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O Rock Gaúcho dos anos 90 e 2000

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Podemos dizer que nos anos 90 o rock gaúcho continuou a trilha ascendente verificada nos anos 80. Embora mercadologicamente falando, como sabemos, o rock tenha sofrido um certo encolhimento no início dos anos 90 em nível nacional, não se pode dizer que a produção roqueira em si tenha sofrido um efetivo abalo. De fato, em que pese o acesso ao mainstream tenha ficado cada vez mais restrito e difícil, dentro de uma estratégia das grandes gravadoras de concentrar seus investimentos em artistas/bandas do gênero que garantissem retorno garantido, havendo uma diminuição significativa na aposta em novos trabalhos, o certo é que isto não refreou o surgimento de uma infinidade de novas formações, em diversos estilos e trazendo inúmeras referências: houve a aproximação com o hip hop, com o funk, com o soul e a música negra em geral, com a MPB e com diversos regionalismos, com o som mais pesado (inclusive com a segmentação da própria cena do metal em diversas subdivisões), com o reggae, etc. Algumas destas tendências, é bem verdade, já pontificavam nos anos 80, mas foram, sem dúvida, aprofundadas nos anos 90, inclusive com a consolidação de nichos próprios.

O surgimento de selos independentes foi fundamental para a vazão de boa parte da produção roqueira daquele período, muito embora muitos projetos de gravadoras indies não tenham tido a necessária continuidade. Além disso, a democratização gradual da tecnologia digital permitiu que um sem-número de bandas e artistas que, na chamada “era do vinil” – em que as gravadoras eram praticamente a única possibilidade de registro e lançamento de um trabalho musical –, não tinham muita opção, passassem também a lançar os seus trabalhos de forma independente. Neste sentido, deram continuidade ao caminho aberto especialmente no final dos anos 80 pelo chamado “mercado independente” de LPs; mas, sem dúvida, os custos com a gravação e a prensagem, embora não fossem nada desprezíveis já com o advento da tecnologia digital, aos poucos foram diminuindo, ao menos em relação ao que ocorria antes, o que permitiu que se chegasse ao crescimento exponencial do número de gravações e lançamentos que se verifica hoje. É bom lembrar, neste ponto, que, na realidade, no início dos anos 90, o lançamento de LPs ainda era expressivo. Basta lembrar, por exemplo, que o primeiro disco da banda gaúcha Papas da Língua, lançado em 1995 pela Sony Music, teve versão ainda em LP, concomitantemente com o lançamento em CD. Mas, sem dúvida, até o final da década a “vitória” da mídia digital frente aos velhos “bolachões” foi esmagadora, e estes, atualmente, sobrevivem apenas como relíquias de colecionadores e aficcionados, tendo ressuscitado muito mais como objeto “cult”, em nova versão mais “robusta”. Mas ainda é difícil avaliar as possibilidades deste mercado para além do nível da curiosidade, ainda mais que o próprio CD, enquanto mídia, já rareia, suplantado que está, por sua vez, pelos arquivos virtuais em mp3. Mas retomando-se o nosso foco, assim é que as possibilidades trazidas pela mídia digital permitiram que um sem-número de bandas e artistas começassem a divulgar seus trabalhos de uma forma mais qualificada do que geralmente ocorria anteriormente, em que o início da divulgação normalmente ocorria mediante shows, e, em alguns casos, com o auxílio de fitas demo ou compactos, para apenas em um momento posterior, de maior consolidação de um trabalho, fossem feitos os registros fonográficos em álbuns propriamente ditos. Hoje em dia, como sabemos, este processo radicalizou-se de forma extraordinária: é bastante comum que uma banda totalmente desconhecida já seja lançada contando com CD, DVD, site na internet, vídeos no Youtube, etc., etc. Toda esta revolução digital, em conclusão, permitiu um enorme crescimento no número de trabalhos divulgados, estimulando, por sua vez, também, a própria consolidação e surgimento de bandas e artistas novos, em que pese isto não tenha sido efetivamente acompanhado por uma abertura de espaços na mídia convencional, de maneira a dar vazão a toda esta produção.

Um fator muito importante decorrente da consagração do CD, para o rock gaúcho nos anos 90, foi que isto permitiu uma espécie de renascimento para diversas formações que fizeram muito sucesso nos anos 80, e que, em face do refluxo mercadológico a que nos referimos verificado no início da década, ou por outras razões específicas de cada banda/artista, estavam inativas ou em menor evidência. Assim, o lançamento em CD de coletâneas como a “Hot 20”, do selo Plug, da BMG, contendo gravações clássicas de bandas como os Garotos da Rua, TNT, De Falla e Replicantes, propiciaram a que uma nova geração de fãs do rock gaúcho tivesse contato com tais trabalhos, lançados originalmente em LPs, e provocaram uma reativação de tais formações. Ao mesmo tempo, muitos artistas originados de bandas clássicas do rock gaúcho dos anos 80, articularam suas carreiras-solo, ou fundaram novas bandas: é o caso de Júpiter Apple, Flu, Nei Van Sória, Márcio Petracco – atualmente à frente dos Locomotores -, Júlio Reny, Frank Jorge – cuja Graforréia Xilarmônica também foi reativada – (estes três últimos se articularam nos Cowboys Espirituais), Wander Wildner, Bebeco Garcia, Marcelo Birck, Plato Divorak, Egisto dal Santo (da Colarinhos Caóticos, e que integrou também a Benedict e A Cretinice me Atray, e, ao lado de Júlio Reny, a “Histórias do Rock Gaúcho”, dentre várias outras formações), Jimi Joe (integrante de A Cretinice me Atray, Sandina), etc.

