube de Cultura (na rua Ramiro Barcelos), o Teatro de Arena (onde Carlinhos Hartlieb promoveu as suas míticas “Rodas de Som”), dois teatros independentes pequenos, “malditos”, por estarem vinculados ao pessoal simpatizante da esquerda. O Teatro de Câmara (hoje Teatro de Câmara Túlio Piva), da Prefeitura, também abrigou shows de rock. O auditório Araújo Vianna também era um dos espaços frequentemente usados, mas geralmente em apresentações coletivas ou em festivais. Para quem tinha mais cacife – especialmente o Bixo da Seda -, o Teatro Leopoldina (que depois virou o Teatro da Ospa, ali na avenida Independência) também era uma opção, mas pouco utilizada, diante do grande tamanho da sala e do preço de locação.

Os auditórios de colégios, tais como o do Anchieta, o do Julinho e o do Rosário, dentre alguns outros, também abrigavam eventualmente algum show do gênero, e realizavam festivais de rock. Alguns centros acadêmicos de Universidades, tais como o CEUE (Engenharia) e o DAFA (Arquitetura), ambos da UFRGS, também realizavam eventos musicais. Também alguns clubes, como o Grêmio Náutico União, e a própria Brigada Militar, às vezes cediam os seus ginásios para eventos deste tipo.

Embora em meados dos anos 70 o Gigantinho já houvesse sido inaugurado – antes dele, shows de rock aconteceram no Ginásio do Grêmio, inclusive o do guitarrista mexicano Carlos Santana -, as bandas gaúchas geralmente apenas tinham acesso ao seu palco abrindo shows de grupos nacionais ou internacionais, ou em shows coletivos. Foi o caso do Bixo da Seda, que participou de um mitológico show junto com  O Terço e  Os Mutantes, no Gigantinho, em 1975. Inconsciente Coletivo, Bizarro e Utopia, por exemplo, abriram o show de Bill Halley, no mesmo local. Antes disto, o Saudade Instantânea chegou a abrir um show dos Secos e Molhados.

Se, por um lado, havia tantas dificuldades para o desenvolvimento de um trabalho de rock em Porto Alegre nos anos 70, por outro, deve-se salientar o fato de que os poucos artistas e bandas que conseguiam se desvencilhar de todos estes percalços contavam com alguma “vantagem” – se compararmos aquela cena com a atual -, se é que podemos considerar assim, qual seja, a de serem, geralmente, a única atração do gênero na cidade em determinada noite. Com efeito, eram tão raros os shows de rock naquele período em Porto Alegre e no RS que geralmente as bandas, quando se apresentavam, contavam com um pequeno, mas fiel público, que garantia a realização dos eventos com resultados financeiros positivos, ou sem que houvesse prejuízo financeiro para os produtores. É evidente, contudo, que isto não se aplica a todos os shows realizados naquele período, especialmente quando os artistas/bandas não eram assim tão conhecidos. Além disso, a imprensa escrita (cujos maiores veículos eram Zero Hora, Folha da Manhã, Folha da Tarde, Correio do Povo e Diário de Notícias), garantia uma eficaz divulgação do movimento musical de Porto Alegre. Hoje, evidentemente, diante da infinidade de eventos – sejam internacionais, nacionais ou locais -, que ocorrem na mesma noite, é muito difícil que as bandas locais, especialmente se não forem tão conhecidas, gozem de um mesmo espaço na mídia jornalística tradicional do que poderiam obter naquela época, até por uma questão do espaço limitado que os cadernos de cultura dispõem em tais órgãos de imprensa.

Um outro aspecto positivo que deve ser ressaltado, em relação àquela cena musical, é o da união do pessoal roqueiro, que geralmente se agrupava para a realização de shows. Assim, era usual que ocorressem shows coletivos, reunindo diversas bandas e artistas. Embora não se possa dizer que tal “união” fosse regra universal – até pela verdadeira impossibilidade de se obter uma unanimidade de comportamento em qualquer grupo social que se enfoque -, o certo é que o pessoal, de uma maneira predominante, juntava forças para fazer a cena acontecer. Nos shows individuais de bandas, também era comum que a banda “principal” convidasse outra para fazer a abertura. Esta característica, aliás, parece ter perpassado a história do rock gaúcho, verificando-se até hoje.

Das principais bandas/artistas que se destacaram naquele período, fazendo trabalhos autorais, podemos indicar, além do próprio Bixo da Seda (que reuniu diversos ex-membros do Liverpool, e que era disparado era o grupo de maior prestígio, sendo, inclusive, um dos poucos grupos gaúchos efetivamente integrado na cena roqueira nacional, gravando disco e participando dos festivais nacionais de rock, tais como  o “Banana Progressiva” e o “Festival de Saquarema – RJ ”), bandas/artistas como  Saudade Instantânea, Succo, Bizarro, Bobo da Corte, Khaos, Rola Blues, Trovão, Barra do Porto, Zacarias, Caixa de Espelhos, Auge Perplexo, Funeral, Impacto, Laranja Mecânica, Alma de Borracha, Prisma, Brick, Rio Grande, Swing, Roberto Marcon, Élbia Solange, Crepúsculo, Demian, Lobos da Rua, Kachimbus, Trilha do Sol, Grupo Latino, Tector II, a Banda do Tarta, Alma e sangue, Sexto Sentido, Kariman (de Santa Maria), Farinha do Bruxo (de Rio Grande), Flor de Cáctus (de São Leopoldo), Labaredas (de Pelotas). Outros grupos e artistas, fazendo um som mais acústico ou voltado à MPB, também transitaram bem na cena musical roqueira, tais como  Inconsciente Coletivo, Mordida na Flor, Utopia, Mantra, Hermes Aquino, Cláudio Vera Cruz, Carlinhos Hartlieb, Hallai Hallai, Almôndegas, Em palpos de Aranha, etc.

Não há dúvidas de que o trabalho desenvolvido por estes artistas/bandas, apesar de todas as dificuldades que encontravam para fazer “o som rolar”, criou um alicerce para a consolidação da cena roqueira gaúcha, o que ocorreu já nos anos 80, e que continua progressivamente até hoje, com muita consistência.

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Jovem guarda e beatlemania no Rio Grande do Sul

Jovem Guarda e beatleamania no Rio Grande do Sul

por Rogério Ratner

O surgimento do rock’n roll no final dos anos 50 nos EUA, e, especialmente, dos Beatles e da “British Invasion”, no início e ao longo dos anos 60, provocou um grande impacto na cena musical de Porto Alegre. A exemplo do que estava ocorrendo no restante do país, começaram a surgir pelo Rio Grande do Sul afora inúmeros conjuntos musicais jovens (denominação então adotada para identificar as bandas de rock) que, aproveitando o circuito dos bailes e reuniões dançantes formado por clubes sociais e desportivos, grêmios estudantis, centros acadêmicos, salões paroquiais, etc., que já estava consolidado em face do trabalho desenvolvido pelas orquestras e, especialmente, pelos conjuntos melódicos dos anos 50, encontraram ali terreno fértil para a sua projeção, desenvolvimento e consolidação. Estas bandas de rock, formadas em muitos casos por adolescentes ou jovens com idades aproximadas – para mais ou para menos – dos 18 anos, em sua maioria, executavam “covers” dos Shadows, Ventures, e, mais tarde, dos Beatles, Rolling Stones, Kinks, Herman’s Hermits, dentre várias outras bandas inglesas e americanas, além de sucessos do pop internacional. Com a ascensão e o fortalecimento da Jovem Guarda no centro do país, diversas destas bandas passaram a centrar foco também no repertório dos ídolos jovens nacionais então em ascensão, e, paralelamente, começaram a criar canções próprias, embora, de um modo geral, a maior parte das bandas tenha realmente se dedicado a executar repertório alheio. Foi assim que surgiram no cenário gaúcho bandas tais como os “Os Jetsons” (nascida no bairro Partenon, em Porto Alegre, e que, depois, mudou o nome para os “Os Brasas”), “Os Cleans” e “As Brasas”, que, posteriormente, radicando-se em São Paulo, gravaram discos e tiveram uma participação importante na cena da Jovem Guarda em nível nacional, embora não tenham chegado ao primeiro plano em termos de sucesso comercial. O Conjunto Caravelle, que até hoje atua em bailes, também lançou um LP em nível nacional, pelo selo Musidisc (numa mesma série que contou também com discos Ed Lincoln e Os Boêmios). Mais para o final da década de 60, com o surgimento da psicodelia e do tropicalismo, algumas bandas locais também seguiram estas trilhas, sendo a mais notória o Liverpool, que, nos anos 70, constituiria o núcleo do Bixo da Seda.

Cumpre fazer um parêntese aqui, para destacar-se que, curiosamente, o primeiro disco de rock gravado por um conjunto gaúcho foi “Rock on Big Hits”, anunciado em sua capa como contendo “Melodias famosas em ritmo de “rock” ”. O conjunto melódico de Norberto Baldauf, que teria gravado a bolacha a contragosto (pois a sua “praia” era a de música dançante suave, muito própria ao romantismo dos anos 50), obrigado a tanto pela gravadora Odeon, em 1959, registrou versões de Neil Sedaka (inclusive “Stupid Cupid”) e Paul Anka, dentre outros autores do rock americano do final dos anos 50, compositores mais “açucarados”, na comparação com os “crus” Elvis Presley, Little Richard e Chuck Berry. Inclusive consta do disco a gravação da música “Petit Fleur”, do decano do jazz Sidney Bechet, o que demonstra que o ritmo ainda era de definição um tanto imprecisa no Brasil naquele momento. É claro que esse não pode ser apontado como o primeiro disco do rock gaúcho, uma vez que não se tratava de uma banda de rock, embora seja genuinamente gaúcha, sem dúvida. Mas considerando-se que Cauby Peixoto e Nora Ney teriam sido responsáveis pelas primeiras gravações do gênero no Brasil, pelo que os especialistas no assunto têm relatado, esta gravação não se trata de nenhuma anomalia, ou fato fora do contexto geral.

De outro lado, Elis Regina – que esteve na linha de frente da famosa “passeata contra as guitarras”, anos mais tarde, quando dos “embates” do pessoal da MPB contra a Jovem Guarda -, ainda morando em Porto Alegre, foi uma das apostas da gravadora Continental para disputar, com Cely Campello, da Odeon, os corações e mentes da juventude brasileira. Lançou em 1961 o disco “Viva a Brotolândia” (Brotolândia era uma espécie de denominação dada à juventude ligada ao rock mais ingênuo, de autores tais como os antes aludidos Paul Anka e Neil Sedaka, do final dos anos 50 e início dos 60, versionados aos borbotões pelos emergentes rockeiros nacionais, antes da Jovem Guarda ser denominada como tal, e a palavra “broto” designava, na gíria de então, os jovens, ou mais especificamente, tinha a acepção de “garotas”), no qual gravou “Garoto Último Tipo”, versão do clássico “Puppy Love”, de Anka. Em 1962, ela lançou o disco “Poema de Amor”, também com baladas românticas do gênero. É evidente que Elis não pode ser considerada uma precursora do rock gaúcho, mesmo porque estes discos continham também músicas de origem variada, inclusive samba, samba-canção, “cha cha cha”, boleros, etc. A sua aproximação com o gênero parece ter sido mais consistente nos anos 70, quando gravou “Velha Roupa Colorida” e “Como Nossos Pais”, de Belchior, e “As curvas da estrada de Santos”, de Roberto e Erasmo Carlos.

A origem da cena roqueira gaúcha propriamente dita, nos parece, deve ser buscada nas “guitar bands” que foram surgindo no início dos anos 60, e que animavam bailes e reuniões dançantes, eventos que eram realizados aqui de forma profusa.

É interessante notar que, desde o final dos anos 50, e principalmente ao longo dos anos 60, fez-se sentir nestes eventos a transformação da “juventude”, que estava ocorrendo em nível internacional (ao menos nos países vinculados ao sistema capitalista), em um segmento social diferenciado e independente, com desejos e aspirações particularizados e com formas de expressão próprias. Este fenômeno vem sendo associado pelos estudiosos da matéria à chamada geração dos “Baby Boomers”, ou seja, a geração dos jovens nascidos após a Segunda Guerra Mundial, e dentro do clima de otimismo e prosperidade econômica que se seguiu a tal catástrofe. Neste ínterim, os bailes, que eram, pelo menos até um certo período dos anos 60, de um modo geral, um espaço freqüentado por jovens sob a estrita vigilância dos pais – principalmente em relação às filhas -, passaram a sofrer, enquanto formato de evento, uma gradativa mudança. Devido à moral bem mais rígida que então vigorava, os pais “marcavam de cima”, procurando velar pela “incolumidade sexual e afetiva” de suas filhas, o que, evidentemente, lhes exigia que tomassem cuidados redobrados em situações em que as mesmas pudessem ficar especialmente expostas à ação dos “almofadinhas, aproveitadores, gaviões e malandros” (embora normalmente, e na maioria dos casos, fossem rapazes “direitos”, de boa família, estudantes e trabalhadores), como eram alcunhados os “conquistadores” de antanho. As festas, naturalmente, ainda mais porque embaladas por músicas românticas, eram um momento flagrantemente sensível, a exigir o redobro desta vigilância. No correr dos anos 60, contudo, com todos os avanços comportamentais surgidos em seu bojo, traduzidos nos desejos de liberdade de expressão, individual e sexual, começaram, aos poucos, a ocorrer festas em que os jovens não contavam mais com esta indesejada tutela dos “coroas”. Mas é curioso notar que este processo não foi brusco e mecânico, podendo-se inclusive delinear um certo nível intermediário, a partir da lembrança do guitarrista Cláudio Vera Cruz (que integrou os Satânicos, o SOM 4, e a banda do “GR SHOW”, nos anos 60), em entrevista que nos concedeu, de que em um baile realizado na Sociedade Leopoldina Juvenil (um dos mais tradicionais clubes da capital gaúcha, e que reúne a “alta sociedade”), conviveram no mesmo palco o mais notório e consagrado dos conjuntos melódicos dos anos 50, o de Norberto Baldauf, antes aludido, executando seu repertório de música suave, cool, e de indiscutível bom gosto e charme, e os roqueiros de sua banda tocando Beatles, em um “set” especial para os “brotos”. Com efeito, em diversos bailes e reuniões dançantes realizados nos anos 60, não era incomum que a música ficasse a cargo de conjuntos melódicos, e que, à certa altura do evento, um conjunto moderno fizesse o seu “show para a juventude”. Ou seja, havia uma certa clivagem, mediante a qual era aberto um espaço para o “momento jovem” nos eventos. Contudo, na medida em que se avança da metade para o fim da década de sessenta, tornam-se bem mais comuns os bailes e reuniões dançantes em que diversas bandas de rock se revezavam nos palcos, em festas destinadas especificamente para o público jovem, sem o olhar persecutório e vigilante dos “velhos”. Afora o caso, evidentemente, de reuniões dançantes feitas na casa de alguém, geralmente para comemorar aniversários, em que a presença, ao menos dos pais do anfitrião/anfitriã, era praticamente certa, o que, convenhamos, era razoável, sob pena de a casa “virar de pernas para o ar”, como se dizia, à época. Ao mesmo tempo, os pais passaram a freqüentar festas especificamente destinadas a eles (denominadas ainda como bailes, ou jantar-baile, ou show-baile, isto quando havia um show de alguma “atração” de renome durante o evento), nas quais continuaram brilhando os conjuntos melódicos. Até chegarmos ao ponto em que a “convivência” dos dois públicos nos mesmos eventos deixou de ser primaz, passando a ser flagrantemente eventual, dando-se raramente e em ocasiões especiais, tais como nos famosos Bailes de Debutantes. De fato, o que no início da década de 60 era exceção, ao decorrer do período virou a regra, e vice-versa, de forma praticamente inexorável.

Nas festas realizadas em clubes, aliás, conforme já se pontificou, é que muitas vezes eram realizados shows de artistas de renome nacional, e até internacional, que vinham se apresentar na Capital gaúcha e no interior do Estado. Em vista disso, não era incomum que os artistas nacionais fossem acompanhados por conjuntos locais. Isto ocorreu, por exemplo, com Roberto Carlos, que em certa ocasião foi acompanhado pela banda gaúcha Os Dazzles (conforme relatou o tecladista e professor de jornalismo da PUC Sérgio Stoch, em “clássica” entrevista concedida para o programa “Congestão”, da Rádio da Famecos – Rádio Fam, que pode ser acessada pela internet). Realmente, não era incomum que isto acontecesse com os ídolos da jovem guarda (Wanderley Cardoso, Jerry Adriani, Ronnie Von, etc.) ou da própria MPB, quando vinham apresentar-se aqui.