Um grande diferencial para o rock gaúcho dos anos 90 foi o fato de que se articulou uma “indústria” até um certo ponto autônoma em relação ao restante do país, com a consolidação do selo Antídoto, da gravadora ACIT. Esta gravadora, originária de Caxias do Sul, que assumiu os estúdios da antiga ISAEC em Porto Alegre (a qual pode ser apontada como a primeira experiência de uma gravadora gaúcha com pretensões de se firmar como um selo com penetração nacional, ainda nos anos 70, mas cujo projeto terminou “ficando pelo caminho”), tinha e tem como seu carro-chefe a música nativista e os conjuntos de baile, chegando a lançar, contudo, ainda nos anos 80, alguns discos do pop e do rock gaúchos, naturalmente em vinil (Nei Lisboa, Taranatiriça, Duca Leindecker, Rock Garagem, etc.). Mas foi com a consolidação do selo Antídoto, tendo como figura de frente o produtor Raul Albornoz, que a ACIT sacramentou o seu enfoque sobre a cena roqueira gaúcha. Articulando-se com as principais estações de rádio da capital gaúcha (Atlântida FM, Pop Rock FM – antiga Felusp, da Ulbra – e Ipanema FM), o selo Antídoto colocou em grande evidência os seus contratados: Maria do Relento, Júpiter Apple, Solon Fishbone, Papas da Língua, Ultramen, Comunidade Nin-Jitsu, Tequila Baby, Armandinho, Bidê ou Balde, Cidadão Quem, Nenhum de Nós, Acústicos e Valvulados, dentre outros. A gravadora também realizou lançamentos de artistas/bandas da cena underground, como a Foo Wang Foo (do pioneiro do rock gaúcho, Edinho Espíndola, do Liverpool e Bixo da Seda), dentre outros. O sucesso da Antídoto levou a própria RBS a articular posteriormente o selo Orbeat, em muitos casos contratando artistas que estavam naquele selo (e, por fim, chegou a haver, ainda posteriormente, uma associação dos dois, que findou com a extinção da Orbeat – atualmente os lançamentos da Antídoto não têm tido tanta projeção). A Orbeat lançou também CDs de bandas tais como Hard Working Band, Foxy Lady, Diretoria, etc. A consolidação de tais gravadoras, com foco nas bandas locais e alcançando grande sucesso junto ao público em virtude da ampla veiculação nas principais rádios, ocasionou, de uma certa forma, uma mudança de paradigmas na música pop gaúcha: até então, era praticamente imprescindível que um artista obtivesse reconhecimento fora do RS, mediante a contratação por uma gravadora major instalada no centro do país, para depois ser mais amplamente conhecido pelo público gaúcho em geral. Agora, o conhecimento e o sucesso de alguns artistas gaúchos veiculados mediante este esquema junto ao público local é que passou a atrair a atenção das grandes gravadoras pela sua contratação. Pode-se dizer, assim, mesmo que de forma genérica, que o sucesso em grande escala passou a se articular no vértice “daqui para lá”, ao invés do “de lá para cá”, como era antes. É claro que este tipo de afirmação é esquemática, e não ignoramos que a própria consolidação deste mercado local em tornos destas bandas/artistas deu-se também porque, em vários casos, os mesmos já haviam obtido reconhecimento, em alguma medida, no centro do país, seja via contratação anterior por gravadoras majors ou independentes, prestígio na imprensa e mídia, etc., e tampouco que, mesmo no “esquema anterior”, as bandas que conseguiram ser contratadas por majors já contavam com algum prestígio junto ao público e algumas rádios locais. De fato, podemos encontrar alguns exemplos de bandas gaúchas contratadas por majors no período de “refluxo” do rock dos anos 80, nos anos 90, mas a realidade é que a grande maioria não conseguiu se consolidar a partir do mercado nacional, tendo que centrar maior foco no mercado regional, e a partir do fortalecimento conseguido neste processo, posteriormente poder alçar vôos mais consistentes no mercado nacional. O maior exemplo disto é a já citada Papas da Língua.

Nos anos 2000, o rock gaúcho também experimentou uma crescente ebulição, com a consolidação de diversas bandas e artistas surgidos nas décadas anteriores. Pelo menos duas bandas podem ser destacadas como tendo alcançado grande evidência no cenário nacional: Cachorro Grande e Fresno.