Vale listar alguns dos locais em que eram realizados os bailes em questão, para ter-se uma idéia da abrangência e da quantidade destes eventos, que ocorriam de forma concomitante em diversos espaços, em quase todas as sextas-feiras, sábados e domingos, a ponto de não ser raro que as mesmas bandas tocassem em diversos eventos ao longo de uma única noite, em um revezamento frenético: Sogipa, Grêmio Náutico União, Grêmio Náutico Gaúcho, Sociedade Leopoldina Juvenil, Círculo Social Israelita, Sociedade Floresta Aurora, Cantegril Clube, Glória Tênis Clube, Sociedade Espanhola, Sociedade União e Progresso, Clube Dinamite, Jockey Clube, Sociedade Hípica, Lindóia Tênis Clube, Clube Comercial Sarandi, Grêmio Esportivo Israelita, Sociedade Recreativa Juventude, Petrópole Tênis Clube, Teresópolis Tênis Clube, Sociedade Polônia, Clube Atlético Libertad, Clube Independente, Sociedade Amigos do Jardim Itu, Clube do Comércio, Nonoai Tênis Clube, Sava Clube, Jangadeiros, Partenon Tênis Clube, Barroso-São José, Casa de Portugal, Círculo Militar, Clube do Comércio de Esteio, Cottilon Clube, Três Figueiras Futebol Clube, Sorves, Sociedade Germânia, Clube Campestre, Country Club, Clube Caixeiros Viajantes, Grêmio Esportivo Patriota, Associação Satélite Prontidão, Sociedade Gondoleiros, Sociedade Libanesa, Clube 11 Garotos, Grêmio Esportivo Wallig, Nonoai Tênis Clube, Clube Comercial Sarandi, Pedregulho Futebol Clube, Clube Comercial Guaíba, Sociedade “Nós os Democratas”, Esporte Clube Bandeirantes, Grêmio Futebol Portoalegrense, Tristezense Futebol Clube, Clube do Professor Gaúcho, Sociedade Cruz-Maltina, Sociedade Recreativa Piratini, Sociedade Navegantes-São João, Sociedade Veleiros do Sul, Clube de Regatas 24 de agosto, entre outras diversas entidades espalhadas pela capital e pelo interior do Estado. Além disso, muitas reuniões dançantes eram realizadas em Sindicatos, especialmente no dos Metalúrgicos de Porto Alegre, e por Centros Acadêmicos Universitários (tais como os da Engenharia, Economia, Direito, Medicina, Odontologia, Agronomia, Arquitetura, Farmácia, Jornalismo, etc.), da UFRGS, da Faculdade Católica de Medicina, da PUC, além de Grêmios Estudantis de Colégios tais como o Júlio de Castilhos, o Protásio Alves, o Israelita, o Cruzeiro do Sul, o Glória, o Dom João Becker, o Assunção, etc., alguns promovidos pela UMESPA, e também em Associações, tais como a da Família Militar e a dos Funcionários da Santa Casa, entre outras entidades.

De outro lado, o advento da televisão em Porto Alegre – inicialmente, com a TV Piratini, Canal 5 (dos Diários Associados de Assis Chateaubriand), em 1959, e da TV Gaúcha, Canal 12 (atualmente RBS TV), que se somou àquela em 1962, e, bem mais tarde, em 1969, também a TV Difusora, Canal 10 -, foi de fundamental importância para a divulgação da cena roqueira gaúcha, especialmente pelo fato de que, até o final dos anos 60, boa parte da programação era local, uma vez que ainda não havia a transmissão via satélite. Assim, mesmo a TV Piratini, que integrava a rede da TV Tupi, preenchia expressivos espaços de sua programação diária com atrações locais, o que permitiu uma janela importante para a divulgação dos trabalhos não apenas dos roqueiros, mas dos músicos locais em geral, e também de artistas de ramos diversos, especialmente o teatro. Tal cenário foi modificando-se aos poucos, especialmente com o advento do “videotape”, que permitiu que os programas produzidos no centro do país fossem aqui exibidos alguns dias após a sua transmissão, mediante a remessa das fitas por via aérea, até consolidar-se, nos anos 70, a situação que vivemos hoje, de pouco espaço para a produção original local na chamada TV “aberta”. Neste contexto, haviam diversos programas de auditório, que foram fundamentais para a divulgação do então nascente rock gaúcho, tais como “Juventude em Brasa” (apresentado por Daltro Cavalheiro, que até alguns anos atrás, ao menos, mantinha um programa de auditório na Rede TV), “Q sucessos”, “Darney canta”, todos na TV Piratini, e “Parque Infantil” (apresentado por Waldemar Garcia), “O Show do Gordo” (apresentado por Ivan Castro), “GR Show” (apresentado por Glênio Reis, ainda na ativa, com o seu “Sem Fronteiras”, na Rádio Gaúcha), “Puxa, é a Gaúcha” (apresentado por Hélio Wolfrid, sendo que Tatata Pimentel era do Júri), veiculados pela TV Gaúcha (a qual somente passou a transmitir a programação da Rede Globo, tal como nos moldes atuais, praticamente já nos anos 70), dentre outros. Em 1969, o apresentador gaúcho Júlio Rosenberg voltou a radicar-se no RS, após ter obtido grande sucesso na TV no centro do país, sendo inclusive um dos primeiros apresentadores de auditório a abrir espaço para os então iniciantes e eternos ídolos da Jovem Guarda, dentre os quais inclusive Roberto Carlos; Júlio apresentou na TV Piratini o seu programa de auditório, obtendo, como sempre, muito sucesso. Nos anos 70, ainda, e também na TV Piratini, merece destaque o programa de Sayão Lobato, que contava com o conjunto Impacto como banda “residente”. Estes programas, além de abrirem espaço para a divulgação das bandas, obviamente também revelaram diversos cantores identificados com a Jovem Guarda, tais como Darney Lampert, Luis Eugênio, Paulo Henrique, a bela cantora Glória Bernardete, Maria Helena Castro, dentre outros, muitos dos quais descobertos nos espaços e concursos para “calouros”.

Afora isso, podemos destacar ainda alguns outros programas de rádio que divulgavam a Jovem Guarda (é bom salientar que, de um modo geral, ela fazia parte, em maior ou menor medida, da programação normal das emissoras nos anos 60, e certamente nas rádios ditas “populares”, nos anos 70), como o de Clóvis Dias Costa, na Rádio Continental (ainda antes de a rádio entrar no formato que lhe deu enorme projeção, sob a direção de Fernando Westphalen), e, até o de Fernando Veronezzi, na conservadora Rádio Guaíba – mas até que nem tão vetusta quanto se propala, pois de vez em quando, ao longo de sua história, deu umas “brechinhas” a novidades -, “A Guaíba ensina o sucesso”, no qual eram atendidos os pedidos feitos por carta pelos ouvintes, e no qual eram rodados muito os discos de Roberto Carlos, Ronnie Von (imaginem que uma vez rodou até a psicodélica “Máquina Voadora”, da fase tropicalista do Príncipe), Leno e Lílian, Erasmo, Wanderley Cardoso, Jerry Adriani, etc. Na Rádio Difusora também havia um programa importante, neste sentido, que foi o “Lacta Clube” (apresentado pelo hoje professor e apresentador Carlos Alberto Carvalho, presidente da UNITV)

Listaremos agora algumas das bandas de rock surgidas no cenário gaúcho nos anos 60 (e outras que a elas se somaram nos anos 70): Os Jetsons, Os Brasas, Os Minis, The Dazzles, Os Indomáveis, The Liders, Os Cleans, Os Vibratons, Os Bruxos, Os Signos, os Incógnitos e Alphagroup (Mutuca Weirauch participou de ambas), Avanço 5, The Monkeys, Os Rockets (em que Júlio Fürst era baterista), As Brasas (da qual fizeram parte as cantoras Yoli Planagumá e a hoje gaudéria Berenice Azambuja, do hit “É disso que o velho gosta”), As Andorinhas, Os Boinas Azuis (da qual participou João Baptista, baixista dos Almôndegas, hoje radicado no Rio, e Zezé, o criador do mítico “Clube do Guitarrista Gaúcho”), Os Clivers, The Coiners, Os Havaianos, Os Besouros, Rio 6, Mocotó 5, Os Hienas, The Best, Os Corsários, The Tigers, Mao Mao (na qual tocou Chico Ferretti, e que posteriormente passou a chamar-se Made in Brasil), Os Bravos, The Hermann’s, The Silvers, Tema Jovem, Ajuntamento Show, Os Águias, Manifesto, Os Goldfingers, Poder Jovem, Os Avançados, The Shames, Os Nômades, Som Mágico, Mustang, Os Virginians, The Cheyenes, Beat Five, Jovem Record, Os Faraós, Os Corujas, Os Sayfers, Os Morcegos, The Hoolygans, The Saylors, The Dragons, Os Incendiários, Os Tímidos, Os Felinos, 2001, The Bachfuls (de Cláudio Levitan), Os Maníacos, The Baby’s, Som 6, GR Show, The Kinds, Alfa e Beta, Caravelle, The Thunder Sounds, SOM 4 e Os Satânicos (de Hermes Aquino e Cláudio Vera Cruz), Os Havaianos, A Gang, Os Comanches, Pigmalião 70, Gang, Os Invencíveis, Basket Makers, Enigma, Embalo 5, The Dragons, The Robinsons, Os Galgos, Os Ciclopes, O Elenco, Os Invictos, Os Lobos, Os Avançados, Século XX, Tributo, Os Fantásticos, Os Hippies, Liverpool, Espectro, Os Mongóis, Prefixo, San Remo, Beethoven, The Shames, Manchester, Os Pedreiros, Os Cavaleiros de Fogo, Os Paqueras, Khaos, Prosexo (futuro Byzarro), Os Gertrudes, Os Monges, Os Cavaleiros de Fogo, A Gang, Os Paqueras, Monjolo, Keóps, Exodus, Apolo 5, Impacto, Constelação, Shivarée, Som Livre (ou Sound Free), Choque Mental, Quinta Dinastia, Época, Everest, Os Rand’s, Os Jatos, Os Gobbis, O Cromo, Os Frank’s, Controle Remoto, Os Rubis, Choque, Os Siderais, Som Five, O Esquadrão, Os Acadêmicos Inseparáveis, Dólar, M/A Band (de Pelotas, que gravou um compacto), Maomé, Os Monroes, Os Hienas, Os Andróides, Grow’s, The Chaines, Demian, Super Sound, Impulso 70, Dimensão 70, Geu Boys, BR 70, Os Espiões, Os Navarones, The Beagles, Die Fledermaus (integrado por Gelson Oliveira), Os Zumbis e Hi-fi (integrados por Bebeto Alves), Os Magnos, Alma e Sangue, Os Pingüins, Sociedade Anônima, Talento Band, The Fire’s Boys, Espectro, Os Mágios, The Boxer’s, O Elenco, Os Clips, Pusher, Reação, Brasa Som, Excelsior, O Grupo, Espectro, Califórnia, Monterrei, Sound Company, Boogaloo, Os Dráculas, The Wanders, Apolo 5, Top Top Sound, Pentágono, Tempo Livre, Santana Band, Dimensão 2001, Djambo, Sucexo, Relance, O Momento, Sound Machine, etc.

Pode-se dizer que, pelo menos até pouco antes da metade dos anos 70, os bailes e reuniões dançantes foram o principal mercado de trabalho para os músicos das bandas de rock gaúchas. Até que, gradativamente, devido às mudanças dos hábitos dos jovens, que passaram a se interessar mais por freqüentar bares e casas noturnas (o que se verificou ainda mais expressivamente a partir dos anos 80, quando foram criadas importantes casas, tais como o Ocidente, o Opinião e o Porto de Elis, entre muitas outras), este circuito foi esvaziando-se aos poucos, ao menos na Capital. De fato, a freqüência e a quantidade de bailes e reuniões dançantes com música ao vivo em clubes sociais e outros espaços em Porto Alegre foram gradativamente diminuindo, podendo-se apontar diversas causas, além da já alinhada: o aumento dos custos, em termos de cachês e de aluguel de equipamentos de som e luz, ao mesmo tempo em que muitos clubes estavam se descapitalizando (sendo de assinalar, inclusive, que diversas entidades encerraram suas atividades neste período, ao passo que outras se mantiveram, embora deficitárias, sendo poucos os clubes que atualmente estão em plena atividade, não apenas em relação à parte desportiva, mas também em relação aos eventos sociais, podendo contar com a contribuição em dia dos sócios, e com uma movimentação social regular); o fato de que muitos freqüentadores, especialmente os mais velhos, acharem que os conjuntos tocavam muito alto, “atrapalhando” as conversas e “perturbando” os ouvidos; o baixo custo que representavam, na comparação, os Disc-Jóqueis e o som mecânico, etc. O certo é que esses conjuntos, no período em questão, quando atuavam em bailes realizados em clubes na capital, geralmente o faziam em eventos para casais de meia-idade, não tanto para o público efetivamente jovem – embora isto ainda acontecesse, em certa medida, especialmente em eventos destinados às classes economicamente baixas. Em decorrência dessa relativa decadência no cenário dos bailes e das reuniões dançantes, nem todos os conjuntos conseguiram sobreviver. De fato, esta conjuntura, que foi se desenhando mais claramente nos anos 80, fez com que apenas os grupos que melhor se organizaram e se especializaram neste tipo de evento mantivessem o seu espaço. É o caso, por exemplo, dos conjuntos Impacto, Caravelle, e Boinas Azuis, entre outros, até hoje na ativa. O Impacto é, de todos, o principal conjunto de baile oriundo dos anos 60 (resultante da união de ex-componentes das bandas The Dazzles, The Cleans e The Coiners), tendo inclusive feito uma bela carreira fonográfica desde os anos 70, com repertório próprio e gravando músicas de compositores amigos da banda (tais como Cláudio Vera Cruz, Hermes Aquino, Discocuecas, Calique e Garay, etc.), com diversos LPs e um CD lançados.

Notadamente, nos anos 80, os “Bailões”, tais como o do Cardoso e do Reci, foram um dos poucos espaços que se abriram para a atuação de conjuntos de baile na capital gaúcha. Destinados à população de baixa renda, estes locais, eram definitivamente “malditos” para as classes média e alta. Assim, muitos conjuntos de baile tiveram que “ir aonde o povo está”, ou estava, no caso. Alguns desses locais ainda se mantém, e já se tornaram “clássicos”, tais como o salão de danças localizado ao lado da Casa de Portugal, na avenida João Pessoa, em frente ao Parque da Redenção, e o Star Clube, na Assis Brasil, na zona norte, dentre outras casas do gênero espalhadas pela cidade. Aliás, na medida em que a Jovem Guarda começou a ser tachada de “cafona” ou “brega”, especialmente a partir dos meados dos anos 70, foi neste tipo de casa noturna que nomes como Wanderley Cardoso, Jerry Adriani, Adriana, Rosemary, Vanusa, Antônio Marcos, etc., passaram muitas vezes a se apresentar em Porto Alegre.