Além destas bandas e artistas, podemos apontar muitos outros que marcaram/marcam a cena nos períodos destacados: Harmadilha, Doidivanas, Aquaplay, Doce Veneno (de Santa Maria), Mama Bujii, Ismália, Rosa Tatooada, Horácios, Texugos e Bêbados, Os Náufragos, Irmãos Rocha, Pata de Elefante, Frank Solari, Fuga, Gallaxy Trio, Gaspo e Oly Jr., Gordini Fuçado, Ópera Bufa, Saltinmantra, Lecco Ferrara e os Coiotes, Cinza e azul noite, Zé do Bêlo, Sindicato do Blues, Os Puta Merda, Sweet Beetle Juice, Nada Público, Identidade, Jardineiros, Jogo Sujo, Sangue Sujo, Justine, K 30, Laranja Freak, Les Responsables, Locomotores, Lory Finocchiaro, Loch Ness, Ecos do Mississipi, Ligação Anônima, Gisele Gutter & Hard Company, Richard Powell, Space Queras, Solon Fishbone, Galãs da Menopausa, Os Chihuahuas, The Pio, Devas, Satanic Death, Os Ovni’s, André Coelho, Pulse, Cabala, Black Maria, Kuria, Vortex, Viscerália, Montanha Azul, Superphones, Os Daltons, Groove James, Tom Bloch, Hoochie Coochie Band, Arnaldos, Cuidado Menina, Tarcísio Meira’s Band, os Ronyfons, Floricultura, Dead Fingers, Os Mucrília, Free Jack, Trouble Makers, Gabardines, Apanhador Só, A Elétrika Tribo, Aristhoteles de Ananias Jr., Astronauta Pinguim, Automóvel Verde, Bataclã FC, Beto Nickorn e os caras, Beselhos, Beladona, Los Vatos, Lovecraft, Luciano Albo, Marcelo Birck, Motel Flamingo, Obsolethos, Os Dissonantes, Os Efervescentes, Locomotores, Suco Elétrico, Off the wall, Olívia Palito, Os Atonais, Os Funérios, Os Hipnóticos, Pére Lachaise, Os Thompsons, Os Totais, Osmarmotta, Os Vilsos, Os Viralatas, Planondas, Pedrada A Fú, Pupilas Dilatadas, Razão Social, Rebeldes, Renato Velho, Subtropicais, Sombrero Luminoso, Stereo Box, Satyananda, Estado de Espírito, Stratopumas, Damn Laser Vampires, Deus e o Diabo, Desvio Padrão, Diego Medina, Doidivanas, Eu, o Zé e os Cara, Fasshion Guru, Drive, Sex Machine, Grosseria, Vídeo Hits, Viana Moog, Walverdes, Wonkavision, X Galinha, Vera Loca, Volúpia, dentre muitos outros.

Muito importantes para a divulgação do rock gaúcho neste período foram/são os diversos bares e casas noturnas que abrem espaço para o gênero.Podemos destacar algumas casas pela sua grande importância: Ocidente, Opinião, Garagem Hermética, Dr. Jekyll, Cult Bar, Zelig, Art & Bar, Long Play, Teatro de Elis, 8 e 1/2 Bar, Porão do Beco, Manara, Abbey Road, Joe’s Bar, John Bull Pub, etc.

Fundamentais também, na divulgação desta cena, as emissoras de rádio. Além das já mencionadas Atlântida, Pop Rock e Ipanema, temos a Unisinos FM, numa linha mais alternativa e a FM Cultura, etc. Também foram/são importantíssimos os programas Radar, veiculado na TVE, Palco/Estúdio 36/Papo Clip (TV Com), Folharada Ipanema na TV (Band), Patrola (RBS TV), “Rock Gaúcho na TV” e “No.cabo”, na POA TV, dentre outros. As rádios web também vêm sendo uma boa opção, especialmente para a divulgação do underground: temos a Buzina do Gasômetro (na qual faço o programa Paralelo 30), Putzgrila, Marquise 51, Rádio Fam (da Famecos da PUC), Radioweb da Gente, Lágrima Psicodélica, etc. Na rádio da UFRGS AM vai ao ar nas quartas-feiras à noite o clássico programa Sonoridades (ex- Histórias Musicais). E inúmeras páginas da internet (sites e blogs) também têm tido um papel relevante na divulgação da cena: Volume (clic rbs), Portal do Rock Gaúcho, Bandas Gaúchas, Lágrima Psicodélica, Frekium, Durango 95, Dissonância, etc. Nos dois primeiros podemos escutar as músicas nas páginas das bandas, o que também é possível fazer visitando o My Space, o Trama Virtual, etc. No blog http://bandasdorockgauchoforever.musicblog.com.br, que editamos, podemos encontrar, no “Listão das bandas gaúchas”, diversos outros nomes da cena atual e de todos os tempos. Mas realmente são milhares de artistas e grupos, dos mais diversos estilos, a demonstrar a grande amplitude, diversidade e criatividade da cena roqueira gaúcha. Neste sentido, as perspectivas para a segunda década deste século 21 são bastante positivas, pois o rock gaúcho vem se renovando e revigorando continuamente, revelando grande vitalidade.

 

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