No interior do Estado, a mudança de cenário não foi tão radical, embora, em certo grau, também tenha se feito sentir em relação aos grupos de baile oriundos do rock, especialmente no final dos anos 70. A tradição dos bailes em clubes sociais, embora mais voltados a casais de meia-idade, de um modo geral, parece ter sido mais cultivada no interior do Estado do que na Capital no período a que nos referimos agora. Contudo, e até surpreendentemente para um observador “metropolitano”, como é o meu caso, pode-se dizer que nas cidades periféricas à Capital e nas “colônias” este mercado foi, pouco a pouco, e sob outro perfil, cada vez mais se estruturando, a ponto de atualmente passar por um verdadeiro “boom”. De fato, nesta seara, pode-se perceber um fenômeno muito interessante, uma espécie de metamorfose que se foi dando ao longo do tempo, muitas vezes resultante de amálgamas de elementos diversos. Com efeito, vários grupos originados de bandinhas e orquestras alemãs, outros que originalmente atuavam nos bailes gauchescos, alguns grupos de descendentes de italianos, e outros de formação étnica e origem musical não tão facilmente delineável, e, ainda, alguns veteranos de conjuntos originários do rock nos anos 60 e 70 (caso, por exemplo, da Banda Vitrine, formada por músicos com décadas de estrada, que passaram pelos Boinas Azuis, Caravelle, entre outras bandas de nomeada) ou mesmo de conjuntos melódicos melódicos – que faziam o circuito formado por alguns clubes, mas muito significativamente pelos “salões”, seja de bailes propriamente ditos, ou em sociedades de canto, de tiro e caça, de bolão, associações de bairro, times de futebol amador, etc., e por casas noturnas criadas em velhos galpões comerciais e industriais adaptados, tão comuns em nossas zonas de colonização alemã e italiana, e, de resto, alastradas pelo interior afora -, decidiram “modernizar-se”, dando um novo fôlego a este tipo de formação musical. Esta “repaginação” ocorreu mediante a modificação da instrumentação (introduzindo-se um teclado no lugar do acordeão, por exemplo, ou uma guitarra no lugar do violão), e também por mudanças no visual dos componentes (mediante o uso de roupas mais “modernas” e “universais”, e cortes de cabelo mais atualizados, etc.), além de alterações no repertório. Além disso, outros grupos formados por jovens foram surgindo sob a influência e no rastro desta “modernização” (a banda Barbarella pode ser apontada como um bom exemplo deste tipo de conjunto, já contando com uma considerável estrada), e, junto aos mais antigos, consolidaram um mercado muito forte, obtendo ótimos resultados em termos fonográficos e de veiculação em rádios, atuando numa linha bem popular e muitas vezes centrada em repertório autoral, voltados em primazia à população mais humilde, e que desponta paralelamente à fatia de mercado visada pela chamada “Tchê Music” (ela própria também resultante de uma “modernização” da vertente regionalista, em termos semelhantes). Mas é de notar, neste ínterim, que o consumo deste tipo de música entre as classes média e alta, especialmente no interior do RS, vem crescendo significativamente. Para ter-se uma idéia, inúmeras destas bandas vêm tendo os seus CDs pirateados pelo interior afora, muito embora seus discos não passem nem perto do toca-cds (ou computador) da Atlântida FM ou da Pop Rock FM (nessa, aliás, só dentro do quadro do “Everaldo Guilherme”, no qual um dos apresentadores da emissora “encarna” um locutor de rádio “bem povão”, só que em clima de total gozação), as rádios que “fazem a cabeça da galera jovem”. A ponto de não ser mais incomum ver-se, ao menos no interior do Estado, alguma caminhonetão “top de linha” importado trafegando com o volume “a toda”, vertendo o som de alguma destas bandas.

As gravadoras ACIT (a que pertence o selo de rock Antídoto) e Vertical, que exploram massivamente este filão “neo-bailante”, são as maiores incentivadoras destes grupos, em termos de produção fonográfica. Para inteirar-se dos locais e da quantidade destes eventos a que estamos nos referindo, basta o leitor descer na estação rodoviária de alguma cidade interiorana, para ver espalhados pelas paredes diversos cartazes de propaganda (invariavelmente, com a foto colorida da banda em um palco, e com um espaço em branco, no qual são anotados a pincel atômico a data e o local da “função”).

Mas voltando-se ao foco principal de nossa exposição, pode-se dizer que a Jovem Guarda, como de resto, a betleamania, foram e são elementos importantes utilizados – embora muitas vezes em um contexto de fusão com várias outras informações – pelos compositores e bandas atuais que configuram o rock no RS. Algumas sempre explicitam esta influência, como é o caso particularmente da Graforréia Xilarmônica, ou do trabalho solo de seus componentes, e também de Plato Divorak e Banda, Júlio Reny, Wander Wildner, etc.; e do trabalho de diversas outras bandas e autores, ainda que não assumida, pode-se identificar também a influência jovemguardista (dos Beatles, naturalmente, nem se fala, especialmente considerando-se que após a fase “yeah yeah yeah, expressão que deu origem ao nosso “iê iê iê”, caminhou pela psicodelia, vertente disseminada no rock “dos pampas”). A banda Vídeo Hits, que não está mais na ativa, chegou a regravar o clássico “Sílvia, 20 horas, domingo”, de Luis Vagner (guitarrista de Os Brasas) e Tom Gomes, convidando Ronnie Von, que originalmente gravou a canção, para uma participação especial em seu único CD, lançado pela Abril Music. O certo é que o rock gaúcho de hoje, de um modo geral, continua com muita influência das sonoridades e estilos formatados nos anos 60, sendo que, destas, a banda Cachorro Grande é a que mais recentemente tem obtido maior projeção nacional.

Paulo mailto

Seg 24 Out 2011 02:47

Meu Pai tinha uma banda chamada The Dragons e estou procurando vídeos e material a respeito..quem souber pode entrar em contato comigo através do paulo@somosb.st
Obrigado!


  • Lairton mailto

    Ter 08 Fev 2011 19:23

    Anos 60: Os Phantomas, Beat Group Co. e Os Cleans! É nóis que voa! Abraços.


  • Luis Freitas mailto

    Sex 12 Fev 2010 12:51

    Em Guaiba nos setenta e quase oitenta, teve muita movimentação em torno de banda de baile. Posso citar The Protectors, com o grande baterista chico de Paula, Os Trepidantes com o baixista Adro e oguitarrista Cézar, que gravaram um cd em 2005, e se apresntaram no programa Radar da TVE. O grupo Girasol dos irmãos Gilberto e Gilmar, que depois com a adesão do baixita Beto Betthovem virou o grupo Tempo, que tocou inclusive em Santa Catarina, tocamvam um Rock “Hard” e também canções dos almondegas, casa das maquinas. Sua formação era Guitarra: Gilberto, Baixo: Beto Beethoven ou o substituto Funério, Bateria: Gilmar (tio Boca) todos cantavam. Nos anos 80 começou uma movimentação musical em Guaiba. Tivemos o grupo Acalanto com Zé Queixo, Beethoven e Rato. Que contou com o violão exemplar e guitarra de Cacá de Xangô músico conhecido em Porto Alegre. Tivemos o grupo Apse, integrado por Tota Remedyus que mais tarde integrou a Hootchie Coochie Band de Blues, juntamente como Luisinho. Nos noventa bandas fizeram sucesso tais como: Los Vatos, Superguidis, Beckandroll com Eduardo Freita guitarra e vocal, que detonam o mais puro Punk Rock.


  • Luis Freitas mailto

    Sex 12 Fev 2010 12:30

    Em meados da década de setenta, pude ir a diversos bailes (no mínimo tres) em Guaiba, Sociedade União dos Veteranos, e Sociedade Amigos do Balneario Alegria, em que a atração eram diversos conjuntos. 5º Dimensão, Sound Machine, Bobo da Corte (fuguetti), Laranja Mecanica (fuguetti idem), eram noitadas espetaculares para a gurizada. Exatamente como tu falas no texto.

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Woodstock em Porto Alegre

por Rogério Ratner

Blog de bandasdorockgauchoforever :bandas do rock gaúcho forever, Woodstock em Porto Alegre

VIVENDO A VIDA DE LEE –WOODSTOCK EM PORTO ALEGRE
por Rogério Ratner

“É Lee, é calça Lee, é Lee, é calça Lee…” (baixa o som do jingle, entra a voz com eco, com muita energia e rapidez na dicção): ”na superquente Continental, o novo movimento, o som daqui, já gravado no estúdio 2 da superquente, especial para Mr. Lee em concerto, isso é viver a vida de Lee, é você estar ligado na Continental, ao natural, curtindo o que os nossos têm pra nos dizer, gente daqui, o novo movimento, a força do som local (…)”; “superquente Continental, fique parado aí xará, é gente nossa, som feito aqui no Porto, aqui na superquente com Mr. Lee, os melhores da música do sul do país, o som que levou mais de cinco mil pessoas para o Araújo Viana, pra curtir o Concerto número II, você está sintonizando, curtindo a superquente (…)”; “Lee, a proposição de uma força nova, uma coisa daqui, com a força total da superquente Continental (…)”. (“Living the life of Lee, living the life of Lee…”, baixa o jingle, entra a voz): “Vivendo a vida de Lee, o importante é você olhar pra uma Lee e saber que é Lee, Mr. Lee em concerto, pra você ficar por dentro do que está acontecendo de bom, um trabalho de estrutura, pra você curtir o som local, valorizar a nossa música, saca o som, o ritmo autêntico, o recado natural, com a liberdade de Lee, saca a força desta guitarra (…)”; “isso é viver a vida de Lee, é você estar ligado na Continental, ao natural, gente daqui, do novo movimento, a força do som local, um lançamento de Mr. Lee para todo o sul do país, Mr. Lee em concerto, dando força para os novos talentos, saca o som, o recado (…); “pra qualquer hora, qualquer lugar, em qualquer tempo, Lee jeans, veio de muito, muito longe, andou muita estrada pra ficar junto de você, jeans, a roupa que dá consistência ao corpo e “guenta” o tirão, pra você curtir a total liberdade num mundo todo azul, prestigie e valorize os nossos músicos, “vamo” curtir o recado, com Mr. Lee em Concerto, dando força para os novos talentos, a onda 1120 superquente Continental, com 20 Kilowatts transistorizados…”

Quem viveu na década de 70 em Porto Alegre e era jovem – ou criança, como eu, que tinha por volta de dez anos, à época – certamente nunca mais se esqueceu da voz e da animação incontrolável do Mr. Lee, captada em nossos incipientes radinhos de pilha, ou então nos velhos rádios e eletrolas dos “coroas”. Mr. Lee – personagem hoje mítico no imaginário das novas gerações do “som local” e na lembrança de seus contemporâneos setentistas, que a princípio deveria corresponder a um cowboy americano, mas que aos poucos foi se transmutando em um legítimo “magro do Bomfa” (O Bomfim é o bairro onde aconteceram alguns dos principais agitos artísticos e musicais dos anos 60 em diante em Porto Alegre, e está intimamente ligado, enquanto cenário, ao rock e à música popular feitos na capital gaúcha), encarnado de corpo e alma pelo genial radialista Júlio Fürst, na igualmente espetacular e revolucionária Rádio Continental AM, emissora pertencente ao Sistema Globo de Rádio.
A Rádio Continental AM, que já existia desde os anos 60, mas que era uma emissora com programação semelhante a das rádios AM do interior, sem uma direção clara em sua programação, foi adquirida pelo Sistema Globo de Rádio no final dos anos 60. No início dos 70, Fernando Westphalen e Marco Aurélio Wesendonck assumem o comando da emissora, e recebem carta branca para repaginá-la. Assim, surgiu no dial portoalegrense uma proposta nova, sendo a Continental um dos primeiros veículos a apostar na segmentação da audiência jovem, uma vez que as demais rádios AM, de um modo geral, atuavam no esquema que ainda é atualmente utilizado naquela faixa de emissão, de notícias, entretenimento, esportes, política, etc., para o público em geral, não separado por faixas etárias. A Continental então traçou o “mapa da mina” cujos rastros foram seguidos a partir do início da década de oitenta por diversas rádios FMs na capital dos gaúchos e em seu entorno – quando a música jovem trocou de faixa no dial do AM para o FM -, formato que se alastrou por todos os “rincões do pampa” e que, guardadas as proporções, vigora até hoje. Além de Júlio, a rádio contou com diversos disk-jóqueis inovadores, tais como o Cascalho (a quem se pode atribuir a paternidade da expressão “magrinho”, tão em voga na Porto Alegre da época, e que identificava a “galera” jovem), Clóvis Dias Costa, Beto Roncaferro (que era o programador musical da rádio), entre outros. Veiculava também um programa dos então professores do cursinho pré-vestibular IPV, José Fogaça (atual Prefeito de Porto Alegre) e Clóvis Duarte (Programa Câmera Dois, na TV Guaíba). Inovava na locução, na linguagem, na informalidade de seus locutores e apresentadores, no marketing, na propaganda- que era feita especialmente para ser rodada em suas ondas -, contava com o comentário diário do escritor Luis Fernando Veríssimo, entre muitas outras novidades, sendo a primeira emissora “cientificamente” criada no Sul especialmente para o público jovem e universitário. Isso numa época em que tudo no país era muito “quadrado”, o Brasil estava em plena ditadura militar, momento da vida nacional em que o “É proibido proibir” do maio de 1968 descambou no pesadelo do “Nada é permitido, inclusive pisar na grama”. E a Continental não raras vezes bateu de frente com a ditadura e sua famigerada censura, tendo inclusive sido retirada do ar em determinados ocasiões, além de ter que conviver diariamente com o “bafo” dos censores.
Analisando-se o fenômeno em que se constituiu esta rádio – e sem embargo quanto a todos os seus inegáveis méritos e o papel de vanguarda em diversos aspectos, como já assinalado -, observa-se que o trabalho de Júlio Fürst na Continental indiscutivelmente se revestiu de um caráter único, não apenas pelo estilo próprio de apresentar o seu programa, mas também pela proposta que destemidamente bancou junto aos diretores da emissora, que trouxe conseqüências espetaculares para o desenvolvimento e a divulgação do rock gaúcho e da MPB feita no sul.
A história começa mais ou menos assim: Júlio, que é baterista, atuava em um conjunto melódico (tocavam em bailes e festinhas) nos anos 60, e no início dos 70 teve uma loja de discos na Avenida Independência, então um dos points da juventude portoalegrense. Um amigo seu -que veio a ser proprietário de inúmeras casas noturnas famosas na capital gaúcha-, indicou-o para trabalhar na Rádio Pampa AM, que tentava fazer frente à monopolização que a Continental estava obtendo frente ao público jovem das classes A e B (e parte da C). O trabalho de Júlio chamou a atenção da Continental, e após um tempo ele e o seu “fiel escudeiro” Beto Roncaferro se foram de “mala e cuia” para a concorrente. Inicialmente, Júlio apresentava um programa de soul/funk americano, encarnando “Julius Brown”, um negão “típico” do Bronx que transmitia em português, embora o locutor seja um indisfarçável descendente de alemães. Chegou a discotecar festas no Clube Floresta Aurora (entidade quase que exclusivamente freqüentada pela comunidade negra da capital, que fazia festas semelhantes aos bailes realizados no Rio nos anos 70, em que vicejavam Banda Black Rio, Cassiano, Tim Maia, etc.), caracterizado como “negão black” clássico, ladeado por duas dançarinas com cabeleiras black power, na maior cara-de-pau. Então, ocorreu que, à época (início de 1975), a fábrica de roupas gaúcha Renner (da qual se originaram as Lojas Renner, hoje uma cadeia nacional) decidiu estabelecer uma espécie de franchising com a Lee americana, para produzir no Brasil as calças jeans como “originais”, tendo em vista que até então as calças da marca que circulavam por aqui eram todas importadas. Nos EUA, a Lee já tinha um programa transmitido coast to coast de música country, inclusive promovendo shows ao vivo. A Renner, que queria justamente penetrar na faixa de mercado do público jovem, propôs à Radio Continental que a emissora produzisse e transmitisse um programa nos moldes do americano. Então, “Julius Brown” foi aposentado e Júlio Fürst passou a encarnar o “Mr. Lee”. Desta forma, a partir de abril de 1975, Júlio apresentava (narrando em português, obviamente) o programa do Mister Lee, encarnando uma espécie de cowboy brasileiro e veiculando country americano. Em julho daquele ano, Júlio foi convidado para ser jurado do Musipuc, o festival mais importante de música universitária que se realizava na década de 70 em Porto Alegre. Encantado com a qualidade dos trabalhos que viu e ouviu ali, teve a idéia luminosa de propor à direção da Continental que os artistas locais gravassem suas músicas no próprio estúdio da Rádio, no gravador de dois canais constantes do Estúdio B, e que as músicas passassem a rodar em seu programa. Os diretores acharam a idéia um pouco maluca, e disseram que o risco seria do próprio radialista, caso aquilo redundasse num fracasso de audiência. Júlio, corajosamente, decidiu abraçar a “bronca”.
A proposta – que inicialmente consistiu na oportunidade de os músicos registrarem de forma semi-profissional seus trabalhos, gravando suas canções nos estúdios da própria rádio, numa época em que Porto Alegre não era dotada de estúdios efetivamente profissionais, e, melhor ainda, com a veiculação iterativa e efusiva das gravações no programa do Mr. Lee, e, posteriormente, inclusive na programação normal da rádio – desembocou em um verdadeiro movimento musical sem precedentes na cena portoalegrense, que não somente ganhou o Estado, como inclusive marcou presença no Paraná, apresentando o trabalho dos gaúchos aos paranaenses, e vice-versa. Foram shows e caravanas de músicos pelo sul do país, com auditórios lotados e, não raro, tumultos e fãs histérica(o)s. Quando os artistas apresentavam-se nos shows denominados “Mr. Lee in Concert”, subiam ao palco não raro tendo a platéia “na mão”, uma vez que o público jovem já conhecia as músicas por ouvi-las reiteradamente antes na rádio, não raramente cantando junto as canções. Nestes shows – e nos shows individuais e coletivos que os artistas passaram a fazer a partir daí – havia uma total identidade entre os espectadores e os artistas, assim como eles, jovens típicos da classe média gaúcha (e de outras classes também). Geralmente os artistas e o público estavam imbuídos das mensagens de “paz e amor”, de sonhos e utopias, nos rastros do movimento hippie e de outras viagens típicas dos anos 70. Além disso, as apresentações eram recheadas de toques sobre a “liberdade” e o vazio do mundo do consumo, mensagens que, diga-se de passagem, tinham que ser muito bem metaforizadas para conseguir “passar” pela censura. Os shows, guardadas as proporções, eram traduções miniaturizadas de Woodstock, festival americano no qual Júlio procurou se inspirar, e em vários aspectos eram mesmo correlatos deste. É claro que não tinham e nem podiam contar com toda a estrutura, a “piração” e liberdade vigorantes nos EUA dos 60, afinal ainda estávamos em plena ditadura, e a própria reunião de um grande número de jovens em um local fechado já era muito mal vista pelos censores, que exigiam que o radialista e os músicos lhe submetessem previamente o conteúdo do que iam falar ao público. Mas com certeza, em termos de número de atrações, qualidade, variedade, duração dos shows (o show no auditório Araújo Vianna durou uma eternidade) e animação, havia sim semelhança com o grande festival americano, guardadas as proporções, enfatiza-se. É preciso destacar também que, naquela época, meados dos anos 70, em que reinavam soberanos os vinis, os discos independentes eram raríssimos, limitando-se a eventuais e bissextas “matérias pagas” de algum “incauto” ou “milionário”, de forma que o esquema do Mr. Lee proporcionou que artistas amadores (em termos profissionais, não em questão de qualidade musical) e independentes pudessem registrar o seu som e divulgar de forma totalmente gratuita o seu trabalho, sem qualquer esquema de jabá ou coisa que o valha, muito ao contrário. Pra não fugir da regra, tudo isto somente aconteceu porque na hora certa estava no local certo a pessoa certa, com a atitude certa. Sem dúvida, se não fosse a coragem pessoal do Júlio Fürst, então no início de sua promissora carreira profissional de radialista e apresentador (a que, após este ciclo, deu continuidade, já despido do personagem, mas de forma não menos brilhante, na própria Continental e em diversas FMs da cidade, sendo que atualmente desempenha na Rádio Itapema FM), nada disso teria acontecido. É preciso lembrar que os fatos a que fazemos alusão ocorreram num cenário em que não havia significativas apostas em artistas jovens locais por parte da mídia – com raras exceções de incentivadores, tais como o grande radialista Glênio Reis, Pedrinho Sirótsky e o seu Transassom, bem como o suporte dado pela mídia escrita, especialmente por Juarez Fonseca, Maria Wagner, Osvil Lopes e Nei Gastal -. O contexto do mercado musical gaúcho era tal que os talentos surgidos inevitavelmente tinham que migrar para o centro do país para obter maior projeção e o merecido reconhecimento, sem que gozassem ainda de um ilimitado prestígio por aqui, tal como ocorreu nos anos 60 com Elis Regina e com o Liverpool (banda de rock tropicalista que na década seguinte deu base ao também lendário Bixo da Seda). E é justamente por conta desta realidade local, que a postura que Júlio decidiu abraçar com unhas e dentes se afigurava então uma incógnita, e se apresentava virtualmente temerária, não apenas comercialmente para a Rádio Continental, mas inclusive para o próprio futuro profissional do radialista. Com efeito, não havia muita referência acerca da viabilidade comercial desta proposta inovadora, à época, mas é indubitável hoje que, se não fosse pelo pioneirismo de Júlio e dos diretores da rádio, que respaldaram a sua idéia, certamente o mercado local de música em Porto Alegre não seria o que depois veio a ser, e tampouco o que é hoje. E o que chama mais atenção, e que nos revela que a coragem foi ainda maior do que se poderia inicialmente supor, é a extrema qualidade dos trabalhos veiculados, o que indica que a diretriz era no sentido de se promover um verdadeiro nivelamento “por cima” junto ao público. De fato, Júlio não “facilitava” para o público, não nivelava “por baixo”, não “empurrava” músicas fracas e escancaradamente comerciais “goela a baixo”, em busca de maior penetração junto à audiência. Ao contrário, os trabalhos musicais que o Mr. Lee apoiava não ficavam em nada a dever em relação ao que era produzido de melhor, à época, no resto do país, em termos de MPB, Pop e Rock. Júlio, com sua audácia e originalidade, demonstrou que era (e é) possível sim veicular música jovem de qualidade feita em Porto Alegre e obter com isso respaldo popular e resultados comerciais em termos de faturamento da emissora.
Infelizmente, o programa do Mister Lee deixou de ser produzido em face do desacordo havido entre a empresa patrocinadora e a direção da rádio, quanto aos valores do contrato de publicidade. Deste modo, Júlio já entrou o ano de 77 não mais como o cowboy, mas como “Mestre Júlio”, e sem o “gás” que o patrocínio proporcionou em termos de respaldo para a produção dos shows, que por serem coletivos e durarem horas a fio, envolviam altos custos. O fim do programa, em que pese a força que o radialista e o restante da equipe da rádio continuaram dando ao som local, representou um considerável revés para alguns dos trabalhos musicais que eram divulgados naquele espaço. Alguns outros artistas da cena conseguiram manter uma projeção ascendente em suas carreiras, em que pese tal fato.
Não seria arriscado dizer que possivelmente muitos de nós hoje não conheceríamos os excelentes músicos que afloraram daquela geração portoalegrense e gaúcha, que Júlio catapultou em seu programa e nos shows que promovia. Alguns destes artistas, se não fosse a ousadia do seu “empurrão” inicial, talvez não se tornassem tão famosos nacionalmente no futuro, tais como Kleiton e Kledir (então membros dos Almôndegas), Hermes Aquino (é, aquele mesmo da Nuvem Passageira) e Joe (roqueiro que começou pela MPB, vencendo uma das linhas da Califórnia da Canção, festival de música regionalista gaúcha, como Zezinho Athanásio, depois transmutando-se em “Joe Euthanásia” – observação: não chegou a participar de show do Mr. Lee, mas era rodado no programa), e Mauro Kwitko (autor de algumas das pérolas do repertório de Ney Matogrosso em sua carreira solo). Além, obviamente, talvez não viessem a obter projeção tantos outros nomes importantes que surgiram naquele período, tais como Fernando Ribeiro, Gilberto Travi, Inconsciente Coletivo, Nelson Coelho de Castro, e muitos mais. Mas não apenas isso, se não tivesse acontecido o movimento capitaneado pelo Mr. Lee -naqueles frenéticos dois anos aproximadamente em que o programa foi ao ar, do meio para o fim da década de 70-, não seria delírio pensar que muitos outros trabalhos importantes como os de Nei Lisboa, Bebeto Alves, Gelson Oliveira, Totonho Villeroy, Vitor Ramil, Júlio Reny, Jimi Joe, Wander Wildner, Frank Jorge – ou seja, um espectro que abrange o próprio Rock Gaúcho dos Anos 80, que estourou Brasil afora -, talvez não houvessem obtido tanta repercussão no futuro. Ocorre que vários dos radialistas importantes surgidos na década seguinte (a grande maioria inclusive hoje ainda na “ativa”), que deram o “empurrão” inicial necessário para impulsionar as carreiras destes músicos, eram fãs dos programas veiculados na Continental, e foram influenciados de alguma maneira pelo “modelo” do programa do Mister Lee, adotando a mesma postura de divulgar e apoiar valores locais novos em suas respectivas rádios FM. Pode-se rastrear a influência da Continental AM, ainda que de forma reflexa, na formatação das rádios Ipanema FM, Atlântida FM, Unisinos FM (notadamente em sua versão inicial, mesmo porque o seu criador assim o declarava), Band FM (o manager Kamarão também reconhece a influência), Gaúcha FM (atualmente Itapema), Pop Rock e FM Cultura (especialmente na época em que Zé Flávio foi o Diretor de Programação). Ou seja, nas principais estações de música jovem, rock e mpb da capital gaúcha.
Seguem abaixo alguns dos trabalhos e artistas veiculados pelo Mister Lee e pela Rádio Continental AM nos anos 70 ligados ao rock (ou ao pop rock, ou à MPB mais ligada ao pop). Não é ocioso registrar que, em entrevista pessoal que Júlio Fürst me concedeu, perguntei-lhe porque o Bixo da Seda, então o principal nome do Rock Gaúcho, não fez parte do “circo” do Mr. Lee. Segundo Júlio, isso deveu-se ao fato de que, embora tenha feito o convite ao empresário da banda, o mesmo pediu uma alta soma à guisa de cachê, o que a produção não tinha condições de cobrir, tendo em vista que os valores alcançados pelo patrocinador mal suportavam os custos de produção, sendo que os artistas (não raro dez ou doze bandas por evento) rateavam apenas o que sobrava, após o abatimento dos gastos, da renda da bilheteria.

– Inconsciente Coletivo: banda que misturava folk e mpb num formato “Peter – Paul – Mary “, com João Antônio (atualmente dono do Abbey Road, uma das principais casas de shows musicais de Porto Alegre, na qual é sócio de Júlio Fürst), Alexandre (um dos proprietários do Sargent Peppers, outra casa noturna importante da cidade) e a (psicóloga) Ângela. Um som suave, com violas e vocais, bem legal, em que se destacavam as músicas “Voando Alto” e “Terras Estranhas”, gravadas em um compacto lançado em 77 pela gravadora carioca Tapecar.
– Bizarro (posteriormente Byzarro): banda de rock progressivo, hard rock, jazz e o que mais pintasse. Criada nos anos 60 sob a alcunha de Prosexo, contou em sua formação com Carlinhos Tatsch (guitarra), Gélson Schneider (baterista, que posteriormente pertenceu às bandas Trovão, Swing e Câmbio Negro), Mário Monteiro (baixo) / Mitch Marini (baixista que também integrou as bandas mencionadas de Gélson). Fizeram vários shows em dobradinha com o Bixo da Seda. Destacam-se no repertório “Sombras” e “Betelgeus Star”.
– Bobo da Corte: na época do Mr. Lee, a banda tinha na formação Zé Vicente Brizola (filho do próprio e fundador do Bixo da Seda), Gatinha (bateria, posteriormente atuou no Saracura em sua fase inicial), Chaminé (baixo, depois Saracura) e Otavinho (guitarra). Fughetti Luz chegou a participar de uma das formações desta banda, antes de entrar para o Bixo. Rock direto levemente hard, numa levada bem juvenil, sendo de destacar “Genial Colegial”.
– Almôndegas: Banda seminal da música gaúcha dos anos 70, da qual participavam Kleiton e Kledir, e, ainda, Quico Castro Neves, Gilnei Silveira e Pery Souza. Depois, saíram os três últimos e entraram Zé Flávio, João Baptista e no finzinho (79) Fernando Pesão, este na bateria. Transitava pelo rock, bossa nova, milongas, temas regionais do Sul, Mpb e o que mais pintasse, com ótimas letras. Destaque para a Canção da Meia-Noite, que foi trilha da novela Saramandaia da Rede Globo, e Rock e sombra fresca no Quintal (ambas do genial guitarrista Zé Flávio).
– Hallai-Hallai: banda de country/folk rock, num estilo bem acústico, fazia um som muito legal, contava com Necão e Paulinho, entre outros membros que foram se revezando, sendo que em 1987, com Jorge Vargas no baixo, gravou um disco pela gravadora 3M, intitulando-se apenas como Hallai. Em destaque, as músicas “Cowboy” e “Quando viajar pro Norte” (esta de Fernando Ribeiro).
– Zé Flávio e o Mantra (posteriormente Mantra Jazz Rock circus): Banda capitaneada pelo guitarrista Zé Flávio, o qual, antes de monta-la, participou da banda-show Em palpos de Aranha, que também chegou a se apresentar em show do Mr. Lee (a Em palpos era Zé, Cláudio Levitan, Graça Magliani, Giba-Giba e Néri). O Mantra era formado ainda por Inácio (baixo), Fernando Pesão (bateria, também da banda instrumental Zacarias, que participou do Mr. Lee, posteriormente integrante dos Almôndegas, Saracura e atualmente nos Papas da Língua), e Jakka (percussão),  Zé Luiz (guitarra, ex-os Monges, e futuro Desenvolvymento) e Clóvis (percussão). Transitando entre o rock, o blues, a mpb, o tango, entre outras milongas, sempre com uma pitada “latina” a la Carlos Santana, fazia um som bem lisérgico e com muita energia. Destaque para “Dói em mim” e “A Margarida do Brejo”. A banda terminou quando Zé foi convidado para integrar os Almôndegas em 77, mudando-se para o Rio de Janeiro.
– Élbia: cantora que fez parcerias com o jornalista, radialista e músico Jimi Joe, apresentou-se no último show do Mr. Lee, realizado no Teatro Leopoldina, em 76, tinha uma música maravilhosa, que não deixava nada a desejar em relação à Rita Lee da fase Tutty Frutti, chamada “Como meu quociente de pureza se manifestou diante da Sociedade”.
– Gilberto Travi e o Cálculo IV: MPB com pitadas de Jazz e blues, com letras inteligentes e provocativas, nas quais eram utilizadas muitas das gírias dos anos 70, com um especial sotaque portoalegrense. Participou em todos os shows do Mr. Lee. Gilberto chegou a ser convidado por Liminha para gravar um compacto pela Warner, que havia se separado da Gravadora Continental, na época, e estava criando o seu cast, o que só não rolou em face da falta de garantias financeiras mais sólidas, além da exigência de que abandonasse a banda que sempre o acompanhou. Posteriormente, junto com o próprio Júlio Fürst, com Beto Roncaferro, e com João Antônio, formou os Discocuecas, banda impagável de “gozação” e “tiração de sarro”, na qual restou muito bem canalizada a face humorística que Gilberto também explora como compositor e performer. Em sua faceta “séria” destaca-se, no repertório de “Gilberto Travi e o Cálculo IV”, “Poluição” e “Pretensão”.
– Hermes Aquino: sensacional cantor e compositor, traçava o que viesse, do blues/rock à guarânia. Em sua fase tropicalista, nos anos 60, foi pra Sampa e orbitou em torno dos poetas concretistas, junto com sua prima Laís Marques e com Carlinhos Hartlieb, fechando parcerias com Tom Zé e o grupo o Bando. Depois voltou para o Sul e foi um dos principais nomes dos shows do Mr. Lee. Em face desta visibilidade, gravou pela Tapecar as músicas Nuvem Passageira e Matchu Pitchu, sendo que a primeira foi trilha da novela Casarão, primeiro lugar nas paradas de sucesso nacionais. Desentendendo-se posteriormente com a gravadora Capitol, que lançou seu segundo LP, recolhendo-se infelizmente em ostracismo em sua casa em Porto Alegre, o que vigora até hoje, para a tristeza de seus fãs.
– Utopia: Trio acústico à base de dois violões de aço (um deles de doze cordas) e violino, liderado por Bebeto Alves, contando também com os irmãos Ricardo e Ronald Frota. Difícil de classificar o seu som, feito de “viagens sonoras” típicas dos anos 70, com muito improviso e músicas intermináveis, me arriscaria a dizer que seu estilo era mais ou menos “psicodélico-acústico-progressivo”, com pitadas de jazz cigano (em entrevista que me concedeu, o Bebeto associou o som da banda ao Crimson de Robert Fripp). Desmanchou-se em 76 e lá por 78 teve nova formação, bem maior, e com uma proposta ligeiramente diferente da original, com Bebeto, Ricardo, Cao Trein, Zé Henrique Campani (que também foi dos grupos Emergência e Metamorfose, que participaram de shows do Mr. Lee) e até de Nico Nicolaiéwsky (passagem rápida), dentre outros. Lá por 79 Bebeto começou sua carreira solo.

  

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